Após meses na gaveta, PEC da escala 6×1 ganha pressa e interesse eleitoral

Proposta que ficou três meses parada no Senado ganha relator, data para votação e peso eleitoral às vésperas da campanha; aprovação antes de outubro pode render dividendos políticos a três dos principais atores do processo
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A semana que marca o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão chegou com uma notícia que interessa a governadores, senadores, ao Planalto e a dezenas de milhões de trabalhadores ao mesmo tempo: Omar Aziz decidiu manter o texto aprovado pela Câmara e entregar o parecer da PEC que acaba com a escala 6×1 ainda nesta quinta-feira, com votação prevista na CCJ para 2 de setembro.

O senador amazonense não está apenas cumprindo uma função legislativa. Ele está entrando em campanha.

Omar Aziz concorre ao governo do Amazonas com o apoio do presidente Lula. Ter nas mãos a relatoria da proposta mais aguardada pelo eleitorado trabalhador é um ativo que nenhum marqueteiro compra.

Desde que assumiu a função, nenhum senador pediu adiamento ou se declarou contrário à mudança. O terreno está limpo. A estratégia, também.

A decisão que pode acelerar a promulgação

A decisão de não alterar nada no texto aprovado pela Câmara é cirúrgica. Qualquer mudança de mérito obrigaria a PEC a retornar aos deputados, o que praticamente inviabilizaria a promulgação antes de outubro. O Congresso tem apenas mais uma semana de funcionamento, entre 31 de agosto e 4 de setembro, até o pleito. É a última janela.

Mexer no texto é empurrar a PEC para depois das eleições. E aí ela deixa de ser vitrine para virar promessa. Nos bastidores, avalia-se que Aziz compreendeu esse cálculo antes mesmo de aceitar a relatoria. Ele não quer ser lembrado como o relator da PEC que quase passou. Quer ser o relator da PEC que passou.

Alcolumbre controla o relógio da votação

A outra peça desta equação se chama Davi Alcolumbre. O presidente do Senado transformou a PEC em instrumento de pressão sobre o Planalto durante semanas e liberou o texto quando quis, nas condições que quis.

Político experiente, sabe que o poder está em controlar o ritmo dos acontecimentos, não em ser arrastado por eles. Por isso, embora o relatório esteja prestes a ser apresentado, o cronograma final da proposta continua passando pela mesa de Alcolumbre.

Lula busca uma entrega concreta antes da eleição

Para Lula, a PEC representa uma das poucas medidas de grande apelo popular que ainda podem ser promulgadas antes de 4 de outubro. O presidente e Flávio Bolsonaro não compareceram ao primeiro debate presidencial, realizado pela Band no último domingo, deixando vazios os lugares reservados aos dois principais polos da disputa.

A ausência gerou desgaste político. Nesse contexto, a aprovação de uma pauta que beneficia diretamente milhões de trabalhadores funcionaria como uma resposta concreta e simbólica ao mesmo tempo.

Para ser aprovada, a PEC ainda precisa do apoio de 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação no plenário, após passar pela CCJ. A matemática é viável. A variável é o tempo.

 

O impacto eleitoral no Amazonas

No Amazonas, a leitura é mais direta. Aziz entra oficialmente na campanha carregando uma pauta nacional que dialoga com trabalhadores de Manaus e do interior do estado.

A escala 6×1 está presente em supermercados, comércios, farmácias, serviços e diversos setores da economia. A PEC não é apenas um debate constitucional em Brasília. É um argumento político capaz de chegar ao eleitor no corpo a corpo.

A pergunta que circula nos bastidores é simples: se a PEC for promulgada antes das eleições, quem ficará com os dividendos políticos?

Lula, Alcolumbre e Omar Aziz têm respostas diferentes para essa pergunta. E cada um deles parece disposto a apresentar a própria versão ao eleitor. Se passar, haverá crédito para distribuir. Se não passar, a cobrança tende a recair sobre quem segurou o texto por tempo demais.

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