O mercado de trabalho brasileira voltou a registrar resultados históricos. A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo IBGE. Ao mesmo tempo, o país alcançou o maior número de pessoas ocupadas desde o início da série histórica: 103,3 milhões de brasileiros trabalhando.
O resultado representa uma queda de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em abril, quando a taxa era de 5,8%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o recuo foi de 0,3 ponto percentual.
Os números chegam em um momento politicamente favorável para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem apostado na melhora dos indicadores econômicos como uma das principais vitrines para a disputa eleitoral de 2026.
Mais de um milhão de novos trabalhadores
O avanço do emprego foi impulsionado pela entrada de aproximadamente 1 milhão de pessoas no mercado de trabalho apenas no último trimestre. O contingente total de ocupados chegou a 103,3 milhões, alta de 1% em relação ao período anterior. Já o número de desempregados caiu para 5,8 milhões de pessoas, redução de 503 mil brasileiros em apenas três meses.
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Outro indicador acompanhado de perto por economistas também mostrou melhora. A taxa de subutilização da força de trabalho — que reúne desempregados, pessoas que gostariam de trabalhar mais horas e trabalhadores disponíveis que não conseguiram vaga — recuou para 13%, enquanto a população subutilizada caiu para 14,9 milhões de pessoas.
O contingente de desalentados, formado por pessoas que desistiram de procurar emprego, também diminuiu e chegou a 2,3 milhões de brasileiros.
Carteira assinada também bate recorde
Os dados mostram ainda que o emprego formal continua em patamares elevados. O número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada alcançou 39,4 milhões de pessoas, o maior contingente já registrado pela pesquisa.
Somando empregados com e sem carteira, o setor privado atingiu 53,2 milhões de trabalhadores, outro recorde histórico. Apesar do avanço do emprego formal, a informalidade segue elevada. A taxa ficou em 37,5%, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores.
Salário cresce acima da inflação
O rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.762 por mês. Embora tenha permanecido estável em relação ao trimestre anterior, o valor representa crescimento de 3,3% na comparação com o mesmo período de 2025.
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A massa total de rendimentos pagos aos trabalhadores alcançou R$ 383,5 bilhões, também o maior valor da série histórica. O montante cresceu R$ 15,1 bilhões em um ano. Na prática, isso significa mais dinheiro circulando na economia, fator que costuma impulsionar o consumo das famílias e favorecer setores ligados ao comércio e aos serviços.
Construção civil puxa crescimento do emprego
Entre os setores da economia, a construção civil foi o principal destaque do trimestre. O segmento registrou crescimento de 5,1% na ocupação, com a criação de 371 mil postos de trabalho.
Também houve expansão no transporte, armazenagem e correio, além dos setores ligados à administração pública, educação e saúde. O único grupamento que apresentou retração no período foi o de serviços domésticos.
Indicadores fortalecem discurso econômico do governo
Os números reforçam um dos principais argumentos da equipe econômica e da campanha de Lula para o próximo ciclo eleitoral: a combinação de crescimento do emprego, aumento da renda e redução do desemprego.
Embora economistas alertem que desafios como a informalidade elevada e a desaceleração de alguns setores ainda exigem atenção, o cenário atual oferece ao Palácio do Planalto uma fotografia positiva da economia.
Com desemprego em queda, recorde de trabalhadores ocupados e renda em alta, o mercado de trabalho se consolida como um dos ativos mais importantes do governo na reta que antecede a disputa presidencial de 2026.