A Azzas 2154, dona das ações AZZA3, anunciou uma reorganização societária que vai dividir a companhia em duas empresas abertas e independentes na B3: Arezzo&Co e SOMA. Com a operação, o investidor que hoje possui AZZA3 passará a ser acionista das duas companhias, mantendo a mesma proporção de participação que já possui atualmente.
A mudança acontece em um momento delicado para os papéis da empresa. Até o fechamento do pregão de 1º de setembro, AZZA3 acumulava queda de 40,10% em 2026, em meio à frustração com resultados e às dúvidas do mercado sobre a integração dos negócios de calçados e vestuário.
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O plano de reorganização foi costurado entre os blocos de acionistas liderados por Alexandre Birman e Roberto Jatahy Gonçalves e prevê uma separação estrutural dos negócios atualmente reunidos sob a Azzas 2154.
A proposta é que cada operação passe a contar com administração, governança e estratégia próprias, permitindo que os dois grupos de negócios sejam avaliados separadamente pelo mercado.
A Arezzo&Co concentrará as operações ligadas a calçados e bolsas, reunindo marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman, Carol Bassi e a Hering, com suas extensões.
Já a SOMA ficará responsável pelas marcas de vestuário, entre elas Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Reserva e suas extensões, Oficina e Foxton.
Acionista De AZZA3 Terá Ações Das Duas Empresas
No centro da operação está uma cisão parcial da Azzas 2154. Na prática, a companhia atual será dividida em duas estruturas, e os acionistas de AZZA3 receberão ações da Arezzo&Co e da SOMA.
A proporção de participação de cada investidor será preservada.
“Com a implementação da cisão, cada acionista da Azzas 2154 se tornará titular de ações de emissão de ambas as companhias na exata proporção das participações por eles detidas no capital social da Companhia, de modo que a participação relativa de cada acionista seja integralmente preservada”, afirma Eric Alexandre Alencar, diretor Financeiro, Corporativo e de Relações com Investidores.
O desenho societário após a cisão também já foi definido.
O Bloco Jatahy ficará com 25,95% da SOMA. O Bloco Birman deterá 32,13% da Arezzo&Co e 6,18% da SOMA.
Os demais acionistas, que estão dispersos no mercado, terão 67,87% de cada uma das novas empresas, mantendo o peso que já possuem hoje sobre o capital total.
Para o investidor pessoa física, portanto, não haverá uma escolha entre as duas companhias. Quem possui AZZA3 passará automaticamente a ter ações das duas estruturas.
A conversão será proporcional, sem diluição e sem necessidade de aporte adicional.
Cisão Não Dá Direito De Retirada
Um dos pontos da operação é a ausência de direito de retirada para os acionistas.
A Azzas 2154 afirma que a cisão parcial não dará ao investidor a possibilidade de exigir a recompra de suas ações, com base no artigo 137 da Lei das Sociedades por Ações.
Dessa forma, quem discordar da reorganização não terá uma saída compulsória garantida pelo mecanismo tradicional de reembolso.
Operação Ainda Depende De Aprovações
A divisão ainda precisa cumprir uma série de etapas antes de ser efetivada.
A reorganização deverá passar pelos órgãos de administração da Azzas 2154, por uma assembleia geral de acionistas, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela aprovação da B3 para a listagem da SOMA no segmento Novo Mercado.
Até que todas as etapas sejam concluídas, a Azzas 2154 continuará operando com a estrutura atual e AZZA3 seguirá sendo a ação negociada na bolsa.
A expectativa da empresa é concluir todo o processo no primeiro trimestre de 2027, considerando as análises regulatórias e os ajustes operacionais necessários para separar os negócios.
Divisão Ocorre Após Forte Queda Na Bolsa
A reorganização ocorre depois de uma forte desvalorização das ações da companhia. AZZA3 acumula queda de 40,10% no ano, até o fechamento de 1º de setembro.
O desempenho reflete, entre outros fatores, a frustração do mercado com os resultados e as dúvidas sobre a integração entre os negócios de calçados e vestuário.
A divisão busca justamente alterar essa estrutura. Com duas companhias independentes, o mercado poderá avaliar separadamente os resultados, perspectivas de crescimento e riscos de cada operação.
Empresas Terão Estratégias Próprias
A companhia aposta que a especialização poderá destravar valor para os acionistas.
A Arezzo&Co ficará concentrada em calçados, bolsas e marcas consolidadas, enquanto a SOMA terá como foco o vestuário e o segmento de lifestyle.
A expectativa da administração é que cada negócio possa definir sua própria estratégia comercial, política de expansão e investimentos em inovação de acordo com as características do mercado em que atua.
Outro argumento é o acesso direto ao mercado de capitais. Separadas, as empresas poderão buscar recursos e financiar seus respectivos planos de crescimento de maneira independente.
No mercado, a operação também é vista como uma tentativa de reorganizar a companhia depois do período de forte desvalorização.
A separação pode atrair fundos especializados interessados especificamente em varejo de moda ou marcas premium de calçados, além de aumentar a liquidez e, potencialmente, reduzir o desconto aplicado por investidores a grupos muito diversificados.
Execução Será Um Dos Principais Desafios
Apesar das expectativas, o sucesso da operação dependerá da execução.
A transição exigirá a separação de equipes, sistemas, contratos e estruturas físicas. Ao mesmo tempo, Arezzo&Co e SOMA precisarão demonstrar capacidade de apresentar resultados consistentes como empresas independentes.
A reação da bolsa após a conclusão da operação e a evolução dos indicadores operacionais serão alguns dos principais termômetros para avaliar o resultado da estratégia.
Se a reorganização conseguir melhorar a percepção de risco e os indicadores de rentabilidade, a divisão poderá servir de referência para outras empresas do varejo de moda que enfrentam desafios semelhantes.
Caso contrário, a companhia terá apenas separado em duas estruturas problemas que já existiam antes da cisão.
O Que A Divisão Significa Para O Acionista
A divisão transforma cada acionista de AZZA3 em sócio simultâneo de duas companhias listadas, Arezzo&Co e SOMA.
A participação relativa será mantida exatamente na proporção atual, sem necessidade de novo aporte e sem perda proporcional de participação no negócio.
Após a conclusão da cisão, AZZA3 deixará de representar uma empresa única. A participação atualmente concentrada no papel será convertida em ações das duas novas companhias, permitindo que o investidor negocie separadamente os papéis da Arezzo&Co e da SOMA na B3.

E Os Dividendos?
O pagamento de dividendos depois da divisão dependerá das políticas que Arezzo&Co e SOMA adotarem como empresas independentes.
Com a cisão, os resultados e fluxos de caixa serão apurados separadamente. Caberá a cada conselho definir quanto do lucro será distribuído aos acionistas e quanto será mantido para financiar investimentos e expansão.
Como Ficam Os Resultados Após A Cisão
Os primeiros resultados divulgados depois da separação permitirão analisar pela primeira vez o desempenho de Arezzo&Co e SOMA de maneira segregada.
O mercado deverá observar indicadores como margens, crescimento e eficiência de cada companhia. Os custos de transição e os ajustes iniciais, porém, podem tornar os primeiros períodos menos representativos de uma operação já estabilizada.
Entenda o contexto
A Azzas 2154 decidiu separar seus negócios em duas companhias abertas, Arezzo&Co e SOMA, em um momento de forte pressão sobre suas ações. AZZA3 acumulava queda de 40,10% no ano até o fechamento de 1º de setembro, enquanto investidores acompanhavam com dúvidas os resultados e a integração entre os segmentos de calçados e vestuário.
Pela proposta de cisão parcial, os atuais acionistas não perderão participação relativa e passarão a deter ações das duas empresas na mesma proporção que possuem hoje, sem necessidade de novo aporte. A operação ainda depende de aprovação dos órgãos da companhia, dos acionistas, do Cade e da B3, e a expectativa é que seja concluída no primeiro trimestre de 2027. Depois da separação, cada empresa terá administração, estratégia, resultados e política de dividendos próprios, permitindo que o mercado avalie individualmente os negócios.
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