Casas Bahia negocia empréstimo de R$ 1 bilhão com BB e Bradesco

Grupo busca reestruturação financeira para manter operações e enfrentar desafios do mercado varejista.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Grupo Casas Bahia está em negociações avançadas para obter um financiamento de aproximadamente R$ 1 bilhão com o Banco do Brasil e o Bradesco. A operação, conhecida como DIP financing — financiamento concedido a empresas durante processos de recuperação judicial — busca injetar dinheiro novo no caixa da varejista em meio à reestruturação de suas dívidas.

O modelo dá aos novos credores prioridade no recebimento dos valores emprestados, reduzindo o risco da operação e permitindo que a companhia consiga levantar recursos mesmo durante a recuperação judicial.

A Casas Bahia protocolou o pedido de recuperação judicial neste domingo (16), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O processo reúne nove empresas do grupo e envolve R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas à recuperação.

A situação é diferente da recuperação extrajudicial homologada em 2024, que havia permitido à companhia renegociar apenas parte de sua dívida financeira. Com a recuperação judicial, a empresa passa a ter acesso a mecanismos como o financiamento DIP, que oferece aos novos recursos uma posição de maior prioridade dentro do processo.

Banco do Brasil e Bradesco aparecem como principais interessados

Segundo informações obtidas pelo NeoFeed com fontes próximas às negociações, Banco do Brasil e Bradesco são os principais candidatos a participar da operação. Os dois bancos estão entre os maiores credores financeiros da Casas Bahia e já haviam participado das conversões de dívida em participação acionária realizadas pela companhia em 2025.

Fundos de investimento também avaliam entrar na operação. Até o momento, porém, nenhum acordo foi formalizado.

O valor discutido, de aproximadamente R$ 1 bilhão, é semelhante ao montante que a Casas Bahia buscava levantar no mercado internacional antes de interromper os planos. Na ocasião, a empresa avaliava captar entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões, mas o movimento foi suspenso em abril diante da piora do cenário macroeconômico e da retração do mercado de crédito.

Dinheiro deve reforçar estoques

Cerca de metade dos recursos obtidos com o financiamento deve ser direcionada à recomposição dos estoques.

A empresa passou a enfrentar maior pressão sobre o caixa depois que fornecedores reduziram os prazos de pagamento e passaram a exigir operações à vista após o pedido de recuperação judicial. Com menos crédito comercial disponível, a varejista precisa de capital para manter os produtos nas lojas e sustentar suas operações.

A recuperação judicial também pode liberar outros recursos para a companhia.

Um dos caminhos envolve aproximadamente R$ 2 bilhões em depósitos judiciais, sendo cerca de metade relacionada a processos trabalhistas. A empresa avalia que parte desse dinheiro poderá ser desbloqueada com base em entendimentos aplicáveis a processos de recuperação judicial, gerando um ganho potencial superior a R$ 1 bilhão.

Outra possibilidade está relacionada às dívidas tributárias. A companhia poderá negociar o parcelamento de parte dos débitos com o poder público e eventualmente obter descontos.

Casas Bahia amplia cortes e fecha lojas

O plano de reestruturação também envolve uma redução significativa da estrutura da empresa.

Além do fechamento de aproximadamente 300 lojas, anunciado na semana passada, os desligamentos já ultrapassam os 3 mil inicialmente informados no pedido de recuperação judicial, segundo a apuração do NeoFeed.

As unidades fechadas estão concentradas principalmente entre as lojas deficitárias, com menor participação na concessão de crédito e custos elevados de ocupação. Os shoppings aparecem entre os locais mais afetados.

Com a reestruturação, a Casas Bahia estima uma economia de aproximadamente R$ 2 bilhões por ano, considerando cortes em despesas operacionais, tecnologia e contratos indiretos.

Credores financeiros são o principal desafio

Apesar das medidas adotadas, as negociações mais complexas da recuperação judicial devem ocorrer com os credores financeiros.

A companhia busca reduzir o custo de capital e reorganizar suas obrigações para recuperar capacidade de investimento e geração de caixa. As linhas de crédito destinadas aos consumidores e operadas em parceria com Banco do Brasil e Bradesco, porém, continuam funcionando normalmente.

A Casas Bahia terá 60 dias, contados a partir do deferimento do processamento da recuperação judicial, para apresentar seu plano aos credores.

O financiamento de R$ 1 bilhão, caso seja fechado, será uma das primeiras peças da nova estratégia da varejista para atravessar a crise: preservar o funcionamento das lojas, recompor estoques e ganhar fôlego financeiro enquanto negocia uma dívida de R$ 17,3 bilhões.

Carregar Comentários