Durante décadas, a Braskem explorou sal-gema no subsolo de Maceió, em Alagoas. O que era uma atividade de mineração acabou provocando um dos maiores desastres socioambientais do país.
A exploração deixou cavidades subterrâneas instáveis, que contribuíram para o afundamento do solo em diferentes áreas da cidade. Desde 2018, mais de 60 mil pessoas precisaram deixar suas casas, enquanto bairros inteiros foram esvaziados.
O QUE É O SAL-GEMA?
O sal-gema é uma rocha formada principalmente por cloreto de sódio, encontrada em grandes profundidades.
O material é utilizado pela indústria química para a produção de substâncias como soda cáustica e PVC. Em Maceió, a exploração começou na década de 1970 e avançou ao longo das décadas. Durante esse período, foram abertas 35 minas na região.
COMO O SOLO COMEÇOU A CEDER?
Para retirar o sal, a mineração criou grandes cavidades no subsolo.
Com o passar do tempo, algumas dessas estruturas apresentaram problemas de estabilidade. O processo provocou deformações no terreno e, posteriormente, rachaduras em ruas, casas e outros imóveis.
Os primeiros sinais mais graves apareceram no bairro do Pinheiro, em 2018, quando moradores começaram a registrar rachaduras e problemas estruturais. A área de risco depois foi ampliada para outros bairros.
BAIRROS INTEIROS FORAM ESVAZIADOS
O problema atingiu principalmente regiões como Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol.
Com o avanço do risco, milhares de imóveis precisaram ser desocupados. Casas, comércios e equipamentos públicos foram afetados.
O impacto não foi apenas estrutural: comunidades inteiras foram desfeitas e moradores tiveram de deixar bairros onde viviam havia décadas.
O CASO DA MINA 18
Um dos momentos mais críticos aconteceu em dezembro de 2023, quando uma área da Mina 18, no Mutange, apresentou risco de colapso.
A situação levou a Prefeitura de Maceió a decretar emergência e mobilizou equipes para acompanhar a região.
O episódio chamou atenção nacional para a dimensão do problema e aumentou a pressão sobre a Braskem.
BRASKEM É INVESTIGADA
O desastre também gerou uma série de investigações e processos.
Em junho de 2026, a Justiça Federal em Alagoas aceitou uma denúncia contra a Braskem e outras 13 pessoas relacionada ao afundamento do solo. Entre as acusações estão falsidade ideológica, omissão de dados às autoridades e dano qualificado ao patrimônio público.
A Polícia Federal também estimou em R$ 40 bilhões o prejuízo causado à União pelo afundamento, segundo laudo citado em reportagem recente.
CRISE AINDA AFETA A EMPRESA
O desastre de Maceió também faz parte do contexto da atual crise financeira da Braskem.
Nesta segunda-feira (24), a companhia avançou no pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, equivalentes a aproximadamente R$ 56,2 bilhões.
A empresa enfrenta, portanto, uma combinação de endividamento elevado, dificuldades no setor petroquímico e os impactos financeiros do desastre em Alagoas.
ENTENDA O CONTEXTO
A história do afundamento de Maceió começou muito antes de as rachaduras aparecerem nas ruas.
A exploração de sal-gema na capital alagoana começou na década de 1970. Ao longo dos anos, 35 minas foram abertas para retirar o minério do subsolo.
Em 2018, rachaduras em imóveis e ruas começaram a revelar a dimensão do problema. Estudos posteriores relacionaram o fenômeno à atividade de mineração.
A consequência foi a retirada de mais de 60 mil pessoas de suas casas, além do esvaziamento de bairros e da perda de imóveis, comércio e espaços de convivência.
O caso continua gerando processos judiciais, investigações e discussões sobre reparação dos danos.