Uma nova pesquisa do instituto AtlasIntel expõe um cenário presidencial polarizado entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) a menos de um mês do primeiro turno. O levantamento nacional, com 5.000 eleitores, também mede rejeição, temas econômicos e percepção sobre o caso Banco Master.
Levantamento nacional testa força de Lula e Flávio
A AtlasIntel divulga hoje os resultados de um estudo que busca tirar uma fotografia detalhada do eleitorado neste momento de acirramento da disputa. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01452/2026, custou R$ 75 mil e foi feita on-line entre 4 e 9 de setembro.
“A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%”, afirma o instituto. O desenho amostral utiliza dados da PNAD Contínua 2025/2026 para renda e escolaridade, e cadastro do TSE para sexo e faixa etária, numa tentativa de aproximar o universo digital do perfil real dos eleitores.
O levantamento simula cenários de primeiro e segundo turnos, com Lula e Flávio no centro da disputa. “O levantamento contempla simulações de primeiro e segundo turnos e pode indicar como os principais candidatos chegam a esta nova etapa da disputa”, diz a AtlasIntel. Em cenários de segundo turno, entram ainda Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
A pesquisa mede não só intenção de voto, mas também rejeição e comparação direta entre Lula e Flávio em temas sensíveis. Economia, inflação, saúde, educação, segurança pública, corrupção, empregos e equilíbrio das contas públicas aparecem no questionário, oferecendo um mapa de prioridades do eleitor a dias da definição nas urnas.
Minas reforça favoritismo de Lula e limita Zema
Um recorte regional em Minas Gerais, também assinado pela AtlasIntel, reforça a posição de Lula no segundo maior colégio eleitoral do país. A pesquisa mineira ouviu 1.804 eleitores entre 30 de agosto e 4 de setembro e está registrada sob o número BR-05852/2026.
“O presidente Lula (PT) é o favorito dos eleitores mineiros na disputa pela reeleição, segundo pesquisa publicada nesta terça-feira 8 pelo instituto AtlasIntel”, registra o instituto em seu relatório. O petista lidera as simulações de primeiro e segundo turnos, com vantagem considerada segura sobre Flávio Bolsonaro.
O estudo também funciona como termômetro para a força das candidaturas alternativas. O ex-governador Romeu Zema, que deixou o cargo para tentar chegar ao Planalto, aparece com menos de dois pontos percentuais no primeiro turno, desempenho fraco justamente em seu estado. Minas reúne 16,3 milhões de eleitores, o que a torna peça-chave: “Minas se consolidou como um ‘termômetro’ das eleições presidenciais: desde a redemocratização, quem venceu no estado foi eleito presidente da República”, lembra o relatório.
Banco Master, rejeição e temor sobre o futuro
A pesquisa nacional acrescenta uma camada política delicada ao incluir a crise do Banco Master. Os entrevistados respondem qual grupo consideram mais envolvido nas fraudes sob investigação: aliados de Lula, de Bolsonaro, o Centrão, todos igualmente ou nenhum deles. O recorte testa o grau de desgaste de cada campo político com a associação ao caso.
O questionário também pergunta qual resultado causa mais preocupação: uma eventual reeleição de Lula ou a vitória de Flávio Bolsonaro. “O questionário também aborda a percepção dos eleitores sobre a crise do Banco Master e pergunta qual resultado gera mais preocupação: a reeleição de Lula ou uma vitória de Flávio”, descreve o instituto. A resposta a essa pergunta, somada aos índices de rejeição, ajuda a calibrar o potencial de transferência de votos no segundo turno.
Campanhas de governo e oposição acompanham com atenção esses dados. Em um cenário polarizado, a taxa de rejeição mínima pode valer mais do que um ponto a mais na intenção de voto hoje. Grupos de marketing eleitoral olham com especial interesse para os recortes por renda, religião e faixa etária, em busca de nichos ainda disputáveis.
PF mira filme de Bolsonaro e STF tenta conter crise
O ambiente político no qual a pesquisa chega ao público é marcado por operações policiais e tensão institucional. A Polícia Federal cumpre na manhã desta quinta-feira mandados de busca e apreensão ligados ao financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a história de Jair Bolsonaro. Entre os alvos estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), além de outros 48 investigados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
O caso, que estava na Justiça Federal em São Paulo, agora tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Flávio Dino. As diligências ampliam o desgaste do entorno bolsonarista no momento em que Flávio tenta consolidar sua candidatura nacional, e têm potencial para alimentar o debate sobre uso político de estruturas privadas e públicas.
No próprio Supremo, a crise interna exige movimentos de contenção. “O presidente da Corte, Edson Fachin, marcou para 15 de setembro, às 10h, uma sessão extraordinária para analisar o relatório da PF que detalhou mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro”, informa a Presidência do tribunal. Os ministros vão decidir se abrem ou não investigação contra Moraes.
Fachin age também para reverter a sequência de decisões conflitantes que expôs divisões na Corte. Ao suspender liminares de colegas sobre o comando da Polícia Federal, o presidente do STF alegou ser “grave” o quadro em que um ministro desautoriza o outro no meio de um julgamento sensível.
Fim da ‘taxa das blusinhas’ entra no cálculo eleitoral
No plano econômico, Lula sanciona hoje, em cerimônia no Palácio do Planalto, a medida que encerra a chamada “taxa das blusinhas”. O governo extingue o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares, em uma decisão com claro apelo popular entre consumidores que usam sites estrangeiros.
A mudança reduz o custo imediato de pequenos produtos importados, mas acende alerta no varejo nacional e na indústria, que temem concorrência desleal com plataformas estrangeiras. O Planalto promete avaliações periódicas dos impactos na arrecadação e na atividade econômica.
Ao mesmo tempo, indicadores de inflação, emprego e renda seguem pressionando a narrativa da campanha. A pesquisa da AtlasIntel tenta capturar a percepção do eleitor sobre esses temas em tempo real, medindo quem é visto como mais capaz de controlar preços, gerar postos de trabalho e equilibrar as contas públicas.
Os próximos dias devem trazer novas sondagens e novos fatos de polícia e Judiciário. A forma como Lula e Flávio Bolsonaro reagem a esse mix de números, operações e decisões de tribunal tende a definir a reta final da campanha. Em um quadro tão apertado, cada movimento em Minas Gerais, cada escândalo associado a um dos campos políticos e cada decisão econômica com impacto direto no bolso pode redesenhar o mapa eleitoral até o primeiro turno.
Quando sai a próxima pesquisa AtlasIntel para presidente?
A próxima pesquisa AtlasIntel para presidente não tem data oficial divulgada, mas o padrão recente de levantamentos quinzenais ou semanais e a proximidade do primeiro turno indicam que novos resultados tendem a ser publicados ainda em setembro, especialmente se houver fatos políticos relevantes ou mudanças bruscas de cenário.
Como participar das pesquisas da AtlasIntel?
Para participar das pesquisas da AtlasIntel, o eleitor precisa responder aos questionários on-line do instituto, que usa convites em painéis digitais e amostras calibradas com dados da PNAD e do TSE; não há cadastro público aberto, mas usuários podem eventualmente ser selecionados por meio de plataformas parceiras na internet.
Quem é Renan Santos citado na pesquisa AtlasIntel?
Renan Santos é um dos nomes testados pela AtlasIntel em cenários de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, figurando como alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro; sua inclusão mede o espaço para candidaturas fora dos dois polos principais, embora com desempenho ainda modesto.