Trump sinaliza novo diálogo com Kim Jong-un e reduz exercícios militares com Coreia do Sul

Presidente dos Estados Unidos diz manter uma relação positiva com o líder norte-coreano e determina redução de atividades militares conjuntas com Seul, em movimento que pode abrir espaço para novas negociações
Redação NC News
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (17) que está se aproximando de uma nova conversa com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. O sinal de aproximação ocorre um dia depois de Trump determinar ao Pentágono uma redução significativa dos exercícios militares realizados em conjunto com a Coreia do Sul.

A movimentação reacende a possibilidade de uma retomada das negociações entre Washington e Pyongyang, depois de anos de tensão envolvendo o programa nuclear norte-coreano.

 

Trump volta a apostar na relação com Kim

Trump afirmou que mantém uma relação muito boa com Kim e que recebeu uma resposta do líder norte-coreano que indica uma possível reaproximação.

Os dois já se encontraram três vezes durante o primeiro mandato de Trump. O primeiro encontro ocorreu em 2018, em Singapura, em uma reunião histórica entre um presidente americano e um líder norte-coreano.

As conversas, porém, não avançaram para um acordo definitivo sobre o programa nuclear da Coreia do Norte. O último encontro aconteceu em 2019, quando as negociações acabaram sem um acordo.

Agora, Trump demonstra interesse em retomar o contato justamente em um momento em que a Coreia do Norte ampliou suas capacidades militares e estreitou relações com Rússia e China.

Exercícios militares com a Coreia do Sul serão reduzidos

Poucas horas antes do início dos exercícios militares anuais entre Estados Unidos e Coreia do Sul, Trump ordenou que o Pentágono reduza a participação americana nas atividades.

O presidente classificou os treinamentos como potencialmente provocativos para a Coreia do Norte e citou também divergências com o governo sul-coreano.

Apesar da ordem de Trump, os exercícios começaram nesta segunda-feira conforme o cronograma previsto. A operação envolve cerca de 18 mil militares sul-coreanos e inclui simulações de situações como ataques cibernéticos, drones e guerra eletrônica.

Para Pyongyang, esse tipo de treinamento costuma ser interpretado como preparação para uma possível guerra.

 

Coreia do Sul vê chance de retomada das negociações

O governo sul-coreano recebeu o movimento com cautela, mas afirmou esperar que a relação entre Trump e Kim possa ajudar a abrir espaço para um novo diálogo.

A expectativa de Seul é que a aproximação entre Washington e Pyongyang contribua para reduzir as tensões na Península Coreana.

Ao mesmo tempo, existe preocupação com a redução dos exercícios militares. Especialistas avaliam que as atividades são importantes para manter a preparação e a coordenação das forças americanas e sul-coreanas diante de uma eventual ameaça norte-coreana.

 

O que Kim Jong-un pode querer?

Uma eventual retomada das conversas não deve ser simples.

A Coreia do Norte vem ampliando seu arsenal nuclear e de mísseis e, desde o fracasso das negociações de 2019, adotou uma postura mais rígida em relação aos Estados Unidos.

Kim pode tentar negociar a partir de uma posição mais favorável, buscando redução de sanções e outras concessões de Washington.

Por isso, uma nova reunião entre os dois líderes não significa necessariamente que haverá um acordo sobre a desnuclearização.

O que pode acontecer agora?

O próximo passo depende da reação de Kim Jong-un e de como Washington conduzirá as negociações.

A redução dos exercícios militares pode funcionar como um gesto de boa vontade para Pyongyang, mas também provoca preocupação entre aliados dos Estados Unidos na região.

Se Trump conseguir retomar as negociações, poderá tentar repetir a estratégia adotada em seu primeiro mandato: usar a relação pessoal com Kim para abrir conversas sobre o programa nuclear e a segurança na Península Coreana.

Por enquanto, o que existe é uma sinalização de aproximação — e não um novo acordo entre os países.

 

ENTENDA O CONTEXTO

Estados Unidos e Coreia do Norte mantêm décadas de tensão por causa do programa nuclear de Pyongyang. Trump e Kim Jong-un chegaram a realizar encontros históricos entre 2018 e 2019, mas as negociações não produziram um acordo definitivo.

Agora, Trump volta a demonstrar interesse em conversar com Kim e reduz a participação americana nos exercícios militares com a Coreia do Sul. Seul vê uma possível oportunidade diplomática, enquanto especialistas alertam para os riscos de diminuir a preparação militar na região.

O principal desafio será descobrir se a nova aproximação conseguirá levar Kim de volta à mesa de negociações — e quais condições o líder norte-coreano apresentará.

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