Uma fotografia feita por acaso em um porto de Barcarena, no nordeste do Pará, transformou a vida de uma família que enfrenta uma dura batalha contra a leucemia. A imagem mostra Paulo Robson Vasconcelos Pereira ao lado da filha, Esther Sofia, de 4 anos, após mais uma viagem para Belém, onde a menina realiza tratamento contra a doença.
O registro, feito pelo mototaxista Nelildo Keybe, viralizou nas redes sociais e mobilizou uma grande corrente de solidariedade. A repercussão resultou em doações, campanhas beneficentes e ajuda financeira para a família, que enfrenta dificuldades desde que o pai precisou abandonar o emprego para acompanhar a filha durante o tratamento.
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Entenda o que aconteceu
Na foto que ganhou repercussão, Paulo aparece sentado ao lado da filha após uma das viagens que fazem regularmente entre Barcarena e Belém. Segundo o pai, naquele dia a situação era ainda mais difícil: ele não tinha dinheiro suficiente para retornar para casa.
“Eu estava desesperado. Minha filha falou que estava com fome e que queria ir para casa. Eu não sabia o que fazer naquele momento”, relatou.
Segundo ele, faltavam apenas R$ 7 para completar o valor necessário para a viagem de volta.
A cena chamou a atenção de Nelildo Keybe, que já conhecia a história da menina. Comovido, ele registrou o momento e compartilhou a imagem com amigos que participavam de um projeto social em Barcarena. O objetivo inicial era divulgar um bingo beneficente para ajudar a família, mas a fotografia acabou tomando proporções muito maiores.
Foto viralizou e gerou onda de solidariedade
De acordo com Nelildo, a imagem retratava mais do que o cansaço após uma longa viagem.
“O pai estava com um semblante muito triste e ela estava muito debilitada. Aquela cena me chamou a atenção”, contou.
A fotografia começou a circular em grupos de mensagens e redes sociais até alcançar milhares de pessoas. A repercussão mobilizou moradores, comerciantes e desconhecidos, que passaram a fazer doações para auxiliar nas despesas da família.
Segundo Paulo, o celular passou a receber tantas mensagens que ele sequer conseguiu responder todas.
“Meu celular travou de tantas mensagens. Até hoje não consegui responder todo mundo”, afirmou.
Diagnóstico mudou a vida da família
A história começou há cerca de três meses, quando Esther reclamou de dores na barriga. Ao observar uma mancha roxa no corpo da filha, Paulo decidiu levá-la ao atendimento médico.
Após exames iniciais, os médicos identificaram alterações sanguíneas e levantaram a suspeita de leucemia. A menina foi transferida para outra unidade hospitalar, passou por transfusão de sangue e realizou exames mais detalhados, que confirmaram o diagnóstico.
O pai relembra o impacto da notícia.
“Ela sempre foi uma criança saudável, brincalhona. Quando a equipe médica confirmou, foi um baque. Como pai, eu desabei”, disse.
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Pai reviveu dor após perder esposa para o câncer
O diagnóstico de Esther trouxe de volta uma lembrança dolorosa para Paulo. A mãe da menina morreu vítima de câncer quando ela ainda era pequena.
Segundo ele, a esposa morava em Brasília quando recebeu a notícia de que estava internada. Pouco depois de retornar para ficar ao lado dela, veio a perda. Anos depois, Paulo refez a vida e hoje conta com o apoio da atual esposa nos cuidados com a filha.
Rotina de tratamento exige viagens frequentes
Desde o início do tratamento, a família passou a enfrentar uma rotina intensa de deslocamentos entre Barcarena e Belém.
Para chegar ao hospital, pai e filha utilizam carro por aplicativo até o porto, fazem a travessia de lancha e depois seguem para a unidade de saúde. O percurso pode ser repetido até quatro vezes por semana.
“É muito cansativo, principalmente para ela. A gente sai de manhã, passa o dia no hospital e depois volta”, explicou Paulo.
Pai deixou o emprego para acompanhar a filha
Antes da descoberta da doença, Paulo trabalhava em regime de turnos. Com as internações frequentes e a necessidade de acompanhamento integral, decidiu deixar o emprego.
Sem renda fixa, a família passou a depender da ajuda de vizinhos, amigos e moradores da comunidade São Francisco, em Barcarena.
Com a repercussão da fotografia, uma vaquinha foi organizada e novas doações passaram a chegar. Os recursos devem ajudar nas despesas do tratamento e também na adaptação da residência da família.
Entenda o contexto
A leucemia é um dos tipos de câncer mais comuns na infância e costuma exigir tratamento prolongado, que pode incluir quimioterapia, transfusões e acompanhamento médico constante.
No caso de Esther, a previsão é que o tratamento dure entre dois e três anos, exigindo viagens frequentes para consultas e procedimentos em Belém.
Parte das doações recebidas será destinada à reforma da casa onde a menina vive. Segundo o pai, Esther ainda não possui um quarto próprio e a família pretende adaptar o espaço para proporcionar mais conforto durante a recuperação.
Mesmo diante das dificuldades, Paulo afirma que continuará ao lado da filha durante toda a jornada.
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