O número de mortos após as enchentes e deslizamentos que atingiram a fronteira entre o Nepal e o Tibete passou de 540. A tragédia, provocada pelo colapso de uma geleira na região do Himalaia, também deixou quase mil pessoas desaparecidas e provocou uma corrida contra o tempo para localizar sobreviventes.
No Nepal, as autoridades contabilizam 538 mortos, enquanto outras cinco pessoas morreram no lado tibetano, território administrado pela China. Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros, incluindo turistas e peregrinos que viajavam pela região.
A dimensão da tragédia aumentou ainda mais nesta sexta-feira (28), quando um lago formado após um deslizamento começou a transbordar, levando as autoridades a interromper temporariamente operações de resgate em algumas áreas.
Lago formado após desastre volta a ameaçar região
O lago surgiu após o enorme deslocamento de gelo, pedras e lama provocado pelo colapso da geleira. A água continuou se acumulando e o reservatório ultrapassou 2,5 milhões de metros cúbicos, antes de começar a transbordar em direção ao rio Bhotekoshi, no Nepal.
O novo episódio provocou preocupação entre moradores que já haviam sido atingidos pela primeira enchente. Comunidades próximas aos rios foram orientadas a buscar áreas mais altas diante do risco de uma nova onda de água.

As equipes de resgate chegaram a suspender temporariamente as buscas por causa do perigo. A preocupação é que um novo fluxo de água e detritos atinja áreas que ainda estão parcialmente isoladas e dificulte ainda mais o trabalho de localização dos desaparecidos.
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Enchente foi provocada por colapso de geleira
A tragédia começou na quarta-feira (26), quando uma enorme massa de gelo e rochas desceu pelas montanhas do Himalaia. O material atingiu os sistemas fluviais da região e provocou uma torrente de água, lama e destroços que avançou pelos vales.
A força da enxurrada destruiu casas, pontes, estradas e outras estruturas. No Nepal, dezenas de pontes foram destruídas e cerca de 40 quilômetros de estradas foram danificados, dificultando o acesso das equipes às regiões afetadas.
No lado tibetano, o distrito de Gyirong também foi duramente atingido. Segundo autoridades chinesas, 558 pessoas continuam desaparecidas na região, incluindo 260 estrangeiros.
Busca por desaparecidos continua
Com o acesso terrestre prejudicado, helicópteros e equipes militares foram mobilizados para transportar sobreviventes, localizar vítimas e levar equipamentos e suprimentos para as áreas mais isoladas.
A operação, porém, enfrenta obstáculos provocados pela própria destruição deixada pela enchente. Além das estradas e pontes destruídas, o risco de novos deslizamentos e de outra inundação obriga os socorristas a trabalhar com cautela.
Entre os desaparecidos estão moradores das comunidades atingidas e estrangeiros que estavam na região para peregrinações e atividades turísticas. O número elevado de estrangeiros entre as vítimas e desaparecidos também mobilizou governos de diferentes países.

Região permanece sob alerta
A formação e o posterior transbordamento do lago acrescentaram uma nova ameaça a uma região que ainda tenta dimensionar os danos causados pela primeira onda de inundação.
As autoridades do Nepal e da China monitoram o nível da água e os rios da região, enquanto moradores são orientados a permanecer longe das margens e procurar terrenos elevados em caso de novos alertas.
O desastre também reacende o alerta sobre a instabilidade das geleiras do Himalaia. O colapso de grandes massas de gelo pode provocar enchentes repentinas e deslizamentos capazes de atingir comunidades inteiras em poucos minutos.
Enquanto as equipes continuam procurando desaparecidos, o cenário permanece instável. A prioridade agora é localizar sobreviventes, retirar moradores das áreas de risco e evitar que o lago formado após o primeiro desastre provoque uma nova tragédia.
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Entenda o contexto
As enchentes e deslizamentos que atingiram a região entre o Nepal e o Tibete começaram na quarta-feira (26), após o colapso de uma geleira no Himalaia.
A enorme quantidade de gelo, pedras, lama e água avançou pelos vales e destruiu comunidades, estradas e pontes. Até esta sexta-feira (28), o desastre já havia provocado 494 mortes nos dois lados da fronteira e deixado centenas de pessoas desaparecidas. A situação ficou ainda mais grave após um lago formado pelo deslizamento ultrapassar 2,5 milhões de metros cúbicos e começar a transbordar.
O novo risco obrigou equipes a interromper temporariamente operações de resgate e levou moradores de áreas próximas aos rios a buscar locais mais altos.
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