O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro durante debate com presidenciáveis nesta terça-feira (18). Ao comentar o cenário eleitoral de 2026, Renan afirmou que uma eventual reeleição de Lula poderia, na avaliação dele, provocar um processo de “venezuelização” das instituições brasileiras.
O candidato também direcionou críticas a Flávio Bolsonaro e questionou a capacidade do senador de representar uma alternativa eleitoral ao PT e conduzir mudanças estruturais no país.
Renan critica candidatura de Flávio Bolsonaro
Ao falar sobre a disputa presidencial, Renan Santos afirmou que não considera Flávio Bolsonaro uma candidatura capaz de mobilizar o eleitorado para derrotar o PT.
“Ninguém em sã consciência fala que vai votar no Flávio Bolsonaro para derrotar o PT. Ninguém acha que o Flávio Bolsonaro vai ter energia para tocar nenhuma reforma. Sejamos sinceros”, afirmou.
Na avaliação do candidato do Missão, a eleição poderia acabar concentrada entre Lula e um grupo político ligado ao bolsonarismo, cenário que ele considera insuficiente para promover as mudanças que defende.
“A alternativa é basicamente um grupo ligado à banda podre da política carioca”, declarou.
O que Renan chama de ‘venezuelização’?
A expressão foi utilizada por Renan para descrever o que ele considera um possível processo de concentração de influência política sobre instituições brasileiras em um eventual novo mandato de Lula.
O candidato citou possíveis indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF) e mudanças no comando da Procuradoria-Geral da República (PGR) como fatores que, segundo sua avaliação, poderiam aumentar a influência do governo sobre instituições.
“Todo mundo sabe o desastre que será o novo governo do PT. É um desastre. Com quatro ministros supremos sendo colocados lá e com o controle que eles vão exercer no Congresso”, afirmou.
A declaração representa uma avaliação política do candidato sobre um eventual segundo mandato consecutivo de Lula e não uma constatação de que o Brasil esteja atualmente sob um processo de “venezuelização”.
Renan também cita Flávio Dino e as emendas
Durante a argumentação, Renan Santos mencionou a atuação do ministro Flávio Dino, do STF, em processos relacionados às emendas parlamentares.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a combinação entre decisões envolvendo o Congresso, futuras indicações ao Supremo e mudanças na Procuradoria-Geral da República poderia resultar em uma concentração maior de poder político.
“Teremos, de agora em diante, um regime, um processo de venezuelização, uma lenta venezuelização do regime brasileiro. Isso está para acontecer”, afirmou.
Candidato tenta se apresentar como terceira alternativa
As críticas fazem parte da estratégia de Renan Santos de apresentar o Missão como uma alternativa à polarização entre Lula e o grupo político ligado à família Bolsonaro.
O candidato defende uma agenda baseada em combate à corrupção, reformas estruturais e mudanças na relação entre Executivo, Congresso e Judiciário.
A estratégia coloca Renan em uma posição de confronto simultâneo com os dois principais polos políticos citados por ele durante o debate.
O que acontece agora?
Com a disputa presidencial de 2026 entrando em uma fase de maior definição das candidaturas e alianças, o posicionamento dos candidatos tende a ganhar peso na formação das campanhas.
Renan Santos tenta ocupar o espaço de candidato contrário tanto à continuidade do PT no governo federal quanto ao retorno de um projeto político associado ao bolsonarismo.
As declarações sobre Lula e Flávio Bolsonaro fazem parte desse posicionamento e reforçam a tentativa do candidato do Missão de se apresentar como uma alternativa à polarização que marcou a política brasileira nos últimos anos.
ENTENDA O CONTEXTO
Renan Santos disputa a Presidência da República pelo Missão e tem buscado construir uma candidatura que se coloque fora dos dois principais grupos políticos que dominaram a disputa nacional nos últimos anos.
Durante o debate, ele atacou tanto uma eventual reeleição de Lula quanto a candidatura de Flávio Bolsonaro. Ao falar sobre o presidente, utilizou o termo “venezuelização” para descrever o que considera um risco de concentração de influência sobre instituições como STF e PGR.
Já em relação a Flávio Bolsonaro, questionou a capacidade do senador de liderar reformas e derrotar o PT nas urnas.