“Dark Horse”, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a campanha eleitoral de 2018, avançou no processo para chegar aos cinemas brasileiros, mas ainda não está liberado para exibição no país.
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu em 7 de agosto o Registro de Obra Estrangeira (ROE) ao longa. O documento representa uma etapa necessária para a exploração comercial de uma produção estrangeira no Brasil, mas não encerra o processo.
O filme, estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel no papel de Bolsonaro, tem duração de 1h40, é classificado pela Ancine como ficção e deverá ser distribuído no Brasil pela Europa Filmes. O título nacional informado no processo é “O Azarão”.
O que ainda falta para Dark Horse chegar aos cinemas?
A obtenção do ROE foi apenas uma das etapas. Agora, a Europa Filmes precisa solicitar à Ancine o Certificado de Registro de Título (CRT). Esse documento é necessário para que a obra possa ser exibida e comercializada nos segmentos regulados pela agência.
Até esta terça-feira (25), segundo a Ancine, o pedido do CRT ainda não havia sido apresentado. A distribuidora também informou que não havia definido quando faria a solicitação.
Depois do certificado, haverá outra etapa importante: a classificação indicativa do Ministério da Justiça.
Somente após cumprir as exigências regulatórias a distribuidora poderá avançar na estratégia comercial para colocar efetivamente o filme nas salas brasileiras.

Registro na Ancine não significa autorização definitiva
A concessão do ROE gerou repercussão porque representa um avanço concreto no processo, mas não significa que “Dark Horse” já possa ser exibido comercialmente nos cinemas brasileiros.
O registro funciona como uma etapa inicial para obras estrangeiras que pretendem ser exploradas comercialmente no país.
O próximo documento decisivo é o CRT. Depois dele, a produção ainda terá que cumprir as demais exigências, incluindo a classificação indicativa.
Filme continua cercado por investigações
O avanço burocrático acontece enquanto diferentes apurações envolvendo a produção continuam em andamento.
A própria Ancine investiga uma denúncia relacionada às filmagens realizadas no Brasil. A suspeita é de que a produção estrangeira tenha gravado em território nacional sem realizar previamente a comunicação exigida à agência.
Essa apuração administrativa é separada do processo que resultou na concessão do ROE.
A Polícia Federal também busca informações sobre a produção. Entre os pontos questionados estão as pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao projeto, o cronograma da obra e a eventual existência de incentivos fiscais, recursos públicos federais ou outros benefícios relacionados às políticas públicas do setor audiovisual.
As investigações estão em andamento e não significam, por si só, que tenham ocorrido irregularidades.
Produção virou assunto político
“Dark Horse” também entrou no centro do debate político após a divulgação de informações envolvendo o financiamento da produção.
Uma das frentes de investigação envolve repasses feitos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Outra apuração da Polícia Federal analisa possível uso irregular de emendas parlamentares destinadas a entidades relacionadas a pessoas ligadas à produção.
Nesta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar dados obtidos pela Polícia Civil de São Paulo em outra investigação que alcançou a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa.
Os focos dessas investigações são diferentes e as suspeitas ainda estão sob apuração.
Quando Dark Horse estreia no Brasil?
Essa é justamente a pergunta que permanece sem resposta.
Até agora, não existe uma data confirmada para a estreia de “Dark Horse” nos cinemas brasileiros.
A Europa Filmes ainda precisa avançar nas etapas regulatórias e definir sua estratégia de lançamento.
Portanto, apesar da obtenção do registro na Ancine, o caminho entre a documentação inicial e a chegada efetiva às telas ainda não terminou.
ENTENDA O CONTEXTO
“Dark Horse” é uma produção de ficção sobre Jair Bolsonaro, interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel. O longa acompanha acontecimentos relacionados à trajetória do ex-presidente durante a eleição de 2018.
Para ser lançado comercialmente no Brasil, o filme iniciou o processo regulatório na Ancine e já conseguiu o Registro de Obra Estrangeira.
Agora, ainda precisa avançar por outras etapas, entre elas a obtenção do Certificado de Registro de Título e da classificação indicativa.
Paralelamente, diferentes órgãos investigam questões relacionadas às filmagens e ao financiamento da produção.
Apesar do avanço na Ancine, ainda não há previsão oficial para que “Dark Horse”, que deve receber o título de “O Azarão” no Brasil, chegue aos cinemas.