As gêmeas siamesas Heloísa e Helena, de 2 anos, morreram após serem submetidas à cirurgia final de separação no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), no interior de São Paulo.
As duas crianças nasceram unidas pela cabeça e eram acompanhadas pelas equipes médicas do hospital desde o nascimento. A cirurgia definitiva ocorreu no último sábado (15) e durou aproximadamente 15 horas.
Segundo o hospital, o procedimento envolveu mais de 50 profissionais, entre integrantes das equipes médicas e profissionais de apoio. Apesar do planejamento realizado ao longo de meses, as meninas não resistiram à cirurgia.
Separação foi planejada em cinco etapas
O caso exigiu um longo planejamento devido à complexidade da condição das crianças. Heloísa e Helena nasceram em 2024 unidas pela cabeça, uma condição conhecida como gêmeas siamesas craniópagas.
A equipe médica optou por dividir o processo de separação em cinco cirurgias, realizadas com intervalos de aproximadamente dois a três meses.
Em cada etapa, os médicos trabalhavam na separação progressiva das estruturas compartilhadas pelas meninas, permitindo que os cérebros e vasos sanguíneos fossem preparados para a cirurgia definitiva.
A última operação seria responsável pela separação completa dos corpos e pela reconstrução das regiões do crânio.
Caso era considerado extremamente raro
A condição apresentada pelas meninas é considerada rara. Segundo informações divulgadas pelo Hospital das Clínicas, a ocorrência de gêmeos unidos pela cabeça é estimada em aproximadamente um caso para cada 2,5 milhões de nascimentos.
Por causa da complexidade, procedimentos desse tipo exigem equipes multidisciplinares e planejamento detalhado.
No caso de Heloísa e Helena, profissionais de neurocirurgia pediátrica e cirurgia plástica participaram do acompanhamento e das diferentes etapas do tratamento.
Última cirurgia aconteceu após meses de preparação
Antes da cirurgia final, as meninas já haviam passado por outros procedimentos preparatórios.
Em março deste ano, por exemplo, elas foram submetidas à quarta cirurgia, que durou aproximadamente seis horas e envolveu a instalação de bolsas expansoras de pele.
Essas estruturas tinham a função de preparar a pele das crianças para a reconstrução realizada no momento da separação definitiva.
A estratégia fazia parte do planejamento adotado pela equipe para tentar reduzir os riscos associados ao procedimento.
Família recebeu apoio para o funeral
Após a morte das crianças, os corpos foram encaminhados para São José dos Campos, cidade natal da família.
O sepultamento ocorreu no domingo (16). Segundo o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, a Prefeitura de São José dos Campos arcou com os custos do funeral.
A morte das meninas encerra uma trajetória marcada por acompanhamento médico, procedimentos de alta complexidade e meses de preparação para uma cirurgia considerada extremamente delicada.