Acionistas do BRB aprovam ações contra ex-gestores por prejuízos

Medida foi aprovada por maioria dos votos e prevê responsabilização civil de ex-administradores que forem apontados como responsáveis por danos ao banco.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Os acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram, nesta segunda-feira (24), medidas de responsabilização civil contra ex-gestores que venham a ser apontados como responsáveis por prejuízos relacionados às operações com o Banco Master e a Reag.

A decisão foi tomada por maioria dos votos durante uma Assembleia Geral Extraordinária realizada de forma on-line. Segundo o Metrópoles, 7.495 acionistas votaram pela aprovação da medida e houve apenas uma abstenção.

BRB QUER RESSARCIMENTO

Em nota, o banco afirmou que a medida busca permitir o eventual “ressarcimento de danos ao patrimônio” da instituição.

O BRB ressaltou, porém, que a aprovação não significa que ex-gestores específicos já tenham sido considerados responsáveis pelos prejuízos.

“Não representa definição prévia de responsabilização de pessoas específicas”, afirmou o banco.

Segundo o BRB, a decisão é necessária para que continuem as apurações conduzidas pela Polícia Federal e por outros órgãos.

INVESTIGAÇÃO ENVOLVE O BANCO MASTER

O caso está relacionado à Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025.

A investigação apura a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito do Banco Master que seriam supostamente falsas. O valor das operações investigadas chega a aproximadamente R$ 12 bilhões. A operação também atingiu antigos integrantes da administração do BRB.

Entre eles está Dário Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor executivo financeiro e de controladoria do banco, que foi alvo de mandado de busca e apreensão e afastado do cargo em novembro de 2025.

EX-PRESIDENTE DO BRB ESTÁ PRESO

Outro nome envolvido no caso é o do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que está preso desde abril deste ano.

Ele é suspeito de ter recebido propina de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As suspeitas ainda são objeto de investigação

DECISÃO NÃO ENCERRA INVESTIGAÇÃO

A aprovação dos acionistas não representa uma conclusão sobre quem é responsável pelos eventuais prejuízos. O próprio BRB afirmou que a deliberação é um “rito procedimental essencial” para a continuidade das apurações.

Na prática, o banco agora fica autorizado a adotar medidas judiciais de responsabilização civil contra ex-administradores que venham a ser identificados como responsáveis pelos danos.

CRISE FINANCEIRA

O caso ocorre em um momento de forte crise financeira para o BRB. O banco busca, junto ao Governo do Distrito Federal, alternativas para reforçar seu caixa e evitar um agravamento da situação financeira. O tema também está sendo discutido no Supremo Tribunal Federal.

A crise aumenta a pressão para que o banco identifique eventuais responsáveis por operações que possam ter provocado prejuízos à instituição.

ENTENDA O CONTEXTO

O BRB realizou negócios envolvendo carteiras de crédito do Banco Master e da Reag que passaram a ser investigados pela Polícia Federal.

Em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero foi deflagrada para apurar suspeitas relacionadas às operações. Desde então, antigos dirigentes do BRB passaram a ser investigados.

Agora, os acionistas autorizaram o banco a adotar medidas de responsabilização civil contra ex-gestores que forem identificados como responsáveis por eventuais danos.

A aprovação, entretanto, não significa que todos os ex-administradores citados no caso tenham sido considerados culpados. A responsabilidade individual ainda depende das investigações e dos procedimentos cabíveis.

Carregar Comentários