Remédios para pressão: estudo aponta risco renal 33% maior em diabéticos

Pesquisa com mais de 31 mil pacientes encontrou associação entre um tipo comum de anti-hipertensivo e maior risco de agravamento da função dos rins em pessoas com diabetes tipo 2.
Redação NC News
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Um tipo de medicamento usado para controlar a pressão arterial chamou a atenção de pesquisadores após apresentar associação com um risco 33% maior de eventos renais graves em pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal relacionada à condição.

O resultado foi apresentado durante o 63º Congresso da Associação Europeia de Nefrologia e surgiu a partir da análise de dados de mais de 31 mil pacientes adultos, acompanhados entre 2016 e 2021.

A pesquisa avaliou os chamados bloqueadores dos canais de cálcio diidropiridínicos, medicamentos utilizados com frequência no tratamento da hipertensão.

O que o estudo encontrou

Os pesquisadores analisaram pacientes que já utilizavam medicamentos considerados importantes para proteger os rins, entre eles os inibidores do sistema renina-angiotensina e os inibidores de SGLT2.

Parte dos participantes também utilizava bloqueadores dos canais de cálcio.

Depois de considerar diferenças clínicas entre os grupos, os pesquisadores observaram que aqueles que utilizavam esse tipo de anti-hipertensivo apresentaram maior risco de agravamento significativo da função renal durante aproximadamente três anos e meio de acompanhamento.

Entre os eventos considerados estavam uma queda de pelo menos 40% na capacidade de filtração dos rins e a evolução para estágios mais avançados da doença renal, inclusive casos que poderiam chegar à necessidade de diálise ou transplante.

imagem rim remedio
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Por que os rins podem ser afetados?

Os autores levantam uma possível explicação relacionada à forma como esses medicamentos interferem na circulação sanguínea dentro dos rins.

Em pessoas que já apresentam doença renal, as estruturas responsáveis pela filtragem do sangue podem estar submetidas a uma pressão maior.

Segundo os pesquisadores, os bloqueadores avaliados tendem a provocar um relaxamento maior dos vasos que levam sangue até essas estruturas do que daqueles responsáveis pela saída do sangue.

Esse desequilíbrio poderia aumentar a pressão dentro dos rins e contribuir para a progressão do dano renal.

“Esses medicamentos são amplamente usados como segunda linha no controle da pressão em pacientes com doença renal diabética, e nossos resultados levantam dúvidas sobre se são sempre a melhor escolha nesse contexto”, afirmou Timna Agur, pesquisadora e autora do estudo.

O que é diabetes tipo 2?

O diabetes tipo 2 é uma doença crônica caracterizada principalmente pela resistência à insulina e pelo aumento dos níveis de glicose no sangue.

A condição pode provocar diversas complicações ao longo do tempo, principalmente quando não é controlada adequadamente. Os rins estão entre os órgãos que podem ser afetados pela doença.

Entre os sinais que podem aparecer estão:

  • sede excessiva;
  • vontade frequente de urinar;
  • cansaço;
  • visão embaçada;
  • fome constante;
  • feridas que demoram para cicatrizar;
  • perda de peso sem explicação.

O tratamento depende de cada paciente e pode envolver medicamentos para controlar a glicemia, insulina e mudanças no estilo de vida.

Resultado não significa que o remédio cause o problema

Apesar do resultado chamar atenção, existe uma diferença importante: o estudo não provou que os medicamentos provocam diretamente a piora dos rins.

A pesquisa é observacional. Isso significa que os cientistas encontraram uma associação entre o uso dos medicamentos e os eventos renais, mas não conseguiram estabelecer uma relação direta de causa e efeito.

Por isso, os próprios autores defendem a realização de novos estudos clínicos para confirmar os resultados.

O que acontece agora?

Os pesquisadores consideram que os resultados merecem atenção porque os medicamentos analisados são utilizados por um grande número de pessoas com hipertensão.

A intenção é que novas pesquisas ajudem a esclarecer qual é a melhor estratégia para controlar a pressão arterial em pacientes com diabetes e doença renal, especialmente quando eles já utilizam medicamentos destinados à proteção dos rins.

Entenda o contexto

A pesquisa não significa que pessoas que utilizam esses medicamentos devam interromper o tratamento por conta própria.

O resultado aponta uma associação que ainda precisa ser investigada e confirmada em estudos clínicos. Qualquer mudança em medicamentos para pressão ou diabetes deve ser discutida com o médico responsável pelo tratamento.

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