Uma operação da Polícia Federal contra o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, trouxe à tona o envolvimento de dois deputados federais do PL. Segundo a corporação, Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) destinaram emendas parlamentares à produtora responsável pelo longa. A informação consta na decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou a ação nesta quinta-feira (10).
De acordo com a PF, Pollon enviou R$ 1 milhão à Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina Ferreira da Gama — também alvo da operação. Kicis, por sua vez, destinou R$ 150 mil à mesma instituição.

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Entenda o que aconteceu
A chamada operação Make Up cumpre 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento de “Dark Horse”. Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) estão entre os alvos.
Autorizada por Dino, a ação apura possíveis irregularidades no uso de R$ 2 milhões em emendas parlamentares repassadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), também ligado a Karina Gama. A suspeita é de que parte desses recursos não tenha comprovação de uso por meio de nota fiscal.
Os valores enviados pelos deputados
Segundo a PF, a Academia Nacional de Cultura foi indicada como beneficiária de duas emendas: uma de Pollon (nº 202444200010), de R$ 1 milhão, e outra de Kicis (nº 202439190003), de R$ 150 mil. Os valores seriam repassados, via Governo de São Paulo, ao projeto “Heróis Nacionais” — mas, segundo a corporação, nenhum recurso chegou de fato a ser transferido, por entraves técnicos e normativos na formalização da parceria.
A reportagem do NC News tenta contato com Bia Kicis e Marcos Pollon; o espaço segue aberto para manifestação dos parlamentares.
O alcance da operação
Ao todo, são 53 alvos — 29 pessoas físicas e 24 jurídicas —, com mandados cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo a PF, as investigações identificaram uma possível organização formada por agentes públicos e privados, que teria direcionado recursos a empresas subcontratadas sem a devida comprovação dos serviços prestados. Dino também determinou que os 29 investigados fiquem proibidos de deixar o país sem autorização e de manter contato entre si.
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Entenda o contexto
O financiamento de “Dark Horse” é hoje alvo de dois inquéritos no STF: um sob relatoria de André Mendonça e outro, sobre o possível direcionamento das emendas, conduzido por Dino. O caso integra uma sequência de decisões recentes do ministro sobre o tema — incluindo a centralização das apurações envolvendo Mario Frias na PF e a suspensão de atividades econômicas de entidades investigadas — em meio a um momento de forte tensão institucional que também atravessa a crise entre Moraes e Mendonça, ligada ao caso Master.
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