Pedágio sem cancela ganha alerta no celular veja o que muda para o motorista

A partir de segunda-feira (24), aplicativo CNH do Brasil passa a mostrar passagens pelo sistema free flow e indicar onde o motorista pode consultar e pagar a tarifa.
Redação NC News
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O governo Lula lança uma nova função na CNH digital que avisa motoristas sobre cada passagem em pedágios free flow e direciona, no próprio app, para o canal de pagamento. Ao mesmo tempo, a gestão federal confirma a suspensão de 3,4 milhões de multas ligadas a esse sistema nas rodovias brasileiras.

Função na CNH digital tenta destravar crise do pedágio sem cancela

O anúncio ocorre em meio à pressão de usuários e de governadores sobre o modelo de pedágio sem cancela, que se espalha por rodovias federais e estaduais. A iniciativa busca reduzir o desgaste com motoristas que reclamam da dificuldade para saber por onde passaram e onde quitar os débitos.

O lançamento oficial acontece em um evento na B3, em São Paulo, com participação do Ministério dos Transportes e da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). O governo tenta transformar um tema que virou problema político em vitrine de modernização, em pleno ano eleitoral e com a pré-campanha em ebulição nos estados.

Pela nova solução, quem tem a CNH digital instalada no celular passa a receber um alerta sempre que atravessar um pórtico de free flow. No mesmo ambiente, o condutor consegue ver quando, onde e por qual valor foi cobrado o pedágio, além de acessar o link para pagamento indicado pela concessionária responsável.

“Gerava um estresse muito grande”, admite secretário

A mudança responde a uma queixa repetida de motoristas desde o início da expansão do pedágio sem cancela. Sem cabine física, muitos relatam que descobrem a existência de dívidas apenas ao serem multados, ou ao tentar licenciar o veículo. Empresas com grandes frotas dizem perder o controle dos pagamentos ao lidar com múltiplas vias concedidas e diferentes plataformas.

O secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, reconhece a falha na experiência do usuário. “O cidadão achava muito complexo, e é de fato complexo, ter que procurar onde pagar, onde fazer o pagamento, porque, como todos sabem, o free flow não tem cancela, não tem onde você pagar fisicamente. Isso gerava um estresse muito grande”, afirma.

Catão ressalta que todas as concessionárias que operam o modelo já estão integradas e homologadas pela Senatran, o que permite concentrar a informação na CNH digital. O objetivo é que o motorista não precise mais descobrir sozinho em qual site entrar, ou qual aplicativo baixar, para regularizar cada passagem.

Suspensão de 3,4 milhões de multas muda pressão no sistema

A ofensiva digital vem acompanhada de um gesto de alívio imediato para os usuários: a suspensão de 3,4 milhões de multas aplicadas em rodovias com pedágio free flow. As infrações e os pontos na carteira ficam congelados enquanto o governo reestrutura a forma de cobrança e de comunicação com os condutores.

A medida responde a um cenário de forte rejeição ao modelo em alguns estados, onde o pedágio sem cancela virou munição de adversários políticos e pauta de disputas regionais. Ao suspender as penalidades em massa, o Planalto tenta esvaziar contestações judiciais e reverter a percepção de que o sistema é uma “armadilha” para gerar multas.

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias condiciona o cancelamento definitivo das infrações à regularização dos pedágios em aberto até o prazo definido em norma federal. Ou seja, o motorista precisa usar os canais oficiais — agora reforçados pela CNH digital — para quitar as tarifas atrasadas se quiser zerar a pontuação.

Free flow cresce e ganha novo roteiro de cobrança

O pedágio free flow, em que câmeras e sensores identificam automaticamente o veículo em pórticos instalados sobre a pista, avança no país em número de rodovias e de usuários. Entre 2024 e 2026, o volume de transações feitas nesse modelo cresce de forma expressiva, impulsionado por 74 pórticos já em operação e pela entrada de novas concessões.

Até agora, cada concessionária oferecia um caminho próprio de pagamento, com sites e aplicativos diferentes. A fragmentação tornava quase impossível, sobretudo para quem cruza vários estados, acompanhar todos os lançamentos e vencimentos. Ao centralizar a consulta das passagens na CNH digital, o governo tenta simplificar esse labirinto.

A tarifa continua calculada conforme o trecho efetivamente percorrido, e não por uma praça única e fixa. A diferença é que o motorista passa a ver, em uma única tela, o histórico de travessias e o valor de cada uma, com identificação clara da rodovia e do operador. A cobrança em si permanece nas mãos das concessionárias, que mantêm seus meios de recebimento integrados ao sistema.

Transparência, dados e disputa eleitoral

Além do impacto imediato no bolso e na rotina dos motoristas, o governo aposta em outro efeito da integração: a geração de dados detalhados sobre o fluxo nas rodovias. A Senatran pretende usar essas informações para embasar decisões de infraestrutura, como ajustes em concessões, investimentos em trechos críticos e planejamento de novos contratos.

A modernização do pedágio digital também se torna peça de narrativa política. Aliados de Lula já exploram o discurso de que o governo “ouviu a população”, corrigiu distorções e entregou uma solução tecnológica para um problema que vinha se arrastando. Em estados onde a resistência ao free flow é maior, a disputa por protagonismo promete continuar.

Nos próximos meses, a equipe técnica acompanha o uso da ferramenta e deve promover ajustes a partir do comportamento dos motoristas. A tendência é que, à medida que o sistema se torne mais previsível e transparente, o modelo de pedágio sem cancela se consolide como padrão em novas concessões. A forma como o usuário reage a essa transição pode definir a velocidade da próxima leva de projetos.

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