O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou de posição sobre a chamada “taxa das blusinhas”. Depois de o governo defender a tributação de produtos importados como uma forma de proteger empresas e empregos brasileiros, Lula zerou em maio de 2026 o Imposto de Importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50.
A mudança aconteceu em meio à proximidade das eleições e à forte rejeição da cobrança. Uma pesquisa AtlasIntel divulgada em março apontou que 62% dos entrevistados consideravam a aplicação da taxa o maior erro do governo Lula. Segundo relatos publicados sobre as discussões internas do Planalto, o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, alertou que o assunto poderia custar votos.
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O que Lula defendia antes?
A posição inicial era praticamente oposta.
Em 2023, Lula reclamou da entrada de produtos importados sem tributação e defendeu que essas mercadorias pagassem impostos. A equipe econômica também argumentava que empresas estrangeiras tinham uma vantagem sobre companhias brasileiras, que enfrentam uma carga tributária maior para produzir e vender no país.
Em 2024, o governo participou das articulações para viabilizar a cobrança. O imposto entrou em vigor em agosto daquele ano.
Na prática, compras internacionais de até US$ 50 passaram a pagar 20% de Imposto de Importação, além do ICMS estadual.

O que fez o governo mudar?
O desgaste entre os consumidores ganhou peso dentro do Palácio do Planalto.
Segundo relatos sobre as discussões internas, a avaliação era de que a taxa havia se transformado em um símbolo negativo do governo, principalmente entre consumidores de menor renda que utilizam plataformas internacionais.
Em 12 de maio, Lula editou uma medida provisória zerando o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50.
A cobrança estadual de ICMS, porém, continua existindo. Portanto, o fim da chamada taxa das blusinhas não significa necessariamente que essas compras ficaram totalmente livres de impostos.
O argumento de Lula também mudou
Se antes a discussão estava concentrada na proteção da indústria brasileira, agora Lula coloca o consumidor no centro do discurso.
O presidente passou a argumentar que permitir compras internacionais de pequeno valor sem imposto federal é uma questão de justiça. Ele compara a situação de quem compra pela internet com as isenções disponíveis para brasileiros que fazem compras durante viagens internacionais.
Indústria alerta para empregos em risco
A mudança provocou reação do setor produtivo.
Segundo nota técnica da Confederação Nacional da Indústria citada na reportagem, o fim da cobrança pode colocar em risco 109 mil empregos e R$ 21,8 bilhões em produção nacional em 2026.
Entidades ligadas à indústria têxtil e ao varejo também criticam a decisão. O argumento é que empresas instaladas no Brasil continuam pagando impostos e enfrentando custos que não recaem da mesma maneira sobre produtos enviados diretamente do exterior.
Taxa ainda pode voltar?
Sim. A decisão de Lula foi tomada por meio de uma medida provisória, que precisa ser aprovada pelo Congresso para continuar valendo.
Lula acertou com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, a instalação da comissão mista responsável por analisar a MP na próxima terça-feira, 1º de setembro.
O prazo é apertado. Se o Congresso não aprovar a medida até 8 de setembro, a cobrança federal de 20% poderá voltar.
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Quanto o fim da taxa custa aos cofres públicos?
A retirada do imposto também tem impacto fiscal.
A estimativa do Ministério da Fazenda citada na reportagem é de um custo orçamentário de R$ 1,94 bilhão em 2026, chegando a R$ 3,54 bilhões em 2027 e R$ 4,24 bilhões em 2028.
ENTENDA O CONTEXTO
A “taxa das blusinhas” virou um dos assuntos mais controversos da política econômica do governo.
Em 2024, a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi defendida como uma maneira de reduzir a diferença de condições entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras.
Dois anos depois, com pesquisas mostrando forte rejeição ao imposto e a eleição presidencial se aproximando, Lula mudou de posição e zerou a cobrança federal.
Agora, a disputa entrou em uma nova fase: enquanto o governo destaca o alívio para o consumidor, representantes da indústria alertam para possíveis impactos sobre produção e empregos. A palavra final sobre a manutenção do imposto zero dependerá do Congresso.
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