A eleição presidencial deste domingo (4) colocou o Brasil no centro da cobertura dos principais veículos internacionais. Jornais e revistas dos Estados Unidos e da Europa tratam o pleito como uma disputa com consequências que podem ultrapassar as fronteiras brasileiras e afetar o equilíbrio geopolítico da América Latina.
Entre os temas destacados pela imprensa estrangeira estão as relações do Brasil com os Estados Unidos e a China, a influência do presidente norte-americano Donald Trump na região, o papel brasileiro no Brics, a preservação da Amazônia e a exploração de minerais considerados estratégicos.
A atenção internacional se concentra principalmente nas diferenças de política externa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois candidatos que chegaram à reta final da campanha com os maiores percentuais nas pesquisas nacionais.
Quaest: Lula tem 36% e Flávio Bolsonaro, 29%, a menos de um mês do 1º turno
Eleição brasileira ganha dimensão internacional
O jornal norte-americano The New York Times destacou que a disputa brasileira pode ter consequências para os rumos políticos da América Latina e para os planos de Washington na região.
Entre as diferenças mencionadas pelo jornal estão a relação com os Estados Unidos, a aproximação com a China, a exploração de terras raras e outros minerais estratégicos e as políticas de preservação da Amazônia.
O Financial Times também destacou o impacto internacional da eleição e a posição do Brasil no Brics, além das diferenças entre os candidatos em relação à política externa e aos Estados Unidos.
Trump aparece no centro da cobertura estrangeira
A atuação de Donald Trump e a influência dos Estados Unidos na América Latina são pontos recorrentes nas análises internacionais sobre a eleição brasileira.
A revista britânica The Economist classificou o resultado brasileiro como um teste para a influência política de Trump na região, depois de uma sequência de eleições presidenciais latino-americanas vencidas por candidatos de direita.
O jornal espanhol El País também colocou a eleição brasileira dentro de um cenário regional mais amplo, marcado pelo avanço recente da direita em países latino-americanos e pela pressão de Washington sobre governos da região.
A publicação ainda destacou o peso estratégico do Brasil em setores como produção de alimentos, energia e minerais críticos, além da relação comercial do país com a China.
Europa acompanha disputa entre Lula e Flávio
Na França, o Le Monde destacou a disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro e abordou as preocupações levantadas durante a campanha sobre uma eventual interferência externa no processo eleitoral.
Outros veículos europeus também deram espaço ao pleito brasileiro, relacionando o resultado das urnas à posição que o país poderá assumir diante dos Estados Unidos e da China nos próximos anos.
A cobertura internacional também chama atenção para o peso econômico e diplomático do Brasil, maior país da América Latina em população e uma das principais economias da região.
Minerais, Amazônia e Brics entram no debate
A importância internacional da eleição não se limita às relações diplomáticas. Recursos naturais brasileiros também aparecem nas análises publicadas no exterior.
O Brasil possui reservas importantes de minerais considerados estratégicos para setores tecnológicos e para a transição energética, como nióbio, grafite, níquel, cobre e terras raras.
Ao mesmo tempo, a política ambiental brasileira e o futuro da Amazônia permanecem no radar internacional. O posicionamento do próximo governo também terá reflexos sobre a atuação brasileira no Brics e sobre a relação comercial com a China, atualmente o principal parceiro comercial do país.
Resultado começa a ser divulgado após as 17h
A votação do primeiro turno termina às 17h, pelo horário de Brasília, e a Justiça Eleitoral começa a divulgar a totalização dos votos depois do encerramento da votação.
Caso nenhum candidato à Presidência obtenha mais da metade dos votos válidos neste domingo, Lula, Flávio Bolsonaro ou outros candidatos que terminarem nas duas primeiras posições avançam para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A repercussão em veículos como The New York Times, Financial Times, Le Monde, El País e The Economist mostra que o resultado brasileiro é acompanhado para além das questões domésticas, especialmente por seus possíveis efeitos sobre a política externa do país e sobre as relações de poder na América Latina.