A Polícia Federal (PF) identificou uma movimentação de R$ 8,5 milhões entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, e a empresa Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda. A operação financeira é investigada pela PF dentro do caso que apura a possível utilização de uma rede de empresas para redistribuir e ocultar recursos de supostos desvios de verbas públicas.
A análise financeira aponta que a Ultra IP recebeu R$ 8.554.301,14 do ICB em oito transferências entre julho e outubro de 2024. No mesmo período, a empresa movimentou R$ 31,6 milhões, considerando créditos e débitos.
VEJA TAMBÉM:
Entenda o que está sendo investigado
Segundo a PF, a Ultra IP teria funcionado como uma espécie de redistribuidora de recursos dentro da rede investigada. A empresa recebia valores do ICB e, posteriormente, transferia dinheiro para outras empresas e entidades.
A investigação apura se pessoas físicas e jurídicas foram utilizadas como intermediárias para ocultar ou dissimular a origem, a localização, a movimentação e a titularidade de recursos que teriam origem em supostos desvios de verbas públicas federais.
O caso envolve a destinação e a circulação de recursos relacionados a entidades ligadas à produção do filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Movimentação de R$ 31,6 milhões
Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) analisado pela PF aponta que a conta da Ultra IP foi aberta em 25 de julho de 2024.
Entre 30 de julho e 9 de outubro daquele ano, a empresa registrou uma movimentação bruta de R$ 31,6 milhões, sendo aproximadamente R$ 15,8 milhões em créditos e outros R$ 15,8 milhões em débitos.
O Instituto Conhecer Brasil foi o principal remetente de recursos, com oito transferências que totalizaram os R$ 8,55 milhões.
A Ultra IP, que anteriormente utilizava o nome William Silva Ferreira Representações, aparece na investigação como uma das empresas que recebiam valores expressivos e posteriormente faziam transferências para outros integrantes da rede financeira analisada pelos investigadores.
Empresa recebeu R$ 1 milhão de uma cuidadora
Entre os principais destinatários dos recursos transferidos pela Ultra IP está a ABC Logísticas e Serviços Ltda., que recebeu R$ 1.075.586.
De acordo com a investigação, a empresa tinha capital social declarado de R$ 500 mil e estava registrada em nome de uma única sócia, identificada como Nayara Bianca Silva de Souza.
A PF apontou que ela trabalhava como cuidadora de idosos, tinha remuneração média de R$ 1.815 e era beneficiária do Novo Bolsa Família.
Para os investigadores, o perfil da titular da empresa e as movimentações financeiras estão entre os elementos que levantaram suspeitas sobre a utilização de pessoas interpostas na circulação dos recursos.
Outra empresa estava registrada em nome de servente de obras
A Ultra IP também transferiu R$ 627.482,25 para a Fastsoftsolution Mídia Desenvolvimento e Publicidade Ltda.
A empresa possuía capital social declarado de R$ 300 mil e tinha como único sócio Anderson Souza Mendes.
Segundo a investigação, a última ocupação formal registrada para Mendes era a de servente de obras, com remuneração média entre um e dois salários mínimos.
Além das duas empresas, a Ultra IP transferiu R$ 1.336.201,50 para a Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade presidida por Karina Gama.
PF vê empresas como “redistribuidoras”
Na avaliação da Polícia Federal, empresas como a Ultra IP teriam exercido a função de “redistribuidoras dos recursos”.
A suspeita é que elas recebessem dinheiro do ICB e, em seguida, realizassem novas transferências para outros integrantes da rede investigada.
A PF afirma que as circunstâncias identificadas apontam, em tese, para o uso de pessoas físicas e jurídicas como instrumentos para a circulação e ocultação de valores.
A investigação ainda busca esclarecer a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e a eventual relação entre as empresas e entidades envolvidas.
LEIA TAMBÉM:
Quem é Karina Gama, produtora de Dark Horse alvo de operação da PF em SP
O que acontece agora
A investigação da PF continua analisando as movimentações financeiras e as relações entre as empresas e entidades que aparecem no caminho dos recursos.
A apuração deverá verificar se as transferências tiveram justificativas e serviços correspondentes ou se fizeram parte de um mecanismo destinado a fragmentar e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Até o momento, as suspeitas descritas pela PF são objeto de investigação e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.
Entenda o contexto
O caso “Dark Horse” envolve uma investigação mais ampla sobre a possível utilização de emendas parlamentares e outras verbas públicas em uma rede de entidades e empresas relacionadas à produção do filme.
A PF passou a analisar não apenas os valores que chegaram diretamente às entidades ligadas ao longa-metragem, mas também o caminho percorrido pelo dinheiro depois dos repasses.
Nesse cenário, a movimentação de R$ 8,5 milhões do Instituto Conhecer Brasil para a Ultra IP chamou a atenção dos investigadores porque, posteriormente, a empresa realizou transferências para organizações que apresentavam perfis financeiros considerados incompatíveis com os valores movimentados, segundo a apuração.
O ponto central agora é identificar se essas empresas prestaram serviços reais e quais foram as finalidades dos pagamentos ou se foram utilizadas apenas como intermediárias para dificultar o rastreamento dos recursos.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS:
Flávio tem 47% contra 45% de Lula no 2º turno, aponta PoderData/Aya
Quem é Karina Gama, produtora de Dark Horse alvo de operação da PF em SP
Polícia Federal deflagra operação para investigar financiamento do filme “Dark Horse”