Diarista acusada de matar casal de idosos em BH fará exame de insanidade mental

Justiça determinou perícia psiquiátrica para avaliar se Paola Stefany Neto Cirino tinha capacidade de compreender os próprios atos no momento do crime; ela está presa preventivamente por latrocínio
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A Justiça de Minas Gerais determinou que Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, passe por um exame de insanidade mental. A diarista é acusada de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, dentro do apartamento do casal, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

A decisão foi tomada nesta terça-feira (18) pelo juiz Alexandre Magno de Resende Oliveira, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte. A perícia será realizada no Instituto Médico-Legal (IML) e deverá ocorrer com prioridade, já que Paola está presa preventivamente.

A realização do exame não significa que a Justiça já tenha reconhecido qualquer doença ou incapacidade mental. A perícia vai justamente avaliar as condições psíquicas da acusada e determinar se, no momento do crime, ela tinha capacidade de entender a natureza e as consequências do que estava fazendo.

Justiça vê dúvidas sobre estado mental

Na decisão, o juiz considerou informações reunidas durante o processo que levantaram dúvidas sobre a condição mental de Paola.

A acusada possui histórico de instabilidade emocional e ideação suicida, além de já ter recebido atendimento psiquiátrico de urgência no Hospital André Luiz e acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), em Ribeirão das Neves.

Também consta que ela fazia uso de medicamentos controlados, entre eles clonazepam e quetiapina.

Durante a investigação, Paola afirmou que teria sofrido um “surto psicótico” e relatou ter ouvido vozes. A versão apresentada pela defesa agora será confrontada com a avaliação dos peritos e com as demais provas reunidas no processo.

O exame deverá responder uma questão central para o processo: Paola tinha condições de compreender o caráter criminoso dos atos e de se comportar de acordo com esse entendimento na época dos assassinatos?

Defesa pediu avaliação psiquiátrica

A defesa da diarista já havia solicitado a realização do exame de insanidade mental. O Ministério Público de Minas Gerais também se manifestou favoravelmente à abertura do incidente.

O advogado Bruno Correa Lemos afirmou que a perícia é importante para esclarecer as condições psíquicas da cliente no momento dos fatos. Segundo ele, a defesa confia que a avaliação técnica poderá demonstrar se Paola tinha ou não discernimento suficiente para compreender plenamente a natureza e as consequências dos atos.

A defesa também afirma que não pretende antecipar o resultado da perícia e que confia na avaliação dos profissionais responsáveis pelo exame.

O crime aconteceu no primeiro dia de trabalho

O caso aconteceu em 29 de junho, no apartamento onde Cláudio e Maria Clotilde moravam, no bairro São Pedro.

Paola havia sido contratada para trabalhar como diarista e, segundo a investigação, aquele era o primeiro dia dela no imóvel. Ela teria sido indicada por um primo de Maria Clotilde.

Durante o trabalho, a investigação aponta que a diarista preparou uma bebida e colocou medicamentos triturados no líquido. A Polícia Civil afirmou que exames identificaram clonazepam no sangue das vítimas.

A suspeita teria esperado o casal apresentar sinais de sonolência para iniciar o roubo.

Casal foi morto a facadas

Depois de dopar as vítimas, segundo a investigação, Paola teria atacado o casal com uma faca.

O advogado Cláudio Atala foi encontrado morto sobre a cama de um dos quartos. Maria Clotilde estava caída na sala.

O inquérito apontou um cenário de extrema violência. Conforme informações apresentadas posteriormente à Justiça, foram identificadas 43 lesões perfurocortantes em Cláudio e 15 em Maria Clotilde, além de queimaduras na face, no tórax e nos membros das vítimas.

A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou Paola por latrocínio, crime que reúne roubo e morte.

Objetos foram levados do apartamento

Depois dos assassinatos, Paola teria retirado diversos objetos do apartamento.

Entre os bens levados estavam relógios, celulares, bolsa e outros objetos de valor. Parte dos produtos foi posteriormente recuperada pela Polícia Civil.

Segundo a investigação, a diarista também teria tentado vender os objetos no Centro de Belo Horizonte. Quatro pessoas chegaram a ser indiciadas por receptação qualificada no desdobramento do caso.

Imagens de câmeras de segurança também ajudaram os investigadores a reconstruir a movimentação da suspeita.

Ela foi registrada entrando no prédio pela manhã e deixando o local horas depois, com roupas diferentes e carregando sacolas que, segundo a investigação, pertenciam às vítimas.

Suspeita foi presa em hotel em Itabira

Após o crime, Paola deixou Belo Horizonte e foi localizada pela Polícia Civil em um hotel de Itabira, na Região Central de Minas Gerais, no dia 1º de julho.

Segundo a polícia, durante a abordagem, ela confessou a autoria dos assassinatos e alegou ter sofrido um surto psicótico.

A mulher permanece presa preventivamente e responde pelo crime de latrocínio. Na semana passada, a Justiça já havia negado um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.

Processo fica suspenso durante perícia

Com a determinação do exame de insanidade mental, o andamento do processo em relação a Paola fica temporariamente suspenso, conforme previsto no Código de Processo Penal.

A suspensão não impede a realização de eventuais diligências consideradas urgentes ou que possam ser prejudicadas pela demora.

Agora, o IML deverá definir a data e o horário da perícia psiquiátrica. Depois da realização do exame, o laudo será encaminhado à Justiça e poderá ter impacto importante no andamento da ação penal.

O resultado da perícia, no entanto, não significa automaticamente absolvição ou condenação. A avaliação médica será mais um elemento analisado pela Justiça para determinar as condições mentais de Paola no momento em que o crime aconteceu.

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