A Dinamarca quer proibir o uso de celulares nas escolas. A proposta prevê que estudantes deixem os aparelhos fora de circulação durante o período escolar, em uma tentativa de reduzir distrações e recuperar a concentração em sala de aula.
A medida alcança tanto as escolas públicas quanto instituições independentes do ensino primário e do ensino secundário inferior. O acordo político para criar escolas livres de celulares foi firmado por uma ampla maioria do Parlamento dinamarquês.
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O que a Dinamarca pretende mudar
A proposta estabelece um modelo de escolas livres de celulares, com a restrição voltada às instituições que atendem crianças e adolescentes no ensino básico.
A ideia é que os estudantes não tenham os aparelhos disponíveis durante o período escolar. O objetivo é criar um ambiente com menos distrações digitais e mais espaço para a interação entre alunos e professores.
A proposta também alcança atividades realizadas no ambiente escolar fora do horário tradicional das aulas.
Medida vale para escolas públicas e independentes
A proibição proposta não ficaria limitada às escolas públicas.
O governo dinamarquês prevê que a regra seja aplicada tanto às folkeskoler, escolas públicas do país, quanto às escolas independentes de ensino primário e secundário inferior.
A medida, portanto, pretende estabelecer uma orientação nacional para o uso dos aparelhos nessa etapa da educação.
Celular virou alvo de preocupação nas escolas
A discussão não é exclusiva da Dinamarca. O uso excessivo de celulares por estudantes vem provocando debates em diversos países por causa do impacto da tecnologia na atenção durante as aulas.
A preocupação central é que notificações, redes sociais, vídeos, jogos e mensagens desviem a atenção dos alunos justamente durante atividades que exigem concentração.
Em diferentes sistemas educacionais, as soluções variam entre proibição total, armazenamento dos aparelhos durante as aulas e regras definidas individualmente pelas escolas.
Dinamarca já discutia restrições
A proposta atual não surgiu do nada. O país já vinha adotando medidas para limitar a presença dos celulares no ambiente escolar.
Antes da proposta nacional, escolas dinamarquesas já possuíam regras próprias. Em algumas delas, os aparelhos eram recolhidos ou armazenados durante o período escolar.
O novo acordo busca transformar essa lógica em uma política mais ampla e uniforme.
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Entenda o contexto
A discussão sobre celulares nas escolas ganhou força em diferentes países à medida que smartphones passaram a fazer parte da rotina de crianças e adolescentes.
No Brasil, o tema também avançou. Dados do Pisa 2025, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que a proporção de estudantes brasileiros em escolas que proíbem celulares passou de 37% em 2022 para 81% em 2025. Na média da OCDE, o índice passou de 34% para 49% no mesmo período.
O mesmo levantamento apontou que estudantes de escolas que proíbem celulares nas dependências têm, em média, 13% menos chances de relatar distração digital durante as aulas.
Ao mesmo tempo, a discussão não significa necessariamente abandonar a tecnologia na educação. O próprio Pisa mostrou que quase metade dos estudantes brasileiros, 48%, utiliza chatbots de inteligência artificial semanalmente para tarefas escolares.
O desafio para os sistemas de ensino é, portanto, encontrar um equilíbrio entre o uso pedagógico da tecnologia e a redução das distrações provocadas pelos aparelhos pessoais.
A experiência dinamarquesa se soma a um movimento internacional de escolas que tentam limitar a presença dos smartphones no cotidiano dos estudantes.
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