Greve dos Correios começa em todo o país após impasse nas negociações

Paralisação nacional começa nesta sexta-feira (11) e coloca pressão sobre a direção da estatal em meio a negociações trabalhistas e uma grave crise financeira
Redação NC News
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Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira (11), após a categoria rejeitar as propostas apresentadas pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027. A paralisação ocorre em meio a uma disputa que envolve reajuste salarial, benefícios e mudanças no plano de saúde dos funcionários.

A decisão foi tomada depois de assembleias realizadas pelos sindicatos que representam os trabalhadores em diferentes estados. A categoria vinha ameaçando cruzar os braços caso não houvesse avanço nas negociações.

O movimento aumenta a pressão sobre os Correios justamente em um momento delicado para a empresa, que atravessa uma forte crise financeira e busca novos recursos para tentar reorganizar suas contas.

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Reajuste virou um dos principais pontos de conflito

Uma das propostas inicialmente apresentadas pelos Correios previa reajuste equivalente a 20% do INPC, o que representava 0,87% sobre salários e benefícios. O índice foi considerado insuficiente pelas entidades sindicais e acabou rejeitado nas assembleias.

Durante o processo de negociação, a empresa apresentou uma nova proposta, elevando o reajuste para 100% do INPC por dois anos, além de mudanças em benefícios. Mesmo com avanços na proposta econômica, porém, a negociação não foi suficiente para impedir a paralisação.

A categoria também questiona alterações relacionadas ao plano de saúde e outros pontos do acordo coletivo.

O impasse chegou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), que participou das tentativas de conciliação entre os trabalhadores e a direção dos Correios. A negociação vinha sendo acompanhada pelas entidades sindicais desde agosto.

Reajuste virou um dos principais pontos de conflito | Foto: Reprodução

Greve acontece em meio a rombo bilionário

A paralisação ocorre em um momento particularmente sensível para os Correios.

A estatal fechou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 2,4 bilhões e formalizou um pedido para obter garantia da União em um novo empréstimo de R$ 7 bilhões junto a quatro bancos privados. A operação ainda depende da análise do Tesouro Nacional.

O novo financiamento faz parte do processo de reestruturação da empresa, que já havia recorrido a um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro.

A situação financeira também está relacionada a um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV). O programa foi aberto depois de uma primeira rodada ter alcançado apenas 3.181 adesões, número abaixo da meta de 10 mil desligamentos estabelecida pela empresa.

A reestruturação prevê ainda mudanças na rede de atendimento, fechamento de unidades, venda de imóveis e reformulação do plano de saúde.

Para os trabalhadores, porém, as medidas adotadas pela empresa representam riscos para empregos, condições de trabalho e manutenção dos direitos da categoria.

Greve acontece em meio a rombo bilionário | Foto: Reprodução

O que pode acontecer com as encomendas

A principal preocupação para os consumidores é o impacto da paralisação sobre a distribuição de cartas, encomendas e demais serviços postais.

Como a adesão e o funcionamento das unidades podem variar de acordo com cada região, a greve não significa necessariamente que todas as agências ficarão fechadas ou que todas as entregas serão imediatamente interrompidas.

O impacto tende a depender do número de funcionários que aderirem ao movimento e da capacidade dos Correios de manter operações consideradas essenciais.

A empresa também pode adotar medidas para preservar parte das atividades durante a paralisação, enquanto as negociações continuam.

Para quem possui encomendas em trânsito, a orientação é acompanhar o rastreamento e observar eventuais alterações nos prazos de entrega.

A adesão e o funcionamento das unidades podem variar de acordo com cada região | Foto: Reprodução

Negociação ainda pode mudar o rumo da paralisação

A greve não encerra as negociações. A paralisação pode aumentar a pressão para que trabalhadores e empresa voltem à mesa em busca de um acordo.

O cenário também pode ser levado novamente ao TST, especialmente diante de uma paralisação por tempo indeterminado.

O histórico recente mostra que greves dos Correios já chegaram ao tribunal em outras ocasiões. Em dezembro de 2025, por exemplo, o TST considerou que uma paralisação anterior não havia sido abusiva, embora tenha determinado o desconto dos dias parados.

Agora, a disputa ocorre em um ambiente ainda mais delicado, com a estatal tentando reduzir despesas, reorganizar sua estrutura e obter novos financiamentos enquanto enfrenta a mobilização de seus próprios funcionários.

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Entenda O Contexto

A greve dos Correios acontece após meses de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027. A categoria rejeitou inicialmente uma proposta que previa reajuste de 0,87%, equivalente a 20% do INPC, e passou a pressionar por uma oferta considerada mais adequada. Durante as negociações, a empresa apresentou uma nova proposta com 100% do INPC para salários e benefícios por dois anos, mas outros pontos, especialmente relacionados às condições de trabalho e ao plano de saúde, permaneceram em disputa.

Ao mesmo tempo, os Correios enfrentam uma situação financeira complicada. A empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026 e busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, com garantia soberana da União, depois de já ter recorrido a uma operação de R$ 12 bilhões no ano anterior. A companhia também colocou em andamento um novo programa de demissão voluntária e outras medidas de reestruturação.

É nesse cenário que os trabalhadores iniciam a paralisação nacional. De um lado, a direção dos Correios tenta reduzir despesas e reorganizar a empresa; de outro, os funcionários cobram reajustes, preservação de direitos e mudanças nas condições de trabalho. O resultado das próximas negociações deverá definir tanto a duração da greve quanto os termos do novo acordo coletivo.

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