A Justiça Federal tornou réus o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias (MDB-RJ), e outras cinco pessoas acusadas de integrar um esquema de corrupção, tráfico de drogas e contrabando ligado à facção Comando Vermelho, investigado na Operação Zargun.
A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) foi aceita por unanimidade pela 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) nesta quinta-feira (10), com seis votos favoráveis.
Quem são os denunciados
Além de TH Joias, viraram réus Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena e o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel.
Segundo o MPF, a organização criminosa se infiltrou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e em secretarias estaduais para atuar no comércio ilegal de armas trazidas a comunidades do estado a partir do Paraguai.
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Grupo também é acusado de sabotar operações policiais
Os crimes atribuídos ao grupo incluem ainda tráfico de drogas, contrabando de equipamentos antidrone e corrupção de agentes públicos. Segundo o MPF, a organização importava clandestinamente bloqueadores de sinal de drone, de uso proibido para pessoas físicas e empresas, para sabotar o monitoramento das forças de segurança durante operações policiais.
Veja os crimes atribuídos a cada denunciado
De acordo com o MPF, o esquema envolvia a ocupação de cargos públicos, o vazamento de dados policiais e a facilitação de vantagens ilícitas. Confira os crimes atribuídos a cada um dos réus:
Thiego Raimundo de Oliveira Santos (“TH Joias”) responde por organização criminosa majorada, tráfico de drogas (três vezes), contrabando de equipamentos (11 vezes), corrupção ativa (13 vezes) e comércio ilegal de arma de fogo e munições.
Gabriel Dias de Oliveira (“Índio”) é acusado de organização criminosa majorada, tráfico internacional de armas de fogo (quatro vezes), comércio ilegal de arma de fogo e munições (seis vezes), posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (duas vezes), disparo de arma de fogo, tráfico de drogas (quatro vezes), contrabando de equipamentos (11 vezes) e corrupção ativa (13 vezes).
Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (“Dudu”) responde pelas mesmas categorias de crime atribuídas a Índio: organização criminosa majorada, tráfico internacional de armas de fogo, comércio ilegal de arma de fogo e munições (seis vezes), posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, tráfico de drogas (quatro vezes), contrabando de equipamentos (11 vezes) e corrupção ativa (13 vezes).
Já os ex-secretários Alessandro Pitombeira Carracena e o delegado da PF Gustavo Stteel são acusados de organização criminosa majorada e corrupção passiva — sete vezes no caso de Carracena e seis vezes no caso de Stteel.
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Entenda o contexto
TH Joias é réu em outro processo relacionado à Operação Zargun, dessa vez no Supremo Tribunal Federal (STF). Em agosto, a Primeira Turma da Corte decidiu, por unanimidade, tornar réus TH, o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH, e Thárcio Nascimento Salgado.
Nesse segundo processo, os acusados respondem por obstrução de investigação. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo teria atuado entre os dias 2 e 3 de setembro de 2025 para vazar informações sobre a Operação Zargun, permitindo que TH, então deputado estadual e um dos principais alvos da ação, retirasse objetos de sua residência antes da chegada dos policiais.
A Operação Zargun foi deflagrada em setembro de 2025 e resultou na prisão de TH Joias e outras 14 pessoas, incluindo policiais militares, um delegado federal e ex-secretários estaduais e municipais do Rio, investigados por ligação com o Comando Vermelho.
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