O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou nesta quarta-feira (9) que o Brasil vive uma crise institucional e disse estar “profundamente chocado” com a falta de respostas rápidas diante de suspeitas de corrupção. Na avaliação dele, os Poderes precisam preservar a independência, mas também prestar contas à população.
A declaração ocorreu após Cury ser questionado sobre a decisão do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada ao inquérito das fake news e a outras medidas envolvendo a atual crise na Corte.
Para o candidato, o contribuinte precisa ser colocado no centro da discussão sobre o funcionamento do Estado.
‘O CONTRIBUINTE NÃO PODE FICAR SEM RESPOSTAS’
Cury afirmou que autoridades eleitas e servidores públicos têm como principal responsável pela manutenção da estrutura estatal o cidadão que paga impostos.
“Todo cargo eletivo, ou todo colaborador público de carreira, tem um empregador, que é o contribuinte. Esse contribuinte, o pagador de impostos, não pode ficar mais sem respostas.”
O candidato também defendeu que suspeitas de corrupção sejam investigadas rapidamente e que eventuais responsáveis sejam punidos caso os fatos sejam comprovados.
“As suspeitas de corrupção têm que ser investigadas com a máxima celeridade. Eu sou favorável que o Brasil seja passado a limpo.”
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‘BRASIL ESTÁ COLAPSANDO’
Ao falar sobre a relação entre as instituições, Cury afirmou que o conflito entre os Poderes estaria afetando a confiança da população.
“Infelizmente, eu estou sentindo que o Brasil está colapsando, que os poderes não estão se respeitando adequadamente, e isso tudo compromete a credibilidade do brasileiro nas suas instituições.”
Questionado especificamente sobre a decisão de Fachin, o candidato não entrou no mérito da medida e preferiu defender maior rapidez na atuação das instituições.
“Eu sou favorável a decisões rápidas, isso não pode acontecer.”
CRÍTICAS A LULA E BOLSONARO
Cury também direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro. Segundo ele, os dois estariam evitando debates durante o processo eleitoral.
“Mais uma vez, Lula da Silva, mais uma vez Bolsonaro, fugindo dos debates, porque tem muita resposta que eles não conseguem dar. Isso é um absurdo, isso é inaceitável.”
CANDIDATO SE DEFINE COMO ‘TRANSIÇÃO’
Ao apresentar sua proposta política, Cury afirmou que não pretende construir uma carreira tradicional na política. O candidato disse que deseja atuar como uma espécie de transição entre o que chamou de “país velho” e um “país novo”.
“Eu quero ser a transição entre um país velho, um país que parece que foi cooptado por duas famílias, um país onde a corrupção é epidêmica, para um país novo, um país ético, um país onde se abraça mais de 210 milhões de brasileiros. Eu quero ser apenas essa transição.”
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INDÚSTRIA 4.0 E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Em outro momento da entrevista, o candidato defendeu uma transformação da indústria brasileira. Segundo Cury, o setor perdeu entre 30% e 40% de participação no PIB nas últimas quatro décadas.
A proposta apresentada por ele inclui investimentos em automação, inteligência artificial e robótica.
“O Brasil precisa ter uma indústria 4.0, turbinada, com inteligência artificial e robótica, porque, se não, nós vamos ficar para trás.”
Na avaliação de Cury, a falta de modernização pode ampliar a dependência brasileira de outras potências econômicas. Ele citou China, Estados Unidos e Índia como exemplos de países que, segundo sua avaliação, avançam em ritmo superior ao Brasil.
ENTENDA O CONTEXTO
As declarações de Cury ocorrem em meio a uma disputa eleitoral marcada por críticas à atuação das instituições e por debates sobre os limites entre os Poderes. Ao longo da entrevista, o candidato associou a crise de confiança à falta de respostas rápidas e defendeu maior cobrança sobre autoridades e agentes públicos.
Ao mesmo tempo, Cury apresentou uma candidatura baseada na ideia de renovação política e de modernização econômica. Além das críticas ao cenário institucional, ele defendeu uma indústria mais tecnológica e afirmou que pretende se colocar como uma alternativa aos grupos políticos tradicionais.
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