Pesquisa Datafolha: Raquel Lyra lidera PE e desafia João Campos

Pesquisa Datafolha revela vantagem de Raquel Lyra sobre João Campos na disputa pelo governo de Pernambuco.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Raquel Lyra, governadora de Pernambuco pelo PSD, lidera a disputa pelo governo do estado com 47% das intenções de voto, contra 40% do ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB. O novo levantamento Datafolha, divulgado hoje, indica uma vantagem acima da margem de erro e redesenha o tabuleiro eleitoral pernambucano.

A pesquisa aponta um cenário ainda competitivo, mas claramente favorável à atual governadora. O resultado fortalece a narrativa de continuidade de sua gestão e pressiona o PSB a rever estratégias para evitar que a corrida seja definida já no primeiro turno.

Números da pesquisa e força do voto espontâneo

O Datafolha ouviu 1.204 eleitores pernambucanos com 16 anos ou mais, entre domingo e terça-feira, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral, que confirma: “A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PE-01528/2026”.

Os demais candidatos aparecem distantes. Ivan Moraes (PSOL), Renan Hallais (Missão), Professora Camila (UP) e Guilherme Fonseca (PSTU) têm 1% cada. Professor Jeremias do Banco (Democrata) e Victor Assis (PCO) não pontuam. Votos em branco, nulos ou em nenhum dos nomes somam 5%, enquanto 4% dos entrevistados afirmam não saber em quem votar.

Na pesquisa espontânea, em que o instituto não apresenta a lista de candidatos, Raquel também lidera. Ela é citada por 39% dos entrevistados, contra 26% que mencionam João Campos. Esse dado reforça o enraizamento da candidatura da governadora, indicando que parte relevante do eleitorado já associa a eleição estadual diretamente ao seu nome, sem estímulo.

Interior em alta, gestão aprovada e lema regionalista

O avanço de Raquel Lyra vem após um período em que João Campos aparecia à frente nas sondagens de intenção de voto. O movimento atual é atribuído à melhora da avaliação de sua gestão, ao reforço de agendas no interior e à aposta em temas estritamente locais, como infraestrutura regional, serviços públicos básicos e programas sociais estaduais.

A campanha da governadora intensifica símbolos pernambucanos. Bandeira, cores e referências culturais aparecem com frequência em eventos e peças publicitárias, amarradas ao slogan que ela repete em palanques e entrevistas: “Meu país Pernambuco”. A frase sintetiza a tentativa de se apresentar como defensora de um orgulho regional que atravessa preferências partidárias.

O interior se torna a base desse crescimento. Prefeitos aliados destacam investimentos em estradas, hospitais regionais e ações emergenciais em segurança e abastecimento. Em um estado que historicamente decide eleições fora da capital, a estratégia busca ampliar a vantagem longe do Recife e compensar a força do PSB na Região Metropolitana.

Neutralidade nacional e disputa pela herança de Campos

Em meio à polarização nacional, Raquel escolhe a neutralidade formal na eleição presidencial. Ela evita se colar a um único campo e tenta dialogar com dois mundos: eleitores ligados ao presidente Lula e apoiadores do senador Flávio Bolsonaro. Em público, costuma elogiar a parceria institucional com o governo federal, sem romper pontes com a direita.

Esse equilíbrio interessa a setores econômicos e políticos que dependem de interlocução com Brasília, qualquer que seja o resultado nacional. Empresários e prefeitos veem vantagem em uma governadora capaz de transitar por diferentes gabinetes, mantendo fluxo de recursos e obras.

João Campos segue outra rota. O ex-prefeito do Recife aposta abertamente na associação com Lula, principal cabo eleitoral do campo progressista em Pernambuco. Em agendas pelo interior, ele destaca obras federais, repete a defesa de programas sociais do Planalto e tenta converter a popularidade do presidente em votos para sua candidatura.

Ao mesmo tempo, João recorre à memória do pai, o ex-governador Eduardo Campos, figura ainda muito lembrada no estado. O discurso mira a imagem de gestor moderno e eficiente, enquanto busca se descolar da rejeição acumulada pelo governo Paulo Câmara, do mesmo PSB, citado por adversários como símbolo de desgaste na máquina estadual.

Esquerda fragmentada e risco de decisão em primeiro turno

O PSB tenta reduzir a dispersão do campo progressista, mas encontra resistência. Nas últimas semanas, dirigentes socialistas pressionam o PSOL a retirar a candidatura de Ivan Moraes para concentrar o voto identificado com Lula em torno de João Campos. A articulação, porém, não prospera, e o psolista permanece na disputa, ainda que com 1% das intenções de voto.

Essa fragmentação pode cobrar preço se a diferença entre Raquel e João estreitar na reta final. Somados, os votos de legendas de esquerda e de centro-esquerda não mudam, hoje, o quadro numérico da liderança da governadora, mas podem ser decisivos em eventual cenário de virada ou para empurrar a disputa para o segundo turno.

O levantamento revela ainda um espaço relevante de convencimento. Brancos, nulos, nenhum e indecisos somam 9%. Trata-se de um contingente capaz de consolidar uma vitória de Raquel no primeiro turno ou de abrir nova janela para João Campos, caso o PSB consiga reorganizar sua base e reduzir resistências no interior.

Setores diretamente ligados à máquina estadual veem na dianteira da governadora um sinal de continuidade de políticas atuais, especialmente em infraestrutura regional, programas sociais e pactos com municípios. Grupos alinhados ao PSB, por sua vez, avaliam que ainda há margem para recuperação, sobretudo se a campanha conseguir vincular de forma mais contundente o nome de João ao de Lula.

A eleição pernambucana passa a ser observada também como termômetro para alianças nacionais. A postura equilibrada de Raquel, aliada à influência de Lula no estado e ao peso histórico do PSB, tende a influenciar negociações em outros colégios eleitorais. Com a campanha entrando em fase de debates mais intensos e detalhamento de propostas, o teste agora é ver se a vantagem de 7 pontos da governadora se cristaliza ou se o quadro volta a se estreitar.

Carregar Comentários