O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, concedeu um prazo de 48 horas para que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresente esclarecimentos antes de uma decisão definitiva sobre sua permanência no cargo. A medida foi tomada em meio à crise institucional envolvendo decisões contraditórias dentro da própria Corte sobre o comando da PF.
A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (9), depois que Fachin suspendeu tanto o afastamento de Andrei determinado pelo ministro André Mendonça quanto a recondução ao cargo ordenada horas antes pelo ministro Flávio Dino. Com isso, o diretor-geral permanece à frente da corporação até nova deliberação do Supremo.
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Entenda o que aconteceu
A nova decisão de Fachin ocorre após uma sequência de embates dentro do STF envolvendo investigações ligadas à Polícia Federal e ao caso Banco Master. Na terça-feira (8), André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada da Costa.
Já nesta quarta-feira (9), Flávio Dino derrubou a medida e determinou a recondução dos dois delegados aos cargos. Horas depois, Fachin interveio para suspender ambas as decisões, alegando a necessidade de evitar insegurança jurídica e preservar a ordem institucional.
O que Fachin determinou
Além de suspender as decisões conflitantes, o presidente do STF determinou que Andrei Rodrigues apresente informações em até 48 horas. Após o prazo, a Presidência da Corte avaliará se há motivos para mantê-lo ou não na direção-geral da Polícia Federal.
Segundo Fachin, a medida não representa um julgamento antecipado sobre as acusações ou suspeitas em apuração. O objetivo, afirmou o ministro, é evitar sobreposição de decisões e garantir a regularidade dos processos em andamento.
Disputa ampliou crise no STF
O caso se transformou em mais um capítulo da maior crise recente enfrentada pelo Supremo. A disputa entre decisões de ministros sobre o comando da Polícia Federal aprofundou o desgaste interno da Corte e gerou críticas sobre a condução dos processos relacionados ao Banco Master e a outras investigações sensíveis.
Especialistas ouvidos por veículos nacionais destacaram que não existe hierarquia entre decisões monocráticas dos ministros do STF, cabendo ao plenário ou à presidência da Corte resolver conflitos dessa natureza quando surgem determinações incompatíveis.
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O que acontece agora
Com a determinação de Fachin, Andrei Rodrigues continua exercendo normalmente as funções de diretor-geral da Polícia Federal enquanto prepara sua manifestação ao Supremo. Após o recebimento das informações, a Presidência da Corte deverá decidir os próximos passos do caso.
Paralelamente, Fachin manteve o prazo de 72 horas para que André Mendonça apresente esclarecimentos sobre os fundamentos que levaram ao afastamento da cúpula da PF. O tema também deverá ser analisado pelo plenário do STF nos próximos dias.
Entenda o contexto
A crise teve origem após a divulgação de mensagens envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, o que desencadeou uma série de questionamentos, pedidos de investigação e disputas processuais dentro do Supremo. O episódio acabou envolvendo diretamente a Polícia Federal e ampliou o conflito entre ministros da Corte.
O caso ganhou dimensão política e institucional porque ocorre em meio ao ano eleitoral de 2026 e envolve investigações consideradas estratégicas. A decisão de Fachin busca centralizar a condução do processo e evitar novas decisões contraditórias até que o STF defina uma posição definitiva sobre o comando da Polícia Federal.
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