Seu café pode estar levando plástico para dentro do corpo sem você perceber

Estudo mostra que o calor aumenta a liberação de microplásticos por copos descartáveis; veja quais recipientes podem reduzir a exposição e o que a ciência já sabe sobre os riscos.
Redação NC News
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Aquele café quente tomado no copinho descartável pode carregar algo que ninguém consegue enxergar: partículas microscópicas de plástico.

Pesquisadores descobriram que o calor aumenta a liberação de microplásticos por copos descartáveis feitos de plástico e também por recipientes que possuem revestimento plástico. O fenômeno acontece justamente em uma situação extremamente comum: colocar uma bebida quente no copo e consumi-la minutos depois.

A descoberta não significa que uma xícara de café vá causar um problema de saúde imediatamente. Os possíveis efeitos da exposição prolongada aos microplásticos ainda estão sendo estudados.

Mas o resultado chama atenção para um hábito repetido diariamente por milhões de pessoas.

O que acontece quando o copo esquenta?

O plástico sofre alterações quando entra em contato com temperaturas elevadas.

Segundo os estudos, o calor pode fazer o material se expandir, amolecer e depois se contrair, facilitando o desprendimento de partículas microscópicas da superfície interna do recipiente.

Essas partículas acabam misturadas à bebida.

E há um detalhe importante:

você não consegue vê-las.

Elas não necessariamente alteram o sabor, a aparência ou o cheiro do café.

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Quanto pode ser ingerido?

Um estudo citado em pesquisas sobre o tema estimou que uma pessoa que consome diariamente cerca de 300 ml de café quente em copos plásticos pode ingerir mais de 360 mil partículas de microplástico ao longo de um ano.

O número impressiona, mas precisa ser interpretado com cuidado.

Essa estimativa representa partículas, e não uma quantidade equivalente a centenas de milhares de pedaços visíveis de plástico.

Além disso, a estimativa não significa que todas essas partículas provoquem danos ao organismo.

A ciência ainda investiga quais são os efeitos da exposição prolongada e em que quantidade os microplásticos podem representar um risco relevante à saúde.

E o copo de papel?

Aqui está uma surpresa.

Um copo que parece ser apenas de papel também pode ter plástico em sua composição.

Muitos recipientes usados para café possuem uma fina camada interna que impede que o líquido atravesse o papel.

Essa camada pode ser plástica.

Nos testes analisados, os copos de papel revestidos liberaram menos microplásticos do que os copos totalmente plásticos, mas isso não significa que sejam completamente livres de partículas.

Ou seja:

parecer de papel não significa necessariamente estar livre de plástico.

O calor é o principal vilão?

Ele é um dos fatores mais importantes.

Nos experimentos, o aumento da temperatura foi associado a uma maior liberação de partículas.

Em copos plásticos, a quantidade liberada aumentou cerca de 33% quando a temperatura do líquido passou de 5°C para 60°C, segundo os resultados divulgados sobre o estudo.

Isso ajuda a explicar por que o problema chama atenção principalmente quando se fala de café,  chá ou outras bebidas quentes

Quanto maior o contato entre o líquido quente e o material plástico, maior pode ser o desprendimento de partículas.

Isso faz mal à saúde?

É aqui que é preciso separar alerta científico de alarmismo.

Os microplásticos já foram identificados em diferentes partes do organismo humano, mas os pesquisadores ainda tentam determinar exatamente quais efeitos essas partículas provocam, em quais concentrações e após quanto tempo de exposição.

Portanto, não é correto afirmar que tomar café em um copo descartável necessariamente vai causar uma doença.

O que os estudos mostram é que existe exposição a partículas plásticas e que a temperatura pode aumentar essa liberação.

Os possíveis efeitos de longo prazo continuam sendo investigados.

Então é melhor abandonar o copo descartável?
Não é preciso entrar em pânico.

Mas, quando houver escolha, trocar o descartável por um recipiente reutilizável pode reduzir esse tipo de exposição.

As alternativas mais indicadas para bebidas quentes incluem Vidro, Cerâmica ou   Aço inoxidável

Uma caneca própria também evita que o café quente fique em contato direto com uma superfície plástica descartável.

Outra medida simples é evitar colocar líquidos muito quentes diretamente em recipientes plásticos quando houver outra opção.

O café não é o problema

O estudo não está dizendo que café faz mal.

A questão está no recipiente utilizado para colocar a bebida.

É uma diferença importante.

O café pode continuar fazendo parte da rotina. A discussão é sobre o que acontece quando uma bebida quente fica em contato com determinados materiais.

E isso vale para muito mais do que o cafezinho da manhã.

Chás, chocolate quente e outras bebidas servidas em recipientes descartáveis também podem entrar nessa discussão.

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ENTENDA O CONTEXTO

Os estudos sobre microplásticos estão aumentando à medida que pesquisadores descobrem essas partículas em diferentes ambientes e avaliam como elas chegam ao organismo.

No caso dos copos descartáveis, a temperatura aparece como um fator importante para a liberação de partículas.

Isso não significa que exista uma relação comprovada entre tomar café em copo descartável e desenvolver uma doença.

O que já pode ser observado é que o plástico pode se desprender e chegar à bebida, especialmente quando há contato com líquidos quentes.

Por isso, para quem quiser reduzir a exposição, a mudança é simples:

na próxima vez que for tomar um café quente, talvez aquela caneca que está esquecida no armário seja uma opção melhor do que o copinho descartável.

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