A cidade de São Paulo registrou, entre Janeiro e Julho deste ano, o maior número de motociclistas mortos no trânsito para os sete primeiros meses de um ano desde o início da série histórica, em 2015. Foram 286 óbitos, segundo dados do Infosiga.
As mortes envolvendo motociclistas representam 49,7% de todas as fatalidades provocadas por acidentes de trânsito na capital paulista no período. Ou seja, praticamente metade das pessoas que perderam a vida nas ruas da cidade entre janeiro e julho estava em uma motocicleta.
O número chama atenção em um cenário de crescimento expressivo da frota de motos na capital e levanta o debate sobre a segurança de quem utiliza esse tipo de veículo diariamente.
Número de motos cresceu na última década
A quantidade de motocicletas circulando pelas ruas de São Paulo aumentou significativamente nos últimos anos.
Segundo dados do IBGE, as motos representavam 11,4% da frota paulistana em 2015, quando havia quase 867 mil motocicletas registradas.
Dez anos depois, em 2025, esse número passou de 1,35 milhão de motos, o equivalente a 13,5% da frota de veículos da cidade.
Isso significa que a participação das motocicletas na frota cresceu 18,7% entre 2015 e 2025.
O aumento da quantidade de motos ajuda a explicar parte do crescimento das mortes, mas os próprios dados mostram que a expansão da frota, sozinha, não é suficiente para justificar o recorde registrado neste ano.
Motociclistas representam parcela cada vez maior das mortes
A participação dos motociclistas entre as vítimas fatais também aumentou de forma proporcionalmente mais intensa do que a presença das motos na frota.
Nos sete primeiros meses de 2015, os motociclistas representavam 32% das mortes no trânsito da capital.
No mesmo período de 2025, essa participação chegou a 46%, um crescimento de 43% em relação ao primeiro ano da série.
Já em 2026, o índice alcançou 49,7%, o que representa um aumento de aproximadamente 53% em relação a 2015.
Delivery também entra no debate
O crescimento dos serviços de entrega por aplicativos é apontado como um dos fenômenos que ajudaram a transformar a relação dos motociclistas com as ruas das grandes cidades.
A rotina de quem trabalha com delivery pode envolver longos períodos sobre a moto e pressão por rapidez nas entregas. Esse cenário pode contribuir para comportamentos de risco no trânsito, embora os dados apresentados não permitam atribuir diretamente as mortes ao trabalho por aplicativos.
A expansão desse tipo de serviço, portanto, aparece dentro de um contexto mais amplo de aumento do número de motocicletas e da exposição desses condutores ao trânsito da capital.
Quem são as vítimas
O levantamento também permite traçar um perfil dos motociclistas mortos entre janeiro e julho deste ano. A maioria absoluta das vítimas era formada por homens. Eles representam 89% dos mortos.
A faixa etária mais atingida também chama atenção: 48% das vítimas tinham entre 18 e 29 anos. Outro dado mostra a gravidade dos acidentes. Em 34,3% dos casos, a vítima morreu na própria via, antes de ser transferida para um hospital.
Além disso, 90% das pessoas que morreram estavam conduzindo a motocicleta no momento do acidente.
Mulheres são maioria entre as vítimas na garupa
Quando o acidente envolve passageiros que estavam na garupa, o perfil muda.
70% das pessoas mortas que estavam na garupa eram mulheres.
O dado mostra que a vulnerabilidade não está restrita aos motociclistas que conduzem os veículos. Passageiros também estão expostos às consequências dos acidentes e representam uma parcela importante das vítimas.
Outro indicador revela a rapidez com que muitos desses acidentes terminam em morte: 71,3% das vítimas morreram no mesmo dia em que ocorreu a ocorrência.
Parte das mortes ocorreu após acidentes de 2025
Das 286 mortes registradas pelo Infosiga nos primeiros sete meses de 2026, duas foram provocadas por acidentes que aconteceram ainda em 2025.
Um dos acidentes ocorreu em 22 de dezembro, enquanto o outro aconteceu no dia de Natal. Em ambos os casos, as vítimas morreram somente em janeiro deste ano.
Por isso, apesar de o levantamento considerar os óbitos registrados entre janeiro e julho, nem todas as ocorrências tiveram origem em acidentes ocorridos nesse mesmo período.
Recorde reforça alerta para segurança
O número recorde de mortes coloca os motociclistas no centro da discussão sobre segurança viária em São Paulo.
O crescimento da frota, a expansão dos serviços de entrega e a maior participação das motos na mobilidade urbana ajudam a explicar por que esse grupo está cada vez mais presente no trânsito da capital.
Ao mesmo tempo, a proporção de motociclistas entre as vítimas fatais cresce em ritmo ainda maior, mostrando que o desafio não é apenas controlar o aumento da frota, mas também reduzir os riscos enfrentados diariamente por quem circula de moto.