Minas Gerais registra, em média, 11 mortes por dia em decorrência de acidente vascular cerebral (AVC). Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) apontam 4.196 óbitos em 2024, colocando a doença como a sétima principal causa de morte entre os mineiros.
Os números acendem um alerta para a prevenção e o diagnóstico precoce. Embora o AVC atinja diretamente o cérebro, muitos dos fatores que aumentam o risco estão relacionados à saúde do coração e dos vasos sanguíneos.
Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e sedentarismo estão entre os principais fatores associados ao aumento do risco. Parte deles, porém, pode ser identificada e controlada antes que provoque consequências mais graves.
VEJA TAMBÉM
Mulher é atropelada duas vezes pelo ex-companheiro em Belo Horizonte
Desigualdade regional aumenta risco de mortes
O problema também não se distribui de forma igual pelo território mineiro. Um estudo divulgado em 23 de julho de 2026 pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) identificou áreas com maior risco de mortalidade por AVC principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Leste de Minas Gerais.
Os pesquisadores analisaram os 853 municípios do estado, considerando dados entre 2014 e 2022, e encontraram uma associação entre taxas mais elevadas de mortalidade por AVC e piores indicadores relacionados à saúde, educação e segurança pública.
A pesquisa também aponta diferenças socioeconômicas e no acesso aos serviços de saúde entre as regiões. Na prática, o estudo reforça que o enfrentamento da doença não depende apenas das escolhas individuais, mas também da capacidade de prevenção, diagnóstico e atendimento disponível para a população.
Hipertensão e diabetes estão entre os principais fatores de risco
A prevenção começa muito antes dos primeiros sintomas. Segundo a cardiologista Luciana Neiva, do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, algumas alterações podem permanecer silenciosas durante anos.
“Algumas dessas alterações podem permanecer por anos sem causar sintomas, por isso a prevenção precisa começar antes de a pessoa apresentar algum sintoma”, explica a médica.
A pressão arterial elevada é um dos principais fatores que merecem acompanhamento. O mesmo vale para diabetes e alterações no colesterol, que podem afetar o sistema cardiovascular sem provocar sinais perceptíveis no dia a dia.
O tabagismo e o sedentarismo também aumentam o risco e tornam ainda mais importante a adoção de hábitos voltados à saúde cardiovascular.
Prevenção pode começar com acompanhamento médico
Além do controle da pressão e da adoção de uma rotina mais saudável, a avaliação do histórico pessoal e familiar pode ajudar a identificar pessoas com maior risco cardiovascular.
Segundo Luciana Neiva, exames laboratoriais também são importantes para detectar alterações que podem estar associadas ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
O acompanhamento permite identificar, por exemplo, mudanças nos níveis de colesterol e glicose antes que elas evoluam sem controle. A avaliação médica deve considerar o conjunto de fatores de risco de cada paciente.
Especialistas reforçam que esperar o aparecimento de sintomas pode representar um risco, justamente porque algumas das principais condições associadas ao AVC evoluem de forma silenciosa.
Reconhecer os sinais pode salvar vidas
Quando um AVC acontece, o atendimento rápido é decisivo. Alterações repentinas na fala, perda de força ou sensibilidade em um dos lados do corpo, dificuldade para sorrir ou movimentar um braço, confusão e mudanças súbitas na visão estão entre os sinais que exigem atenção imediata.
Em caso de suspeita, a orientação é procurar socorro médico o mais rápido possível. O tempo entre o início dos sintomas e o atendimento pode influenciar diretamente as possibilidades de tratamento e recuperação.
A alta quantidade de mortes registradas em Minas Gerais mostra que o AVC continua sendo um dos grandes desafios da saúde pública. A prevenção, o acompanhamento de fatores de risco e o acesso rápido aos serviços de saúde formam uma das principais barreiras contra as consequências da doença.
LEIA TAMBÉM
Mãe é presa após deixar filhos sozinhos por cinco dias para viajar a Minas Gerais
Entenda O Contexto
O acidente vascular cerebral acontece quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro é interrompido ou quando ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo. Como as células cerebrais dependem de oxigênio e nutrientes transportados pelo sangue, a rapidez no atendimento pode ser fundamental para reduzir danos e aumentar as chances de recuperação. Em Minas Gerais, os 4.196 óbitos registrados em 2024 representam uma média de cerca de 11 mortes por dia e colocam o AVC entre as principais causas de morte no estado.
O cenário mineiro também revela diferenças entre as regiões. A pesquisa da UNIFAL-MG, divulgada em julho de 2026 após analisar os 853 municípios entre 2014 e 2022, encontrou maior risco de mortalidade principalmente no Norte, Nordeste e Leste do estado e identificou associação com piores indicadores de saúde, educação e segurança pública. Os dados mostram que a prevenção depende tanto do controle individual de fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e sedentarismo quanto do acesso da população a diagnóstico, acompanhamento e atendimento médico.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Beber chá ou café muito quente pode triplicar risco de câncer de esôfago, aponta estudo