A história do abastecimento de água no brasil acompanha a própria formação do país. Durante o período colonial, rios, igarapés, nascentes e poços eram as únicas fontes utilizadas pela população. Com o crescimento das cidades, surgiram as primeiras obras voltadas à distribuição de água, dando início a uma transformação que, séculos depois, permitiria a universalização do abastecimento em municípios como manaus.
O primeiro registro de uma obra pública para abastecimento de água ocorreu em 1561, no rio de janeiro. Nos séculos seguintes, aquedutos, chafarizes, redes de distribuição e estações de tratamento passaram a integrar o processo de urbanização brasileira, consolidando o saneamento como uma política pública essencial.
A evolução chegou à amazônia
Em manaus, o abastecimento estruturado começou no fim do século xix. Até então, a população dependia de igarapés, cacimbas e chafarizes para obter água.
Por volta de 1883, foi implantado o sistema de captação na cachoeira grande, no atual bairro são jorge. Pouco tempo depois, o reservatório da castelhana passou a distribuir a água para diferentes regiões da cidade, tornando-se um dos principais marcos do saneamento na capital.
Morador do bairro são jorge há 35 anos, o aposentado raimundo nonato lembra da dificuldade enfrentada antes da chegada da água encanada.
“Naquela época, a gente dependia de quatro cacimbas e carregava água na cabeça para cozinhar, tomar banho e fazer tudo dentro de casa. Depois de muita luta da comunidade, chegou a água encanada. Foi uma alegria muito grande e mudou completamente a nossa vida.”
O coração do abastecimento
Com o crescimento acelerado de manaus, o sistema original deixou de atender à demanda da população. O abastecimento passou a ser concentrado no complexo da ponta do ismael, na zona oeste, que hoje reúne as principais estações de tratamento da cidade.
Segundo a gerente de operações da águas de manaus, jéssica candeia, cerca de 70% da população é abastecida pelas duas estações instaladas no complexo.
“Hoje, o complexo da ponta do ismael é o coração do abastecimento de manaus. As duas estações de tratamento instaladas no local atendem cerca de 70% da cidade. Além delas, contamos com outras duas estações, 61 poços e 101 reservatórios, que distribuem água por mais de quatro mil quilômetros de rede. Todo esse sistema passa por mais de 30 mil análises por mês para garantir a qualidade da água.”
Da captação à torneira
Desde 2018, a águas de manaus vem ampliando os investimentos em infraestrutura e modernização do sistema de abastecimento.
Em 2023, a capital alcançou a universalização do abastecimento de água tratada nas áreas urbanas regulares, levando água potável a comunidades que, durante décadas, enfrentaram dificuldades de acesso.
Além da expansão da rede, a concessionária também adaptou o sistema para enfrentar os impactos das secas históricas do rio negro, registradas nos últimos anos.
De acordo com jéssica candeia, todo o processo é monitorado em tempo real para garantir a segurança hídrica da população.
“O abastecimento começa com a captação da água do rio negro, que passa por seis etapas de tratamento antes de chegar às casas dos moradores. Nos últimos anos, também adaptamos o sistema para enfrentar as estiagens. Todo o abastecimento é monitorado em tempo real pelo centro de operações integradas, que acompanha reservatórios, redes e pressões para garantir a distribuição de mais de 730 milhões de litros de água por dia em manaus.”
Próximo desafio
Com praticamente toda a área urbana regular atendida por água tratada, o próximo passo é ampliar a cobertura do esgotamento sanitário.
A trajetória iniciada com rios, igarapés, cacimbas e chafarizes evoluiu para um sistema moderno, formado por estações de tratamento, reservatórios, quilômetros de tubulações e monitoramento em tempo real. Mais do que levar água às torneiras, essa evolução representa um avanço para a saúde pública, a preservação ambiental e a qualidade de vida da população de Manaus.