Morre Manoel Dias, fundador do PDT e ex-ministro de Dilma, aos 88 anos

Conhecido como “Maneca”, político catarinense teve trajetória marcada pela resistência à ditadura, pela criação do PDT ao lado de Leonel Brizola e pela passagem pelo Ministério do Trabalho.
Redação NC News
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Morreu na noite deste sábado (22), em Florianópolis, aos 88 anos, Manoel Dias, um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e ex-ministro do Trabalho e Emprego no governo de Dilma Rousseff.

Conhecido como “Maneca”, ele estava internado na capital catarinense após o agravamento do estado de saúde. A causa da morte não foi divulgada. Manoel Dias havia sofrido um AVC em 2025.

UMA VIDA DEDICADA À POLÍTICA

Natural de Içara, em Santa Catarina, Manoel Dias começou a vida pública ainda jovem. Em 1962, foi eleito vereador pelo PTB. Dois anos depois, com o golpe militar de 1964, teve o mandato cassado e foi preso. Durante a ditadura, voltou a sofrer perseguição política e teve os direitos políticos suspensos.

A experiência marcou sua trajetória e ajudou a definir sua atuação política nas décadas seguintes.

AO LADO DE BRIZOLA, NA CRIAÇÃO DO PDT

Depois da anistia, Manoel Dias participou da reorganização do movimento trabalhista brasileiro. No início dos anos 1980, esteve entre as lideranças que fundaram o PDT, ao lado de Leonel Brizola e outros nomes do trabalhismo.

A legenda se tornou uma das principais forças políticas da esquerda brasileira naquele período.

Manoel Dias também ocupou funções de direção dentro do partido e permaneceu ligado à organização por décadas.

MINISTRO NO GOVERNO DILMA

A trajetória política levou Manoel Dias ao governo federal. Em 2013, ele assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego durante o governo de Dilma Rousseff.

Permaneceu no cargo até 2015, período em que enfrentou, entre outros desafios, os efeitos da crise econômica sobre o mercado de trabalho brasileiro. Sua indicação também reforçou a presença do PDT na composição do governo petista.

A RESISTÊNCIA À DITADURA

Antes de chegar ao governo federal, Manoel Dias construiu uma trajetória marcada pela oposição à ditadura militar.

Ele foi cassado e preso após o golpe de 1964 e voltou a sofrer punições políticas durante o regime militar.

Anos depois, tornou-se uma das referências do trabalhismo em Santa Catarina e manteve uma relação política próxima com o legado de Brizola. Esse período é considerado uma das marcas mais importantes de sua trajetória.

REAÇÃO À MORTE

A morte de Manoel Dias foi confirmada por Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, que destacou a importância do político para a construção da legenda e para o trabalhismo brasileiro.

A Fundação Leonel Brizola  Alberto Pasqualini também prestou homenagem ao ex-ministro. Detalhes sobre o velório e o sepultamento ainda não haviam sido divulgados nas primeiras informações sobre a morte.

ENTENDA O CONTEXTO

Manoel Dias fez parte de uma geração de políticos cuja trajetória foi profundamente marcada pela ditadura militar e pela reconstrução democrática do Brasil.

Começou como vereador, foi cassado e preso, participou da reorganização do movimento trabalhista e ajudou a fundar o PDT ao lado de Leonel Brizola.

Décadas depois, chegou ao comando do Ministério do Trabalho durante o governo Dilma Rousseff.

Aos 88 anos, Manoel Dias deixa uma trajetória de mais de seis décadas na política brasileira, especialmente ligada ao trabalhismo e à história do PDT.

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