O candidato do Partido Novo à Presidência da República, Romeu Zema, esteve na manhã desta quarta-feira (19) na Feira de Guaianases, na Zona Leste de São Paulo, para conversar com consumidores e feirantes sobre um dos assuntos que mais pesa no orçamento das famílias: o preço dos alimentos.
Durante a visita, Zema ouviu relatos sobre o aumento dos produtos e afirmou que o brasileiro está saindo da feira com menos compras. Para o candidato, o cenário está relacionado principalmente aos gastos públicos, à inflação e aos juros elevados.
“As pessoas saem com uma sacola cada vez menor da feira. E quem é mãe de família acaba tendo uma dificuldade gigantesca para poder fechar o orçamento.”
Ao falar sobre possíveis soluções, Zema defendeu redução de gastos do governo, uma reforma administrativa, mudanças na Previdência, revisão de programas sociais e queda dos juros.
O que Zema propõe para tentar reduzir os preços?
Segundo o candidato, a redução do custo de vida não aconteceria de forma imediata. A proposta apresentada por ele é atacar os fatores que, na avaliação dele, aumentam os custos de produção e consumo.
Zema afirmou que um governo que gaste menos do que arrecada poderia contribuir para reduzir a pressão sobre os preços e os juros.
“Na hora que nós tivermos um governo sério, um governo que gaste menos do que arrecada os preços param de subir e os salários continuam tendo reajuste.”
O candidato comparou esse processo à perda de peso ou à melhora do condicionamento físico, dizendo que seria necessário manter disciplina ao longo do tempo.
“A vida melhor vai vir à medida que o tempo avançar. É um processo ao longo do tempo, mas é preciso ter disciplina.”
Por que os juros entram nessa discussão?
Zema também relacionou o custo dos alimentos ao preço do crédito no Brasil.
Para explicar o raciocínio, citou o exemplo de um produtor rural que precisa financiar a compra de um trator. Na avaliação do candidato, juros elevados aumentam o custo da produção e acabam chegando ao consumidor.
“Se ele compra esse trator financiado, o juros do Brasil é o juros mais caro do mundo. Ele já começa produzindo mais caro. Isso reflete aqui.”
O candidato também citou os custos trabalhistas, tributários e de transporte como fatores que, segundo ele, encarecem os produtos antes mesmo de chegarem às feiras e supermercados.
O que encarece a comida antes de chegar ao consumidor?
Zema mencionou uma série de etapas que, na visão dele, contribuem para o preço final dos alimentos.
Entre elas estão os custos para o produtor rural, transporte, impostos, mão de obra e financiamento.
Ele usou a batata como exemplo. Segundo o candidato, um produtor precisa lidar com o preço de máquinas, encargos trabalhistas e dificuldades de transporte.
Zema também criticou a infraestrutura de transporte brasileira. Segundo ele, estradas em condições inadequadas e a falta de uma rede ferroviária mais ampla aumentam o valor do frete.
“A batata que é produzida lá no Triângulo Mineiro para chegar aqui, muitas vezes vai ter um frete muito mais caro do que em outros países devido às estradas que não são boas, devido a não termos ferrovias aqui.”
Zema defende cortes, mas diz que população mais pobre não será afetada
Questionado sobre como pretende reduzir os gastos públicos sem prejudicar quem depende de benefícios e serviços do Estado, Zema afirmou que os cortes seriam direcionados à estrutura administrativa.
Ele citou uma reforma administrativa e criticou mecanismos de progressão automática no serviço público.
O candidato também defendeu uma nova reforma da Previdência e mudanças nos programas sociais para combater, segundo ele, fraudes e irregularidades.
A proposta, de acordo com Zema, seria liberar recursos para áreas consideradas prioritárias e criar condições para uma redução dos juros.
Quanto a queda dos juros poderia economizar, segundo Zema?
Durante a entrevista, Zema apresentou uma conta baseada no tamanho da dívida pública. Ele afirmou que o Brasil possui aproximadamente R$ 10 trilhões em dívida e usou uma taxa de juros de 14% para estimar o custo anual.
Segundo o candidato, caso os juros caíssem para 6%, haveria uma economia de aproximadamente R$ 800 bilhões por ano.
Zema comparou esse valor ao Bolsa Família para defender que, na avaliação dele, existe espaço fiscal para ampliar investimentos sem necessariamente aumentar impostos.
É importante destacar que os valores apresentados durante a entrevista são cálculos e projeções defendidos pelo próprio candidato.
O que Zema disse sobre o governo Lula?
Durante a conversa, Zema fez críticas diretas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O candidato afirmou que a atual administração estaria gastando acima da capacidade de arrecadação e relacionou esse comportamento ao aumento da inflação e dos juros.
Zema também afirmou que o governo atual não teria, na avaliação dele, a disciplina necessária para controlar as despesas.
As declarações fazem parte da estratégia do candidato de apresentar sua experiência à frente do governo de Minas Gerais como referência para as propostas que pretende levar à disputa presidencial.
Por que Zema foi à Feira de Guaianases?
A visita teve como objetivo aproximar o candidato de consumidores e trabalhadores que lidam diariamente com os efeitos da alta dos preços.
Zema afirmou que decidiu ir à feira justamente para ouvir quem está sentindo diretamente a mudança no custo dos alimentos.
O candidato disse ter conversado com donas de casa e feirantes e afirmou que muitas famílias estão reduzindo o volume de compras ou esperando o fim da feira para procurar promoções.
O que Zema quis dizer com “governo sem intocáveis”?
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a mensagem usada por Zema na camiseta: “Chega de intocáveis”.
O candidato afirmou que a frase representa uma crítica ao que chamou de uma “casta” de pessoas que, segundo ele, estaria acima das regras aplicadas ao restante da população.
Na entrevista, Zema também fez acusações e críticas envolvendo autoridades e o banqueiro Daniel Vorcaro. As afirmações foram feitas pelo próprio candidato durante a entrevista e não devem ser tratadas como fatos comprovados sem a devida confirmação documental ou judicial.
Zema ainda mencionou que responde a um processo movido pelo ministro Gilmar Mendes e apresentou sua própria versão sobre o caso.
Qual é a principal aposta de Zema para os alimentos?
A estratégia apresentada pelo candidato combina controle das despesas públicas, redução dos juros, reformas administrativas, mudanças na Previdência, revisão de programas sociais e redução dos custos de produção.
Zema também defendeu investimentos em infraestrutura e criticou os custos de transporte que, segundo ele, acabam sendo repassados para os produtos.
A ideia central apresentada na feira foi que a queda dos preços não viria apenas de uma medida isolada, mas de uma mudança na estrutura econômica.
Para Zema, reduzir esses custos poderia melhorar o poder de compra das famílias ao longo do tempo.
ENTENDA O CONTEXTO
A visita de Romeu Zema à Feira de Guaianases acontece durante a corrida pela Presidência da República e em meio às discussões sobre o custo de vida e o preço dos alimentos.
O candidato aproveitou o encontro com consumidores e feirantes para apresentar propostas econômicas e criticar o governo federal. A principal linha defendida por ele é reduzir despesas públicas para criar condições de queda dos juros e, consequentemente, diminuir custos para empresas e consumidores.
Zema também relacionou o preço final dos alimentos a fatores como financiamento, impostos, mão de obra e transporte.
A proposta, porém, envolve mudanças estruturais que não produziriam efeitos imediatos. O próprio candidato reconheceu durante a entrevista que uma melhora na situação econômica ocorreria gradualmente.