Advogado é preso após 10 menores relatarem abusos sexuais em Sergipe

Iannick Sucupira Curvelo, de 35 anos, é investigado por crimes contra crianças e adolescentes; Justiça apontou risco de interferência na apuração.
Redação NC News
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Um advogado e ex-líder religioso foi preso preventivamente em Sergipe após a Polícia Civil identificar pelo menos dez possíveis vítimas em uma investigação sobre crimes sexuais contra crianças e adolescentes.

Iannick Sucupira Curvelo, de 35 anos, foi detido na quarta-feira (19), quando prestava depoimento em Aracaju. Segundo a investigação, há indícios de que os crimes poderiam ocorrer desde 2014, inclusive em ambientes ligados à atividade religiosa.

A prisão não representa condenação. Curvelo é investigado e nega, por meio da defesa, a necessidade da prisão, afirmando que está colaborando com o esclarecimento dos fatos.

COMO A INVESTIGAÇÃO COMEÇOU?

O caso é conduzido pela Delegacia Especializada de Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas, em Aracaju.

De acordo com a polícia, pelo menos dez possíveis vítimas já foram identificadas e ouvidas. A maioria teria algum grau de parentesco com o investigado.

Os relatos indicam que o advogado teria se aproximado de crianças e adolescentes por meio das atividades que exercia na Igreja Metodista Central de Aracaju.

Ele liderava grupos de discipulado voltados ao público jovem, além de exercer outras funções na instituição.

Segundo os depoimentos, a aproximação envolveria promessas, presentes, refeições e videogames.

O QUE AS VÍTIMAS RELATARAM?

Os depoimentos reunidos pela polícia descrevem diferentes situações de supostos abusos.

Em um dos casos considerados importantes para a investigação, uma vítima afirmou que os abusos teriam começado quando ela tinha 8 anos.

Outro relato envolve uma adolescente de 13 anos que teria contado às autoridades sobre episódios de aproximação e contatos íntimos atribuídos ao investigado. Há também depoimentos de familiares que afirmam ter sofrido abusos durante a infância ou adolescência.

A investigação aponta ainda que algumas das supostas vítimas teriam sido atraídas para o apartamento do advogado, onde ocorreriam os atos investigados.

Como o processo tramita sob sigilo, a identidade das vítimas deve ser preservada.

POR QUE ELE FOI PRESO?

A prisão preventiva não ocorreu apenas por causa das acusações. Segundo a decisão judicial, havia preocupação com uma possível interferência na investigação.

A ordem foi expedida pela Justiça após a polícia apontar que o investigado teria feito contatos com uma testemunha e uma possível vítima nos dias que antecederam o pedido de prisão.

O Ministério Público deu parecer favorável à prisão.

A decisão também autorizou buscas na residência e no escritório do investigado para procurar possíveis provas relacionadas ao caso.

O QUE ACONTECEU COM A ATUAÇÃO NA IGREJA?

Antes da prisão, Iannick Curvelo exercia funções de liderança na Igreja Metodista. Ele chegou a representar a região Nordeste na Coordenação Geral de Ação Missionária, mas renunciou à função um dia antes de ser preso.

A investigação também aponta que algumas das supostas abordagens teriam ocorrido dentro de ambientes relacionados à igreja.

A instituição foi procurada pela reportagem original, mas, até a atualização publicada, não havia apresentado manifestação sobre a prisão.

O QUE DIZ A DEFESA?

A defesa afirma que a prisão preventiva era desnecessária. Segundo os advogados, Curvelo se apresentou espontaneamente, entregou o celular e o passaporte às autoridades e assumiu o compromisso de não manter contato com testemunhas ou pessoas envolvidas na investigação.

A defesa também afirma que ele está colaborando com a apuração e pede cautela na divulgação das informações, especialmente porque o processo tramita sob segredo de Justiça.

“Colaborando com o esclarecimento dos fatos.”

A frase consta na manifestação da defesa, que não confirma nem nega os crimes investigados.

OAB SUSPENDE ADVOGADO

A OAB de Sergipe informou que instaurou um processo ético-disciplinar contra Curvelo.

Diante da gravidade das acusações, a entidade também determinou a suspensão cautelar do exercício profissional do advogado.

Isso significa que, além da investigação criminal, o caso também terá consequências na esfera profissional.

O QUE ACONTECE AGORA?

A investigação deve continuar com a análise dos depoimentos, documentos e materiais apreendidos.

A polícia também deverá apurar se existem outras possíveis vítimas e verificar os elementos que sustentam as acusações.

Enquanto isso, Curvelo permanece preso preventivamente. É importante reforçar: as acusações ainda estão sendo investigadas e não houve condenação definitiva.

ENTENDA O CONTEXTO

O caso envolve um advogado de 35 anos que também ocupava posições de liderança religiosa em Aracaju.

A investigação começou a reunir relatos de crianças e adolescentes que afirmam ter sofrido abusos. Até o momento, a polícia informou ter identificado ao menos dez possíveis vítimas.

A Justiça decretou a prisão preventiva principalmente diante da suspeita de que o investigado poderia interferir na produção de provas ou no contato com vítimas e testemunhas.

Além da investigação criminal, a OAB/SE suspendeu cautelarmente o exercício profissional do advogado.

Agora, a principal questão é esclarecer o que poderá ser comprovado pelos depoimentos, documentos e demais provas reunidas durante a investigação.

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