O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou, nesta quarta-feira (29), a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, pelos assassinatos do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. Para o órgão, o crime foi premeditado e teve como objetivo roubar bens do casal, que morava em um apartamento no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Além da diarista, um comerciante da região central da capital também foi denunciado. Segundo o Ministério Público, ele teria participado da utilização fraudulenta dos cartões bancários das vítimas logo após o crime.
Ministério Público diz que crime foi planejado
De acordo com a denúncia, Paola foi contratada para prestar serviços domésticos no apartamento do casal e, durante a execução da faxina, teria colocado um medicamento sedativo na bebida das vítimas para reduzir a capacidade de reação.
Com os idosos dopados, a diarista começou a recolher dinheiro, joias, relógios, celulares e outros objetos de valor. Ainda segundo o Ministério Público, uma das vítimas acordou durante a ação criminosa, momento em que a suspeita decidiu matar o casal para garantir a consumação do roubo.
Os promotores afirmam que os idosos foram mortos com dezenas de golpes de faca. Antes de deixar o apartamento, a acusada ainda teria adotado diversas medidas para eliminar vestígios e dificultar o trabalho da perícia.
“Pelo que foi apurado, tratou-se de um crime premeditado, tanto pela preparação anterior quanto pelas medidas adotadas após o crime, com a adulteração da cena do crime e a venda dos itens roubados”, afirmou o promotor de Justiça Mauro Fonseca Ellovitch.
Venda dos bens roubados e uso dos cartões
Segundo o Ministério Público, poucas horas após deixar o apartamento, Paola seguiu para a região central de Belo Horizonte para vender parte dos objetos roubados e utilizar os cartões bancários das vítimas.
As investigações apontam que um empresário, proprietário de um restaurante no Centro da capital, teria permitido que os cartões fossem utilizados nas máquinas do estabelecimento. Conforme a denúncia, os dois dividiram proporcionalmente os valores obtidos nas transações.
Por esse motivo, o comerciante foi denunciado pelo crime de furto mediante fraude.
Quais crimes foram atribuídos à diarista?
Na denúncia apresentada à Justiça, o Ministério Público acusa Paola de:
- dois crimes de latrocínio (roubo com resultado morte);
- uso de meio cruel;
- utilização de recurso que dificultou a defesa das vítimas;
- prática do crime contra pessoas idosas;
- adulteração da cena do crime para dificultar a perícia;
- uso fraudulento dos cartões bancários do casal.
Segundo o órgão, a investigação também demonstrou que a suspeita tentou deixar Minas Gerais após os assassinatos, mas acabou localizada e presa pela Polícia Civil antes de conseguir fugir para outro estado.
Outras pessoas ainda são investigadas
O Ministério Público informou que outras três pessoas continuam sendo investigadas por supostamente terem adquirido bens roubados do apartamento.
Como, até o momento, não há indícios de participação delas no latrocínio e nenhuma possui antecedentes ou histórico de crimes semelhantes, os promotores solicitaram o desmembramento do processo para avaliar a possibilidade de celebração de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).
Relembre o caso
O crime aconteceu no dia 29 de junho, em um apartamento de alto padrão no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.
Segundo a Polícia Civil, Paola Stefany Neto Cirino estava no primeiro dia de trabalho como diarista na residência. As investigações apontaram que ela dopou o casal com clonazepam misturado em uma bebida e, depois, matou as vítimas com dezenas de facadas.
A perícia concluiu que Cláudio Atala sofreu 43 perfurações e ainda tentou se defender. Já Maria Clotilde foi atingida por 15 golpes de faca e também sofreu queimaduras provocadas por thinner, utilizado pela suspeita antes da morte.
Após o crime, a diarista deixou o apartamento levando joias, relógios, dinheiro, celulares e outros objetos de valor. Imagens de câmeras de segurança registraram a saída dela do prédio com roupas diferentes das usadas na entrada e carregando diversas sacolas.
Durante a fuga, ela vendeu parte dos bens roubados na região central de Belo Horizonte, utilizou cartões bancários das vítimas e seguiu para Itabira, onde acabou presa pela Polícia Civil no dia 2 de julho.
A investigação também revelou que Paola confessou os assassinatos e participou da reprodução simulada dos fatos, embora tenha alegado ter sofrido um surto psicótico durante o crime. A Polícia Civil, no entanto, afirma que o indiciamento se baseia em um conjunto robusto de provas técnicas, incluindo imagens, laudos periciais, exames toxicológicos, depoimentos e recuperação dos bens roubados.