Policiais civis da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) deflagraram, nesta sexta-feira (28/8), a 4ª fase da Operação Código Fantasma.
A ação desarticulou uma organização criminosa que instalava clandestinamente equipamentos capazes de permitir acesso remoto ao sistema do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) para realizar alterações ilícitas.
Ao todo, quatro homens de 33, 39, 45 e 47 anos foram presos preventivamente. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Taguatinga Norte, Recanto das Emas, Candangolândia e Vicente Pires.
Grupo instalava equipamentos para acessar sistema
A Justiça também determinou o sequestro de bens móveis e imóveis ligados à organização criminosa, além do bloqueio de contas bancárias em nome dos investigados, como forma de evitar a dissipação dos valores.
O líder do grupo, preso durante a operação desta sexta-feira, tentou fugir no momento da abordagem e jogou dispositivos eletrônicos no vaso sanitário da residência, na tentativa de destruir provas.
Confira imagens da operação
Durante a ação, os policiais também apreenderam joias, uma arma de fogo e diversos dispositivos eletrônicos, que serão encaminhados para perícia.
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Fraudes atingiam sistema do Detran-DF
As investigações apontaram que o grupo instalava equipamentos do modelo MikroTik nas redes internas de unidades públicas do Detran-DF e do Na Hora. Os dispositivos permitiam o acesso remoto ao sistema e, consequentemente, a manipulação indevida de dados.
Entre os prejuízos identificados nas fases anteriores da investigação estão inúmeras alterações no sistema, como desvinculação de débitos, cancelamento irregular de multas de trânsito, transferências ilegais de veículos e outras transações fraudulentas.
Segundo a polícia, além do prejuízo econômico, as alterações provocam impactos sociais. Todas as irregularidades identificadas foram detectadas pelo Detran-DF, que posteriormente desfez as modificações.
Equipamentos foram instalados após reforço de segurança
A instalação dos equipamentos MikroTik, utilizados para permitir o acesso remoto ao sistema do Detran-DF, teria aumentado principalmente após o aprimoramento das medidas de segurança cibernética adotadas pelo órgão para corrigir vulnerabilidades.
A polícia classifica o grupo investigado como uma organização sofisticada e estruturada, com divisão planejada de tarefas. A investigação desta quarta fase tem como foco uma célula especializada na instalação dos equipamentos MikroTik, que integraria uma organização criminosa de maior dimensão.
Segundo a DRCC, a unidade já deflagrou oito operações contra grupos criminosos que tentavam invadir e realizar alterações no sistema do Detran-DF.
A DRCC também destaca as quatro fases da Operação By Pass, que resultaram na prisão de alguns dos principais hackers investigados por invasões ao sistema do Detran-DF.
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Investigação continua
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, invasão de dispositivo informático, estelionato qualificado pelo meio eletrônico e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas máximas previstas para os crimes podem chegar a 32 anos de reclusão. Outros delitos poderão ser atribuídos aos envolvidos conforme o avanço das investigações.
As investigações continuam com o objetivo de identificar todos os integrantes do grupo e esclarecer a estrutura e a atuação da organização criminosa maior.