Justiça de Santa Catarina condena mulher que se passou por menina de 12 anos

Amanda Maria Souza de Oliveira enganou moradores de Joinville ao fingir ser adolescente. Decisão aponta que ela criou uma identidade falsa para viver como menor de idade
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A Justiça de Santa Catarina condena Amanda Maria Souza de Oliveira, 38 anos, por estelionato e falsa identidade depois de ela se passar por uma menina de 12 anos em Joinville. A decisão mantém a prisão preventiva e nega o direito de recorrer em liberdade.

Golpe emocional dentro de casa em Joinville

O caso acontece em Joinville, uma das maiores cidades de Santa Catarina e polo econômico do Norte do estado. A história ganha repercussão porque expõe a vulnerabilidade de famílias que acolhem, por conta própria, pessoas que se apresentam como menores em situação de risco.

Usando o nome falso de Gabriele, Amanda se apresenta à família como adolescente de 12 anos, vítima de abuso, fugida do Pará e obrigada a tomar hormônios para justificar a aparência adulta. O casal a acolhe informalmente, sem acionar o Conselho Tutelar ou a rede oficial de proteção.

Dentro da casa, Amanda passa a adotar comportamentos infantis, como brincar de boneca, fazer desenhos de criança e usar chupeta e mamadeira. Os moradores organizam até uma festa de aniversário para celebrar os supostos 12 anos da jovem, reforçando o vínculo afetivo e a confiança no enredo contado por ela.

Descoberta da farsa e prisão em flagrante

A suspeita começa quando uma tia adotiva encontra, na internet, notícias de golpes semelhantes em outros estados, com o mesmo rosto e o mesmo padrão de história. A coincidência acende o alerta na família, que aciona a Polícia Civil de Santa Catarina.

A prisão em flagrante ocorre em 2 de junho, na própria casa onde Amanda vive com o casal em Joinville. Na delegacia, ela confessa o esquema, entrega seus dados verdadeiros e afirma ser natural do Ceará, e não do Pará, como dizia. A investigação aponta antecedentes criminais e registros de práticas parecidas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

O caso mobiliza delegados, investigadores e peritos, e reacende o debate sobre como a rede de assistência social no estado deve atuar quando um adulto se apresenta como adolescente desamparado. O episódio também coloca em evidência o papel da Polícia Civil na checagem de identidades e na proteção de famílias que agem por boa-fé.

Sentença, bastidores da audiência e laudos psiquiátricos

Na sentença, o juiz responsável afirma que “Amanda agiu de forma consciente para induzir e manter as vítimas em erro e obter benefícios materiais” a partir da identidade fictícia. A pena é fixada em 1 ano, 6 meses e 10 dias de reclusão por estelionato, mais 4 meses e 18 dias de detenção em regime semiaberto pela falsa identidade.

O magistrado mantém a prisão preventiva, sem autorização para que Amanda responda em liberdade durante o recurso. A avaliação do juiz indica que a liberdade representaria risco de reiteração do crime, diante do histórico apresentado no processo, que tramita em segredo de Justiça em Santa Catarina.

A audiência que antecede a condenação ocorre no Fórum de Joinville, com depoimentos do casal que acolheu Amanda, de uma parente que atua como testemunha de acusação e do policial civil encarregado da investigação. Também são ouvidos dois peritos técnicos indicados pela defesa: um psiquiatra e uma psicóloga, que apresentam laudos sobre o estado mental da ré.

Defesa aposta em recurso e tratamento

A advogada Sarita Henrique Paiva, que representa Amanda, contesta a decisão. Ela afirma que utilizará todos os meios legais cabíveis “visando reformar o julgado e provar a inocência de Amanda Maria Souza de Oliveira em grau recursal”. O recurso deve ser apresentado às instâncias superiores de Santa Catarina.

A defesa sustenta que os laudos periciais apontam a necessidade de atendimento em saúde mental. “Ela apresenta quadros psiquiátricos e necessita de tratamento”, diz a advogada, que tenta afastar a responsabilidade penal plena e abrir espaço para medidas alternativas à prisão. O conteúdo detalhado dos relatórios permanece protegido pelo sigilo judicial.

O Ministério Público de Santa Catarina, responsável pela acusação, pede a condenação por estelionato e falsa identidade e se posiciona contra o pedido de revogação da prisão preventiva. Para os promotores, a gravidade do engano, a duração do convívio e o impacto emocional e material sobre a família justificam a resposta dura da Justiça.

Impacto para famílias, Justiça e assistência social

A condenação de Amanda repercute além da casa que a acolheu. O caso aciona o sistema de Justiça criminal, a Polícia Civil e a rede de assistência social, que precisam lidar com a interseção entre fraude, manipulação emocional e possíveis transtornos mentais. A decisão reforça uma postura mais rígida diante de golpes que se aproveitam da boa-fé e da solidariedade familiar.

Para famílias que abrem as portas a pessoas em situação de suposta vulnerabilidade, o episódio serve de alerta sobre a importância de acionar órgãos oficiais, como conselhos tutelares e serviços públicos de proteção à infância e adolescência. Ao mesmo tempo, especialistas em saúde mental e operadores do Direito em Santa Catarina acompanham o caso como possível referência para processos futuros que envolvam falsa identidade e alegações de transtornos psiquiátricos.

Os próximos passos se concentram na análise do recurso e na eventual reavaliação dos laudos médicos. A forma como os tribunais catarinenses lidarem com esse conflito entre punição, tratamento e proteção às vítimas tende a influenciar decisões em situações semelhantes e a discussão sobre políticas de acolhimento em todo o estado.

Quem é a mulher condenada por estelionato em Santa Catarina?

A mulher condenada é Amanda Maria Souza de Oliveira, 38 anos, identificada pela Justiça de Santa Catarina como responsável por se passar por uma menina de 12 anos em Joinville, usando o nome falso de Gabriele para enganar uma família que a acolheu informalmente e obter benefícios materiais durante mais de um ano.

Como a mulher enganou a família se passando por adolescente em Santa Catarina?

A fraude ocorreu quando Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, assumiu o nome falso de Gabriele, afirmou ter 12 anos, disse ser vítima de abuso vinda do Pará e alegou tomar hormônios para justificar a aparência adulta, adotando comportamentos infantis e construindo laços afetivos que convenceram a família em Joinville.

Qual foi a sentença dada pela Justiça de Santa Catarina no caso de estelionato?

A sentença imposta pela Justiça de Santa Catarina fixa para Amanda Maria Souza de Oliveira pena de 1 ano, 6 meses e 10 dias de reclusão por estelionato, além de 4 meses e 18 dias de detenção em regime semiaberto por falsa identidade, mantendo a prisão preventiva e negando o direito de recorrer em liberdade no processo sigiloso.

Onde ocorreu o caso de estelionato envolvendo falsa adolescente em Santa Catarina?

O caso acontece em Joinville, importante cidade do Norte de Santa Catarina, onde a família acolhe Amanda Maria Souza de Oliveira em sua casa, acreditando tratar-se de uma adolescente de 12 anos em situação de vulnerabilidade, até que a farsa é descoberta e o processo criminal passa a tramitar na Justiça catarinense.

Quais são as consequências legais para quem comete estelionato em Santa Catarina?

As consequências legais incluem pena de reclusão, registro de antecedentes criminais e possíveis restrições de regime, como mostra a condenação de 1 ano, 6 meses e 10 dias imposta a Amanda Maria Souza de Oliveira, somada à detenção por falsa identidade e à manutenção da prisão preventiva determinada pela Justiça de Santa Catarina.

Como a Justiça de Santa Catarina identificou a fraude no caso da falsa adolescente?

A fraude é identificada após uma tia adotiva desconfiar da história, encontrar notícias de golpes parecidos e acionar a Polícia Civil, que prende Amanda Maria Souza de Oliveira em flagrante, colhe sua confissão na delegacia, confirma os dados verdadeiros e apresenta ao juiz provas e depoimentos que embasam a condenação em Joinville.

 

Carregar Comentários