O cenário no Oriente Médio voltou a ferver nesta segunda-feira (17). Em meio ao vencimento do prazo de 60 dias para fechar um acordo de paz com o Irã, o ex-presidente Donald Trump elevou o tom e fez uma ameaça direta de ataque contra Omã — um tradicional aliado histórico dos Estados Unidos na região.
Trump alertou que não hesitará em ordenar bombardeios caso o país árabe “fique no caminho” das operações e ações no estratégico Estreito de Ormuz, rota crucial por onde passa grande parte do petróleo comercializado no mundo. Esta é a segunda vez em poucos meses que Trump faz ameaças públicas a Omã, repetindo a postura adotada em maio.
Acordo com o Irã expira e canal secreto gera polêmica
Com o fim do prazo limite estipulado para que os dois lados chegassem a um consenso diplomático, o impasse com o governo iraniano entrou em uma nova fase de incertezas.
Os principais pontos de tensão envolvem:
- Sem pressa para fechar acordo: Trump afirmou publicamente que não tem pressa para selar um tratado com Teerã.
- Disputa sobre canal secreto: O líder norte-americano declarou ter aberto um canal direto de negociação com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC). A cúpula militar iraniana, no entanto, negou categoricamente a existência desse diálogo nos bastidores.
- Foco na questão nuclear: Trump reforçou que a prioridade número um de sua estratégia militar é impedir a todo custo que o Irã desenvolva uma arma nuclear, minimizando alertas de seus próprios assessores econômicos sobre a disparada no preço internacional do petróleo.
Pressão sobre Netanyahu e o impasse na Faixa de Gaza
Enquanto a tensão com o Irã escalava, o genro de Trump e enviado especial, Jared Kushner, desembarcou em Israel para uma reunião de emergência de mais de quatro horas com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Kushner pressionou o premiê israelense a destravar o plano de cessar-fogo apoiado por Washington e exigiu que o governo de Israel não coloque novos obstáculos na mesa de negociação. Netanyahu, por sua vez, manteve a linha dura: segundo fontes de alto escalão do governo israelense, o país não pretende retirar suas tropas da Faixa de Gaza até que o Hamas entregue as armas e seja totalmente desarmado.