A corrida pela Presidência da República começa a ganhar também os estúdios de gravação. Candidatos ao Palácio do Planalto aproveitam os primeiros dias oficiais de campanha para produzir programas, vídeos e outras peças que serão usadas na estratégia eleitoral nas próximas semanas.
Nesta quarta-feira (19), as agendas dos presidenciáveis misturam gravações, entrevistas, reuniões e compromissos públicos. O movimento ocorre a poucos dias do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, marcado para 28 de agosto.
A campanha eleitoral está oficialmente autorizada desde domingo (16). A partir dessa data, candidatos passaram a poder pedir votos e realizar atos de campanha nas ruas e na internet.
Agora, além de conquistar espaço nas redes sociais e percorrer diferentes regiões do país, as campanhas começam a preparar outra etapa importante da disputa: a entrada no horário eleitoral.
Flávio Bolsonaro grava programas eleitorais
Flávio Bolsonaro (PL) concentra parte da agenda desta quarta-feira na gravação de programas eleitorais.
A produção das peças ocorre em um momento em que as campanhas começam a definir como cada candidato será apresentado ao eleitor na televisão, quais assuntos terão maior destaque e quais mensagens serão repetidas durante a corrida presidencial.
Flávio iniciou oficialmente sua campanha no último fim de semana e tem colocado temas como segurança pública e críticas ao governo federal no centro de seu discurso eleitoral.
A televisão será mais uma frente dessa estratégia. Mesmo com o crescimento das redes sociais nas campanhas, o horário eleitoral continua sendo uma oportunidade para que candidatos alcancem simultaneamente milhões de eleitores em todo o país.
Lula mantém agenda como presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, não tem compromissos de campanha previstos para esta quarta-feira.
A agenda é institucional. Lula participa de compromissos como presidente da República, incluindo visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, no interior de São Paulo.
A situação cria uma dinâmica diferente para o petista durante a disputa: ao mesmo tempo em que concorre a um novo mandato, Lula continua exercendo a Presidência.
Por isso, atos institucionais e compromissos eleitorais precisam ser tratados separadamente, seguindo as regras previstas para agentes públicos durante o período de campanha.
Outros candidatos também movimentam a campanha
A quarta-feira também tem agendas de outros candidatos ao Palácio do Planalto, com compromissos que incluem entrevistas, reuniões, visitas e atividades de campanha.
Entre os nomes que disputam a Presidência estão, além de Lula e Flávio Bolsonaro, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Pablo Marçal (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata).
Com a campanha oficialmente aberta, a tendência é que as agendas se intensifiquem nas próximas semanas, especialmente com viagens pelo país, entrevistas, atos públicos e produção de conteúdo para televisão e redes sociais.
Quando começa o horário eleitoral na TV?
O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começa em 28 de agosto e segue até 1º de outubro no primeiro turno.
Isso significa que as campanhas têm pouco mais de uma semana para preparar os primeiros programas que serão apresentados ao eleitor.
A divisão do tempo não é igual para todos.
A legislação estabelece critérios ligados à representação dos partidos na Câmara dos Deputados. Na prática, candidaturas apoiadas por partidos ou federações com bancadas maiores podem conquistar uma fatia maior do horário eleitoral.
Além dos programas em bloco, a estratégia das campanhas também passa pelas inserções distribuídas ao longo da programação.

Só quatro candidatos terão tempo na televisão
A divisão do horário eleitoral mostra que apenas quatro candidatos à Presidência terão espaço na programação: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).

Sem espaço na programação, Renan Santos e Romeu Zema terão de apostar em outras vitrines para tentar ampliar o alcance de suas campanhas. Entre as estratégias estão a participação em debates e a produção de vídeos pensados para ganhar repercussão e potencial de viralização nas redes sociais.
A diferença de tempo ajuda a mostrar por que a televisão pode se tornar uma vantagem importante para algumas candidaturas. Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro terão vários minutos para apresentar propostas e construir suas mensagens, candidatos sem espaço no horário precisarão disputar a atenção do eleitor principalmente fora dessa vitrine.
Por que a televisão ainda importa na eleição?
As redes sociais mudaram profundamente a maneira como as campanhas conversam com o eleitor, mas a televisão continua sendo uma ferramenta importante em uma eleição nacional.
Enquanto uma publicação nas redes depende de algoritmos, seguidores e compartilhamentos para ganhar alcance, a propaganda eleitoral permite que as campanhas apareçam diretamente na programação das emissoras dentro das regras definidas pela Justiça Eleitoral.
É justamente por isso que os primeiros programas costumam receber atenção especial dos marqueteiros.
Eles ajudam a apresentar o candidato, reforçar sua imagem, definir adversários e estabelecer quais temas deverão dominar o discurso durante a campanha.
Em uma disputa presidencial, também existe outro desafio: produzir uma mensagem que funcione para públicos muito diferentes em todas as regiões do Brasil.
O que pode mudar com o início da propaganda?
A chegada das campanhas à televisão marca uma nova fase da eleição.
Até agora, boa parte da disputa ocorre por meio de eventos, entrevistas, declarações públicas e principalmente das redes sociais.
Com o início do horário eleitoral, os candidatos passam a contar com mais uma vitrine para apresentar propostas e construir suas narrativas.
Também começa uma disputa mais intensa pela atenção do eleitor que ainda acompanha a eleição de maneira distante ou que ainda não definiu em quem pretende votar.
É nesse cenário que as gravações realizadas agora ganham importância: elas podem definir a primeira impressão que milhões de brasileiros terão da campanha de cada candidato na televisão.
ENTENDA O CONTEXTO
A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente em 16 de agosto, quando passaram a ser permitidos atos de campanha e propaganda na internet dentro das regras eleitorais.
A próxima grande etapa começa em 28 de agosto, com a estreia da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. No primeiro turno, os programas poderão ser exibidos até 1º de outubro.
O primeiro turno das eleições acontece em 4 de outubro. Caso nenhum candidato à Presidência consiga mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados avançam para o segundo turno.
Até lá, as campanhas entram em uma corrida para transformar propostas, discursos e estratégias políticas em mensagens capazes de conquistar a atenção do eleitor.