A endometriose pode se desenvolver em qualquer idade depois do início da menstruação, inclusive durante a adolescência. Mesmo assim, dores menstruais intensas ainda podem ser tratadas como algo normal, o que contribui para atrasar a investigação e o diagnóstico da doença.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Endometriose estima que o diagnóstico pode levar, em média, de 7 a 10 anos.
Adolescentes também estão entre as pacientes
A endometriose é uma doença que ocorre quando um tecido semelhante ao revestimento do útero cresce fora dele. A condição pode provocar dor pélvica, menstruação intensa, fadiga e outros sintomas que podem interferir diretamente na rotina.
E a doença não é exclusiva de mulheres adultas.
Segundo a organização Endometriosis UK, a endometriose pode se desenvolver em qualquer idade após o início da menstruação. Um dos equívocos apontados pela entidade é justamente a ideia de que apenas mulheres mais velhas podem apresentar a doença.
No Brasil, o Ministério da Saúde estima que a endometriose afete entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.
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Quando a cólica deixa de ser normal?
Cólicas menstruais são comuns. De acordo com a ginecologista pediátrica Gail Busby, quase 80% das adolescentes apresentam algum grau de cólica menstrual.
O problema está quando a dor passa a interferir de maneira significativa na vida da adolescente.
Faltar à escola todos os meses, deixar de participar das aulas de educação física, não conseguir sair com os amigos ou permanecer deitada por causa da dor são alguns dos sinais que merecem investigação médica.
A especialista resume a diferença de maneira direta: quando uma adolescente está na cama e sua principal companhia para suportar a dor é uma bolsa de água quente, isso não deve ser encarado simplesmente como uma cólica comum.
Diagnóstico pode demorar anos
Um dos principais desafios relacionados à endometriose é justamente chegar ao diagnóstico.
A instituição Endometriosis UK afirma que, entre mulheres mais velhas, o diagnóstico pode levar, em média, nove anos no Reino Unido.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Endometriose estima que esse período pode variar de sete a dez anos.
Durante esse intervalo, a paciente pode passar por diferentes profissionais e receber outras explicações para os sintomas antes de descobrir a causa.
Jovens também podem ter endometriose
A dificuldade pode ser ainda maior quando a paciente é adolescente.
Isso porque ainda existe a percepção de que a endometriose seria uma doença de mulheres adultas. O resultado pode ser o atraso na investigação justamente durante uma fase em que os sintomas já podem ser incapacitantes.
Além disso, nos estágios iniciais da doença em adolescentes, os sinais nem sempre aparecem em uma ultrassonografia, segundo as informações apresentadas na reportagem.
Novos exames estão sendo desenvolvidos para tentar identificar a condição mais cedo.
Dor pode afetar escola e vida social
Os impactos da endometriose não ficam restritos ao corpo. A dor crônica durante a adolescência pode interferir no desenvolvimento educacional, emocional e social.
A ginecologista Gail Busby destaca que meninas com sintomas incapacitantes podem deixar de participar de atividades comuns justamente em uma fase importante da formação pessoal.
A consequência também pode envolver a saúde emocional, já que adolescentes que convivem com dores intensas apresentam maior probabilidade de enfrentar ansiedade ou depressão, segundo a especialista ouvida pela BBC.
Fertilidade também pode ser afetada
Outro ponto associado à endometriose é a fertilidade. A doença pode provocar lesões e cicatrizes nos órgãos internos e, em alguns casos, dificultar uma futura gravidez.
É importante, porém, não transformar essa possibilidade em uma previsão individual. O impacto sobre a fertilidade varia de acordo com cada caso, extensão da doença e tratamento.
Grace virou personagem da história
Um dos exemplos apresentados pela BBC é o de Grace, uma adolescente de 14 anos de Yorkshire, no Reino Unido.
Ela começou a menstruar aos 11 anos e, aos 13, passou a enfrentar dores extremamente intensas durante o período menstrual.
Segundo o relato, Grace chegou a precisar ser carregada pelos pais até o carro para ser levada ao hospital. No pronto-socorro, recebeu medicamentos fortes para controlar a dor, incluindo morfina em algumas ocasiões.
Antes de receber o diagnóstico, ela ouviu diferentes possibilidades para explicar os sintomas, como síndrome do intestino irritável, cisto, ansiedade e cólica menstrual intensa.
Também foi informada em diferentes momentos de que seria jovem demais para ter endometriose. O diagnóstico só veio depois que a família insistiu em buscar uma segunda avaliação particular.
Grace passou posteriormente por uma laparoscopia, procedimento minimamente invasivo utilizado para tratar a endometriose. Ela também recebeu orientação para utilizar anticoncepcional hormonal para ajudar a controlar os sintomas e retardar o crescimento do tecido.
A adolescente decidiu falar publicamente sobre a experiência para incentivar outras meninas a procurarem ajuda quando perceberem que a dor não é normal.
“Você conhece seu corpo melhor do que ninguém e sua dor é real.”
Tratamento busca controlar a doença
A endometriose é considerada uma doença crônica e sem cura definitiva. O tratamento depende dos sintomas, da extensão da doença e das características de cada paciente.
Podem ser utilizados medicamentos hormonais para controlar o crescimento do tecido e reduzir a dor. Em determinados casos, também pode ser indicada cirurgia para remover as lesões.
Por isso, a avaliação médica individual é fundamental.
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Entenda o contexto
A cólica menstrual pode fazer parte da menstruação, inclusive na adolescência. O alerta está principalmente na intensidade e no impacto da dor na rotina.
Quando a adolescente deixa de ir à escola, não consegue praticar atividades físicas, precisa faltar a compromissos ou necessita de atendimento hospitalar repetidamente por causa da menstruação, o quadro merece investigação.
O caso de Grace é usado como exemplo de uma questão maior: a necessidade de reconhecer a endometriose também entre adolescentes e evitar que dores incapacitantes sejam normalizadas.
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