Um levantamento acende um alerta sobre o diagnóstico do câncer de pulmão no Brasil: mais de 8 em cada 10 pacientes atendidos pelo SUS descobriram a doença quando ela já estava em estágio avançado.
A análise reuniu cerca de 49 mil registros de pacientes diagnosticados entre 2020 e 2025 que tinham informação sobre o estágio do tumor. Desse grupo, 87,9% estavam nos estágios 3 ou 4, considerados avançados.
POR QUE O DIAGNÓSTICO ACONTECE TÃO TARDE?
Um dos principais desafios é que o câncer de pulmão pode não apresentar sinais claros nas fases iniciais.
Quando os sintomas aparecem ou passam a chamar atenção, a doença pode já estar mais avançada.
Entre os sinais que precisam ser investigados estão tosse persistente, rouquidão, falta de ar, dor no peito, cansaço, perda de peso sem explicação e sangue no escarro. Esses sintomas, isoladamente, não significam que uma pessoa tenha câncer, mas devem ser avaliados por um profissional de saúde quando persistem ou representam uma mudança no padrão habitual.
QUASE 88% DOS CASOS ESTAVAM EM ESTÁGIOS AVANÇADOS
O número chama atenção porque a diferença entre descobrir um tumor localizado e identificar a doença já espalhada pode mudar completamente a estratégia de tratamento.
No levantamento, 31.467 registros estavam no estágio 4, considerado metastático, enquanto outros 11.704 estavam no estágio 3.
Apenas cerca de 3% dos casos estavam no estágio 0, segundo os dados apresentados. É justamente por isso que o diagnóstico precoce é tão importante.
O CIGARRO AINDA É O PRINCIPAL FATOR DE RISCO
Quando se fala em câncer de pulmão, o tabagismo continua sendo o principal fator de risco.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, aproximadamente 85% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados do tabaco. A exposição passiva também aumenta o risco. Mas o cigarro não é o único elemento envolvido.
Também estão associados à doença fatores como poluição do ar, exposição ocupacional a determinadas substâncias, doenças pulmonares crônicas, histórico familiar e fatores genéticos.
QUANTOS CASOS O BRASIL DEVE TER?
A dimensão do problema também aparece nas projeções nacionais. O INCA estima 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano no Brasil entre 2026 e 2028.
Desse total, são estimados 18.730 casos em homens e 16.650 em mulheres a cada ano. Em 2024, o câncer de pulmão provocou 32.555 mortes no país, de acordo com os dados apresentados pelo instituto.
MAS TODO MUNDO PRECISA FAZER TOMOGRAFIA?
Não. Esse é um ponto importante para evitar uma interpretação equivocada dos dados.
O INCA não recomenda o rastreamento do câncer de pulmão para a população em geral, porque ainda não há evidências suficientes de que os benefícios superem os possíveis riscos.
Em alguns países, a tomografia computadorizada de baixa dose é utilizada para pessoas consideradas de alto risco, especialmente fumantes ou ex-fumantes com histórico significativo de consumo de tabaco. A indicação precisa ser avaliada individualmente por um médico.
E QUANDO A DOENÇA É DESCOBERTA?
O estágio do câncer ajuda a equipe médica a entender onde o tumor está e se ele se espalhou para outras partes do corpo.
A investigação pode envolver exames de imagem, como radiografia e tomografia do tórax. A confirmação do câncer, em geral, depende da análise de material obtido por biópsia.
Depois disso, os médicos definem a estratégia de tratamento de acordo com o tipo e o estágio da doença e as características de cada paciente.
E existe uma informação importante: diagnóstico avançado não significa ausência de tratamento.
Os tratamentos contra o câncer de pulmão evoluíram nos últimos anos, inclusive para pacientes com doença metastática. Dados recentes mostram melhora da sobrevida em determinados grupos graças a novas terapias e estratégias de tratamento.
ENTENDA O CONTEXTO
O câncer de pulmão continua sendo um dos principais problemas oncológicos do país. O levantamento com dados do SUS mostra que o grande desafio não está apenas no tratamento, mas também em identificar a doença antes que ela avance.
Dos registros analisados entre 2020 e 2025, 87,9% apresentavam câncer nos estágios 3 ou 4. Ao mesmo tempo, o Brasil deve registrar 35.380 novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo o INCA.
O cenário reforça a importância de prevenção, principalmente contra o tabagismo, e de procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes. Não é preciso esperar a doença ficar grave para procurar ajuda.