O ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Wellington Magalhães foi condenado por improbidade administrativa em uma ação que apurou o recebimento de cerca de R$ 1,8 milhão em propina. A decisão foi assinada na quarta-feira (9) pelo juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, da 3ª Vara da Fazenda Pública Municipal de Belo Horizonte.
De acordo com a decisão, os valores teriam sido pagos para que Magalhães interferisse em uma licitação para a contratação de serviços de publicidade da Câmara. Além da devolução dos recursos, a sentença determinou a suspensão dos direitos políticos por oito anos e a proibição de assumir funções públicas.
O valor definido para ressarcimento aos cofres públicos é de R$ 2,3 milhões.
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Licitação de publicidade está no centro do caso
Segundo a apuração do Ministério Público de Minas Gerais citada no processo, Wellington Magalhães ocupava a presidência da Câmara quando uma licitação para contratar uma agência de publicidade foi cancelada sem justificativa considerada adequada.
Na sequência, outra empresa teria sido contratada, e a acusação sustenta que houve pagamento de propina relacionado ao novo contrato. O Ministério Público já havia apontado, em uma ação de improbidade apresentada anteriormente, que Magalhães teria recebido R$ 1,8 milhão em dinheiro, além de outras vantagens, como vinhos e hospedagens no exterior.
As investigações também apontaram suspeitas de direcionamento de licitações e superfaturamento de contratos de publicidade durante o período em que ele comandava o Legislativo municipal.

Magalhães foi cassado pela Câmara em 2019
A nova condenação ocorre anos depois de Wellington Magalhães perder o mandato de vereador. Em 2019, a Câmara Municipal de Belo Horizonte cassou o político por quebra de decoro parlamentar.
Na época, entre os elementos analisados pelos vereadores estavam justamente acusações relacionadas a supostos recebimentos de propina e outras vantagens durante sua passagem pela presidência da Casa. O relatório do processo de cassação registrou a acusação de recebimento de R$ 1,8 milhão em dinheiro, além de vinhos e hospedagem durante viagem internacional.
O caso também provocou investigações em diferentes frentes, incluindo suspeitas relacionadas a contratos de publicidade e ao patrimônio do ex-vereador.
Defesa afirma que vai recorrer
Após a decisão mais recente, Wellington Magalhães negou as irregularidades e afirmou que está tranquilo em relação ao processo.
Segundo declaração dada à imprensa, a defesa pretende recorrer da sentença. Magalhães afirmou ainda confiar na Justiça e disse que os advogados apresentarão os argumentos contra a condenação.
A sentença, portanto, ainda pode ser questionada nas instâncias superiores.
Outro processo já havia resultado em condenação
A decisão desta quarta-feira não é a primeira condenação envolvendo o ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte.
Em março de 2026, Magalhães também havia sido condenado em outra ação de improbidade administrativa relacionada à evolução de seu patrimônio. Na ocasião, a Justiça determinou a suspensão dos direitos políticos por cinco anos. A defesa informou que também recorreria daquela decisão.
O histórico mostra que o político responde a diferentes processos relacionados ao período em que esteve à frente do Legislativo municipal.
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Entenda o contexto
Wellington Magalhães presidiu a Câmara Municipal de Belo Horizonte entre 2015 e 2017 e foi cassado pelos vereadores em 2019. Ao longo dos anos, o ex-parlamentar passou a responder a processos relacionados a suspeitas de irregularidades em contratos de publicidade, recebimento de vantagens indevidas e evolução patrimonial.
A acusação envolvendo os R$ 1,8 milhão sustenta que o dinheiro teria sido pago para favorecer interesses privados em contratos da Câmara. A Justiça de Belo Horizonte agora determinou o ressarcimento de R$ 2,3 milhões, a suspensão dos direitos políticos por oito anos e a proibição de assumir funções públicas. Wellington Magalhães nega irregularidades e afirma que irá recorrer.
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