O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou nesta terça-feira a política de segurança pública adotada pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante sabatina na Jovem Pan, o petista afirmou que nunca viu “um trabalho sério” na área no estado e apresentou uma proposta de integração entre as forças de segurança.
Haddad afirmou que, se for eleito, pretende comandar pessoalmente um gabinete institucional que reúna as polícias estaduais e federais. Segundo o candidato, a estrutura teria como objetivo ampliar a cooperação entre as diferentes forças e combater o crime organizado de forma integrada.
Haddad critica comando da Polícia Militar
Durante a sabatina, Haddad afirmou que parte dos problemas da segurança pública está relacionada à escolha de integrantes da cúpula da Polícia Militar durante a atual gestão.
O petista citou o coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante da PM, que deixou o cargo após ser citado em uma investigação sobre a atuação de policiais em um esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Atualmente, a Polícia Militar de São Paulo é comandada pela coronel Glauce Anselmo Cavalli.

Haddad também criticou as condições tecnológicas da Polícia Civil. Segundo ele, “a Polícia Civil está tecnologicamente em frangalhos”.
O candidato defendeu maior participação do governo federal na segurança pública paulista e afirmou que a administração Tarcísio rejeita esse tipo de colaboração por considerar que ela poderia interferir na autonomia do estado.
Candidato volta a falar sobre abordagem policial
Haddad também retomou durante a sabatina o episódio envolvendo uma abordagem policial que, segundo ele, ocorreu na semana passada.
O candidato afirmou que chegava em casa, na zona sul de São Paulo, por volta das 22h30 da terça-feira (11), quando percebeu que uma viatura da Polícia Militar o acompanhava. Segundo o relato, os agentes não conversaram com ele nem solicitaram documentos, mas teriam seguido o motorista de Haddad durante o trajeto até a residência do funcionário.

A Polícia Militar realizou uma investigação preliminar e afirmou não ter identificado indícios de abordagem ou procedimento irregular. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), aproximadamente 40 câmeras de residências e estabelecimentos comerciais foram analisadas ao longo do percurso indicado pelo motorista, mas não foram encontradas evidências de uma abordagem irregular.
Paraisópolis volta ao discurso eleitoral
Haddad citou ainda o episódio ocorrido em Paraisópolis durante um ato da campanha de Tarcísio em 2022.
Na ocasião, um tiroteio interrompeu a atividade eleitoral. Um homem morreu baleado durante o confronto, que envolveu criminosos e seguranças ligados ao então candidato.
Ao mencionar o episódio, Haddad voltou a questionar a atuação das forças de segurança e a estratégia adotada pelo governo estadual no combate à criminalidade.
Haddad questiona destino de recursos após privatização da Sabesp
Além da segurança pública, Haddad criticou a situação financeira do estado e prometeu revisar contratos e privatizações caso assuma o governo.
O candidato questionou o destino dos recursos obtidos pelo estado durante a gestão Tarcísio e citou a privatização da Sabesp, realizada em julho de 2024. A operação movimentou R$ 14,8 bilhões e transformou a companhia de economia mista em uma empresa de controle privado, com o governo paulista mantendo participação minoritária.
“O Tarcísio recebeu o estado com R$ 19 bilhões em caixa, vendeu a Sabesp e ganhou R$ 12 bilhões de presente do governo federal, que renegociou a dívida do estado. Hoje, São Paulo tem R$ 5 bilhões em caixa. (…) Para onde foi esse dinheiro?”, afirmou Haddad durante a sabatina.

O petista também disse que pretende revisar contratos relacionados ao sistema Free Flow, à privatização da CPTM e à própria Sabesp.
Segundo Haddad, o estado apresenta desempenho inferior ao do país em diferentes indicadores. Ele citou crescimento econômico, educação, atendimento no SUS e situação das contas públicas como áreas que, na avaliação dele, apresentam problemas.
“A fila do SUS em São Paulo caiu menos do que nos outros estados. As finanças de São Paulo estão deterioradas. As coisas não estão bem”, declarou.
A sabatina ocorre em meio à disputa pelo governo paulista, que deve concentrar parte importante do debate eleitoral em temas como segurança pública, privatizações, saúde, educação e situação fiscal do estado.