A Polícia Civil de São Paulo começou a compartilhar com a Polícia Federal dados apreendidos durante uma operação que investigou uma ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão abre uma nova frente de apuração. A PF poderá analisar documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos reunidos pelos investigadores paulistas para verificar se há conexão com uma investigação que tramita no Supremo.
Por que a PF vai analisar o material?
A operação realizada em São Paulo tinha como alvo o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse.
A investigação paulista apura suspeitas de irregularidades em contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo. Um dos contratos investigados envolve R$ 108 milhões.
Agora, a Polícia Federal poderá verificar se parte dos elementos encontrados nessa investigação também pode ajudar a esclarecer suspeitas relacionadas ao uso de emendas parlamentares e ao financiamento do filme.
O que o filme tem a ver com a investigação?
O longa Dark Horse retrata a trajetória de Jair Bolsonaro e passou a ser alvo de questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados para sua produção.
A investigação conduzida no STF busca esclarecer se recursos públicos provenientes de emendas parlamentares podem ter sido destinados de maneira irregular à produção do filme.
A produtora Go Up Entertainment é ligada a Karina Ferreira da Gama, que também aparece relacionada ao Instituto Conhecer Brasil, alvo da operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo. É justamente essa conexão que interessa aos investigadores.
Que material será compartilhado?
A Polícia Civil apreendeu elementos durante buscas realizadas em endereços ligados à investigação.
Com a autorização de Flávio Dino, a PF poderá acessar o material reunido na operação e avaliar se existem informações relevantes para o inquérito que tramita no Supremo. A decisão foi assinada em 21 de agosto.
Entre os elementos que podem ser analisados estão dados digitais, documentos e registros financeiros.
E as emendas parlamentares?
A investigação também envolve emendas destinadas a entidades relacionadas ao caso. Parlamentares do PL, entre eles Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon, aparecem no contexto das apurações. Os deputados negam relação entre suas emendas e o financiamento do filme.
A PF deverá analisar a origem e o destino dos recursos para verificar se houve algum vínculo entre dinheiro público e a produção cinematográfica.
Até o momento, a investigação não significa que os envolvidos tenham sido condenados ou que as suspeitas tenham sido definitivamente comprovadas.
O caso também envolve Flávio Bolsonaro
A produção de Dark Horse ganhou ainda mais repercussão depois da divulgação de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Flávio teria solicitado recursos para ajudar a concluir a produção do filme. Uma das frentes dessa investigação está sob responsabilidade do ministro André Mendonça, também do STF.
Flávio afirma que as contas relacionadas ao filme já foram prestadas e nega irregularidades.
O que acontece agora?
Com o acesso ao material autorizado por Dino, a Polícia Federal deverá fazer uma análise própria dos dados apreendidos em São Paulo.
O objetivo é descobrir se os elementos podem contribuir para esclarecer a origem dos recursos, contratos públicos, emendas parlamentares e possíveis conexões financeiras relacionadas ao filme.
A investigação continua sob sigilo em parte, e novas diligências poderão ser determinadas a partir do que for encontrado.
Entenda o contexto
O caso passou a envolver diferentes investigações porque existem duas frentes que podem se cruzar.
A Polícia Civil de São Paulo apura suspeitas relacionadas a contratos públicos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil e pessoas ligadas à produtora do filme. Já a investigação no STF busca esclarecer possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares e o financiamento de Dark Horse.
A decisão de Flávio Dino permite que a PF tenha acesso ao material apreendido em São Paulo e verifique se essas histórias possuem uma conexão maior.
O compartilhamento das provas não significa, por si só, que as suspeitas foram comprovadas. O que existe neste momento é uma ampliação da investigação.