PF aponta triangulação de R$ 6,1 milhões em contrato de Wi-Fi de SP e vê ligação com ‘Dark Horse’

Investigação apura possível lavagem de dinheiro envolvendo empresas e entidades ligadas ao contrato de internet gratuita da capital paulista e ao financiamento do filme
Redação NC News
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A Polícia Federal (PF) identificou uma triangulação de pelo menos R$ 6,1 milhões envolvendo recursos relacionados ao contrato de Wi-Fi gratuito da Prefeitura de São Paulo e entidades que também aparecem na investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O dinheiro passou por empresas ligadas à execução do contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pelo projeto de internet gratuita na capital paulista. A partir da análise das movimentações financeiras, os investigadores levantaram suspeitas de que parte dos recursos possa ter sido transferida entre diferentes empresas e entidades com o objetivo de dificultar a identificação de sua origem e de seu destino.

A hipótese passou a ser analisada pela PF como possível lavagem de dinheiro.

O caso ganhou dimensão porque o mesmo núcleo empresarial aparece relacionado à produção de Dark Horse, que recebeu recursos milionários de Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master e um dos principais personagens da investigação que envolve operações financeiras, empresários e autoridades públicas.

A PF ainda não concluiu que os R$ 6,1 milhões tenham sido desviados nem que todo o dinheiro utilizado na produção do filme tenha origem ilícita. O objetivo da investigação é justamente reconstruir o caminho dos recursos e identificar quem efetivamente se beneficiou das operações.

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O contrato de Wi-Fi

O Instituto Conhecer Brasil recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo para implementar e manter pontos de internet gratuita em diferentes regiões da cidade.

Para executar o projeto, o instituto utilizou empresas responsáveis por serviços de tecnologia e infraestrutura.

É nessa cadeia de contratação que os investigadores encontraram movimentações consideradas suspeitas.

Segundo a investigação, pelo menos R$ 6,1 milhões circularam entre empresas relacionadas ao contrato antes de chegar a outras estruturas empresariais.

Entre as empresas mencionadas estão a Complexsys Apoio Administrativo, a Ultra IP Tecnologia e Serviços e a Urban Connect Serviços e Tecnologia.

A PF agora tenta determinar se os pagamentos correspondem integralmente a serviços efetivamente prestados ou se parte das empresas teria sido utilizada como intermediária para movimentar recursos destinados a outras finalidades.

A diferença é fundamental para a investigação.

Uma empresa receber dinheiro de outra empresa, emitir nota fiscal ou prestar determinado serviço não constitui, por si só, lavagem de dinheiro. Para caracterizar o crime, seria necessário demonstrar que as operações foram utilizadas para ocultar ou dissimular a origem, a natureza ou o destino dos valores.

É justamente essa hipótese que está sendo investigada.

O dinheiro chega ao caso ‘Dark Horse’

A investigação ganhou um novo contorno quando os investigadores encontraram conexões entre pessoas ligadas ao Instituto Conhecer Brasil e estruturas relacionadas à produção de Dark Horse.

O filme entrou no radar da PF por causa dos valores envolvidos em seu financiamento.

Daniel Vorcaro teria se comprometido a repassar até R$ 134 milhões para a produção. Desse total, pelo menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos, segundo informações apresentadas no âmbito da investigação.

A partir desses valores, a PF passou a tentar reconstruir a origem dos recursos e as empresas utilizadas no caminho até a produção cinematográfica.

É nesse contexto que a movimentação de R$ 6,1 milhões identificada no contrato de Wi-Fi ganhou importância.

Os investigadores querem saber se existe uma conexão financeira concreta entre os recursos destinados ao projeto público em São Paulo e as estruturas utilizadas para financiar o filme.

Até o momento, porém, a investigação trabalha com indícios e hipóteses, e não com uma conclusão definitiva de que dinheiro do contrato municipal tenha financiado Dark Horse.

Uma rede de empresas sob investigação

O caso envolve uma quantidade significativa de empresas e entidades.

A PF passou a analisar contratos, transferências bancárias, documentos fiscais e relações societárias para identificar como os recursos circularam.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores é a existência de empresas que receberam dinheiro do ICB e posteriormente fizeram pagamentos ou transferências para outras companhias.

Essa movimentação pode ser absolutamente regular quando corresponde a uma cadeia legítima de prestação de serviços.

O problema surge quando os serviços não são comprovados ou quando os pagamentos são utilizados para criar uma aparência de legalidade para recursos destinados a outra finalidade.

Por isso, a investigação precisa avançar sobre documentos e dados bancários antes de estabelecer responsabilidades.

A operação também alcançou pessoas e empresas relacionadas a outros projetos financiados com recursos públicos, ampliando o número de frentes sob análise.

Emendas parlamentares também entram no radar

O Instituto Conhecer Brasil não aparece apenas por causa do contrato de Wi-Fi.

A entidade também recebeu recursos provenientes de emendas parlamentares, o que levou a Polícia Federal a examinar outros contratos e projetos executados pelo instituto.

Entre os parlamentares relacionados ao caso está Mario Frias, que destinou recursos à entidade.

Uma das emendas tinha como objetivo financiar ações relacionadas a empreendedorismo e inclusão digital para estudantes.

A PF passou a verificar se os projetos financiados pelas emendas foram efetivamente executados e se os recursos seguiram a finalidade prevista.

Empresas contratadas pelo instituto também entraram no radar da operação.

O fato de uma empresa ou entidade aparecer na investigação, entretanto, não significa que tenha cometido crime. A responsabilidade de cada envolvido dependerá das provas reunidas durante as diligências.

O papel de Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro se tornou uma figura central em diferentes investigações após a crise envolvendo o Banco Master. Seu nome aparece em operações financeiras de grande valor e em uma extensa rede de contatos empresariais e institucionais.

No caso de Dark Horse, os investigadores passaram a olhar com atenção para os valores destinados à produção e para as pessoas responsáveis pela movimentação dos recursos.

A investigação sobre o filme, portanto, não se limita à produção cinematográfica.

O que a PF procura descobrir é como o dinheiro entrou na estrutura, por quais empresas passou e quem recebeu os valores no final da cadeia.

Essa reconstrução é o que pode determinar se houve apenas operações comerciais legítimas ou se estruturas empresariais foram utilizadas para ocultar recursos.

Prefeitura diz que acompanha o caso

A Prefeitura de São Paulo afirmou que não identificou irregularidades na assinatura ou na execução do contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil.

A administração municipal também informou que a Controladoria-Geral do Município acompanha as apurações e instaurou procedimento próprio para analisar as informações relacionadas ao contrato.

A manifestação da prefeitura é relevante porque a existência de uma investigação federal não significa, automaticamente, que o contrato municipal tenha sido fraudado.

A PF ainda precisa comprovar se houve efetivamente desvio de recursos públicos ou apenas movimentações financeiras entre empresas contratadas para executar diferentes etapas do projeto.

Operação mira dezenas de endereços

A investigação avançou para uma operação de grande porte. A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Além das buscas, foram determinadas medidas contra investigados e empresas envolvidas na apuração.

O objetivo é apreender documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam ajudar a reconstruir as movimentações financeiras.

A análise desse material poderá indicar se os R$ 6,1 milhões identificados pelos investigadores representam apenas uma parte de uma estrutura financeira maior.

O que a PF tenta descobrir

O principal objetivo agora é seguir o dinheiro.

A investigação precisa estabelecer quem recebeu os R$ 6,1 milhões, quais serviços foram prestados, quais contratos justificaram os pagamentos e para onde os valores foram transferidos posteriormente.

Também será necessário verificar se existe uma ligação financeira comprovável entre essa cadeia de recursos e o financiamento de Dark Horse.

Caso os investigadores comprovem que empresas foram utilizadas para ocultar a origem ou o destino dos recursos, os envolvidos poderão responder por crimes relacionados à lavagem de dinheiro.

Se, por outro lado, os pagamentos forem comprovadamente respaldados por serviços e contratos legítimos, a movimentação poderá ter outra interpretação.

É por isso que a análise dos documentos apreendidos será decisiva.

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Entenda O Contexto

A investigação sobre Dark Horse ganhou força a partir da análise dos recursos utilizados para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, aparece como um dos principais financiadores identificados, com um compromisso que poderia chegar a R$ 134 milhões. Pelo menos R$ 61 milhões teriam sido pagos. A partir desses valores, a Polícia Federal passou a investigar a origem do dinheiro e as empresas envolvidas na cadeia financeira.

Paralelamente, o Instituto Conhecer Brasil passou a chamar a atenção dos investigadores por administrar contratos financiados com dinheiro público. O principal deles é o projeto de Wi-Fi gratuito da Prefeitura de São Paulo, que supera R$ 100 milhões. Foi nesse contrato que a PF identificou movimentações de aproximadamente R$ 6,1 milhões consideradas suspeitas.

A investigação busca descobrir se houve apenas uma cadeia regular de prestação de serviços ou se empresas e entidades foram utilizadas para movimentar recursos com outra finalidade. A eventual ligação entre esse dinheiro e a produção de Dark Horse ainda precisa ser comprovada pelas autoridades.

O caso permanece em andamento e deverá avançar com a análise dos documentos, computadores e demais materiais apreendidos. Até que as diligências sejam concluídas, os envolvidos são considerados investigados e qualquer eventual responsabilidade criminal ainda depende da produção de provas.

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