A entrada mais forte de Eduardo Leite na campanha de Gabriel Souza começa a mudar a estratégia do MDB na disputa pelo Governo do Rio Grande do Sul. O governador passou a ocupar espaço de destaque na propaganda eleitoral do candidato, numa tentativa de associar a campanha à gestão estadual e fortalecer o nome de seu vice na corrida pelo Palácio Piratini.
A movimentação, porém, acabou provocando uma reação da Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) determinou a suspensão de uma propaganda de Gabriel Souza por considerar excessiva a participação de Leite. A peça tinha 105 segundos, e o governador apareceu sozinho durante cerca de 90 segundos, além de participar dos segundos finais ao lado do candidato.

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Entenda O Peso De Eduardo Leite Na Campanha
A presença de Leite na propaganda revela uma aposta do MDB em sua imagem e na associação entre Gabriel Souza e a atual administração estadual. Gabriel é vice-governador e tenta se apresentar ao eleitorado como um nome capaz de dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo atual governo.
Na propaganda de estreia, Gabriel já havia explorado a própria trajetória no MDB e a experiência acumulada ao lado de Leite. A estratégia também buscava destacar resultados atribuídos à gestão estadual em áreas como segurança pública e educação.
O problema surgiu quando a participação do governador ganhou proporção considerada excessiva pela Justiça Eleitoral.
A legislação estabelece limite de 25% do tempo da propaganda para a participação de apoiadores. No caso analisado pelo TRE-RS, uma peça de 105 segundos permitiria aproximadamente 26 segundos de participação. A decisão apontou, entretanto, que Leite ficou sozinho em cena por cerca de 90 segundos e ainda apareceu ao lado de Gabriel nos momentos finais.
Justiça Suspendeu A Propaganda
A decisão do TRE-RS tem caráter liminar e determinou que a campanha de Gabriel Souza e a coligação não voltem a exibir a peça na forma questionada. As emissoras responsáveis pela transmissão também foram comunicadas.
Em caso de nova veiculação em desacordo com a decisão, foi estabelecida multa de R$ 10 mil por exibição. A campanha de Gabriel foi procurada por veículos de imprensa, mas não havia apresentado manifestação até a publicação das informações.
O episódio não envolve apenas a propaganda de Gabriel. Outra peça eleitoral, destinada à candidatura de Frederico Antunes ao Senado, também foi suspensa pelo TRE-RS por participação considerada excessiva de Eduardo Leite. Nesse caso, o material tinha 80 segundos e o governador aparecia durante aproximadamente 40 segundos, o equivalente à metade da inserção.
Gabriel Tenta Ganhar Espaço Na Disputa
A aposta em Leite ocorre em um momento delicado para Gabriel Souza. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto mostrou o candidato do MDB com 9% das intenções de voto, atrás de Luciano Zucco (PL), com 26%, e Juliana Brizola (PDT), com 23%.
O cenário coloca Gabriel em uma posição de disputa por espaço entre dois polos que aparecem à frente nas pesquisas.
De um lado está Luciano Zucco, associado ao campo bolsonarista. Do outro, Juliana Brizola, que conta com o apoio do PDT e mantém proximidade política com o campo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.
Nesse cenário, o MDB tenta evitar que a eleição se transforme em uma disputa restrita aos dois primeiros colocados. A maior exposição de Eduardo Leite pode funcionar como uma tentativa de apresentar Gabriel como uma alternativa capaz de disputar o eleitorado que ainda não se decidiu.
Eleição Pode Ficar Mais Competitiva
A estratégia também mostra que a campanha de Gabriel pretende explorar o legado do atual governo estadual para tentar reduzir a distância em relação aos adversários.
A dificuldade está em transformar a associação com Leite em votos. Pesquisa citada pela Folha mostrou que 56% dos entrevistados disseram que o governador não merece eleger um sucessor, enquanto 33% responderam que sim. O mesmo levantamento apontou que 72% dos eleitores ainda desconheciam Gabriel Souza.
Esse cenário ajuda a explicar por que a campanha pode buscar maior exposição para os dois nomes. Para Gabriel, a presença de Leite pode representar uma forma de aumentar o reconhecimento do candidato e conectar sua imagem à administração atual.
Para os adversários, por outro lado, a movimentação pode ser interpretada como um sinal de que o MDB pretende reagir ao cenário de terceira colocação e tentar transformar a corrida em uma disputa mais aberta.
O Que Está Em Jogo No Rio Grande Do Sul
A eleição estadual ganhou novos contornos com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, em 28 de agosto. A partir desse momento, as campanhas passaram a disputar não apenas votos, mas também espaço e exposição junto ao eleitorado.
Gabriel Souza aparece como o candidato que mais diretamente defende a continuidade da atual administração estadual. A estratégia pode ganhar força caso a campanha consiga apresentar resultados do governo de Leite e, ao mesmo tempo, construir uma identidade própria para o candidato.
A entrada mais intensa do governador, entretanto, mostra que o grupo político reconhece a necessidade de aumentar a visibilidade de Gabriel.
A reação da Justiça Eleitoral também criou um obstáculo para essa estratégia. A campanha terá de adaptar as próximas peças para manter a associação política entre Leite e Gabriel sem ultrapassar os limites estabelecidos pela legislação eleitoral.
Entenda O Contexto
A disputa pelo Governo do Rio Grande do Sul tem, neste momento, Luciano Zucco e Juliana Brizola à frente nas pesquisas, enquanto Gabriel Souza busca crescer e ocupar uma posição mais competitiva.
O governador Eduardo Leite decidiu não disputar a Presidência da República e passou a concentrar sua atuação política na tentativa de eleger um sucessor no Estado. A escolha de Gabriel Souza representa a continuidade do grupo político que administra o Rio Grande do Sul.
O desafio do MDB é transformar a força política de Leite em crescimento eleitoral para Gabriel. A decisão do TRE-RS, ao suspender a propaganda por excesso de participação do governador, acrescenta uma dificuldade à estratégia justamente no momento em que o horário eleitoral começa a ganhar espaço na campanha.
Para os adversários, o movimento pode ser visto como uma oportunidade. Se Gabriel crescer, a tendência é de uma disputa mais fragmentada. Se continuar distante dos líderes, a eleição pode permanecer concentrada entre os principais polos que já aparecem na frente.
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