O Supremo Tribunal Federal (STF) deu sinal verde para o avanço de uma investigação minuciosa envolvendo o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira (23), o ministro André Mendonça autorizou formalmente a abertura de um inquérito da Polícia Federal (PF) para rastrear os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro destinados à produção do filme “Dark Horse”. A decisão foi tomada após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O escândalo veio à tona após o site The Intercept Brasil vazar diálogos que expuseram a relação entre a classe política e o mercado financeiro. Nas conversas divulgadas em maio, o senador e atual pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aparece solicitando diretamente a Vorcaro — ex-dono do Banco Master — recursos para viabilizar a obra cinematográfica sobre a trajetória política de seu pai.
As três frentes de investigação da PF
A autorização do STF permite que a Polícia Federal aprofunde as apurações em três linhas principais, avaliadas pela corporação desde junho:
- A Rota do Dinheiro: Confirmar a injeção do valor de R$ 61 milhões que teria sido repassado por Daniel Vorcaro a pedido do senador Flávio Bolsonaro;
- Sustento Internacional: Investigar a eventual destinação de uma parcela dessa quantia para bancar a vida do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos;
- Dinheiro Público: Apurar a suspeita de indicação de emendas parlamentares direcionadas para entidades ligadas à produtora responsável pelo filme.
Suspeita de fraude e troca de favores
O caminho percorrido pela verba levantou alertas graves nos órgãos de controle. Segundo a investigação, o montante milionário aterrissou em um fundo norte-americano responsável pelo financiamento de “Dark Horse” através da Entre Investimentos e Participações. Esta empresa já era monitorada sob a suspeita de integrar o complexo ecossistema de fraudes atrelado ao Banco Master.
A missão central dos delegados da PF agora é descobrir se houve “toma lá, dá cá”, ou seja, se os R$ 61 milhões foram liberados em troca de algum favor ilícito prestado pelo senador ou por seu grupo político ao banqueiro.
Em sua defesa, Flávio Bolsonaro nega veementemente qualquer tipo de irregularidade na operação. O parlamentar sustenta que sua atuação se limitou estritamente a buscar uma fonte de financiamento privado para viabilizar o projeto cinematográfico em homenagem ao ex-presidente.