Empresário citado em conversa sobre Lulinha fechou R$ 63 milhões em contratos com governo Lula

Marcelo Checon foi mencionado por Roberta Luchsinger como possível financiador de despesas de Fábio Luís Lula da Silva; empresa dele assinou 13 contratos federais desde 2023.
Redação NC News
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Um empresário citado em uma conversa obtida pela Polícia Federal como possível responsável por ajudar a custear despesas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, fechou R$ 63,4 milhões em contratos com o governo federal desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

O empresário é Marcelo Checon, dono da MChecon Design e Cenografia. A empresa assinou 13 contratos com o Executivo Federal após janeiro de 2023, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (26).

A conversa que colocou o empresário no radar

O nome de Marcelo Checon aparece em um áudio enviado pela lobista Roberta Luchsinger ao empresário Cleber Ribas e recuperado pela PF.

Na gravação, Roberta relata uma conversa que teria tido com Lulinha sobre o pagamento de despesas pessoais. Segundo ela, depois de avisar que não poderia mais bancar as passagens aéreas do filho do presidente, Lulinha teria citado dois empresários que poderiam ajudá-lo: Cleber Ribas e Marcelo Checon.

“Ele falou: ‘Ah, eu vou ficar pedindo pro Cleber e pro Checon’.”

A declaração faz parte do áudio atribuído a Roberta e não comprova, por si só, que Checon tenha efetivamente pago despesas de Lulinha.

Esse é um ponto importante da investigação: o empresário aparece na conversa como alguém que poderia ser procurado, mas não há, nas informações divulgadas até agora, comprovação pública de que tenha feito esses pagamentos.

R$ 63 milhões em contratos desde 2023

A empresa de Checon, a MChecon Design e Cenografia, já tinha um contrato com o governo federal antes da volta de Lula ao Palácio do Planalto. Em maio de 2022, a companhia assinou um contrato de R$ 197 mil com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Depois da posse de Lula, porém, foram firmados outros 13 contratos, que somam R$ 63.406.954,74.

Somados os pagamentos realizados desde o início do atual governo, a empresa recebeu R$ 84,2 milhões do governo federal.

Onde a empresa trabalhou?

A MChecon atua principalmente na produção de eventos, cenografia e montagem de estruturas.

Entre os trabalhos realizados para o governo estão a Casa Brasil em Belém, durante a COP30, e a Casa Brasil em Paris durante os Jogos Olímpicos de 2024.

A empresa também fechou contratos com diferentes órgãos públicos, incluindo os ministérios do Desenvolvimento Agrário, Turismo, Cultura, Desenvolvimento e Assistência Social e Educação, além da Funarte e da Presidência da República.

O que a PF está investigando?

O nome de Checon aparece em um contexto mais amplo de investigações envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger e outros empresários.

A PF apura possíveis relações entre Lulinha e empresários interessados em fazer negócios com o governo federal. Em outros episódios investigados, aparecem suspeitas de possível tráfico de influência e tentativa de intermediação de contratos públicos.

No caso específico de Checon, porém, é necessário separar as informações.

A existência dos contratos da MChecon com o governo não prova irregularidade. Também não há, nas informações divulgadas até agora, comprovação de que os contratos tenham sido obtidos por influência de Lulinha ou de que Checon tenha financiado despesas pessoais do filho do presidente.

A investigação é justamente o que poderá esclarecer se existiu alguma relação entre esses fatos.

Quanto a empresa recebeu antes de Lula?

A diferença chama atenção porque, antes de 2023, a MChecon tinha apenas um contrato federal identificado nas informações divulgadas sobre o caso: o acordo de R$ 197 mil firmado em 2022 com o FNDE.

A partir da volta de Lula à Presidência, vieram os 13 novos contratos que totalizam R$ 63,4 milhões.

Mas crescimento de contratos, sozinho, não demonstra favorecimento. É necessário analisar os processos de contratação, os critérios utilizados e a eventual participação de pessoas investigadas.

O que Marcelo Checon diz?

O empresário foi procurado para comentar a citação feita por Roberta Luchsinger e os contratos firmados pela empresa com o governo federal.

Até a publicação das informações consultadas, Marcelo Checon não havia respondido aos contatos. O espaço permanece aberto para manifestação.

E Lulinha?

Fábio Luís Lula da Silva é alvo de investigações da Polícia Federal relacionadas a possíveis tentativas de intermediação de negócios com o governo.

A defesa de Lulinha nega irregularidades e contesta as acusações feitas a partir das mensagens e informações obtidas durante as investigações.

Também é importante destacar que não há condenação definitiva de Lulinha pelos fatos investigados.

O que acontece agora?

O caso ainda está em fase de investigação. A PF deverá analisar as relações entre os envolvidos, os contratos públicos e as mensagens encontradas nos aparelhos apreendidos.

O principal ponto a esclarecer é se houve apenas uma coincidência entre a expansão dos contratos da empresa e a citação do empresário nas mensagens ou se existiu alguma relação entre eventual apoio financeiro a Lulinha e negócios com o governo federal.

Entenda o contexto

A Polícia Federal investiga possíveis relações entre Lulinha, lobistas e empresários interessados em negócios com o governo federal.

Nesse contexto, o empresário Marcelo Checon foi citado por Roberta Luchsinger como uma das pessoas que Lulinha poderia procurar para ajudar com despesas pessoais.

Paralelamente, a empresa de Checon ampliou sua atuação junto ao governo federal: foram R$ 63,4 milhões em 13 novos contratos desde 2023, além de R$ 84,2 milhões em pagamentos realizados no período.

Isso não significa que os contratos sejam irregulares. A investigação precisa determinar se houve alguma ligação entre as relações pessoais mencionadas nas mensagens e a contratação da empresa.

Até o momento, Checon não havia se manifestado sobre o caso, enquanto a defesa de Lulinha nega irregularidades.

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