Datafolha mostra Lula à frente de Flávio em disputa apertada

Pesquisa Datafolha revela cenário competitivo entre Lula e Flávio Bolsonaro com alta definição dos eleitores.
Redação NC News
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Pesquisa Datafolha divulgada hoje mantém Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da disputa presidencial, com 39% das intenções de voto, seguido de perto por Flávio Bolsonaro (PL), com 35%. O levantamento confirma um cenário de polarização intensa e indica empate técnico no segundo turno entre os dois.

Cenário apertado no 1º turno e impacto da saída de Marçal

O Datafolha mostra que a vantagem de Lula encolhe em relação à rodada anterior. Segundo o instituto, o petista “mantém estreita vantagem sobre Flávio Bolsonaro no 1º turno da disputa, mas com margem menor do que na semana passada”. Há sete dias, o presidente marcava 38%, contra 33% do senador.

Na pesquisa estimulada, além de Lula e Flávio, aparecem o escritor Augusto Cury (Avante), com 6%; o governador Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Renan Santos (Missão), com 3%; e Romeu Zema (Novo), com 2%. Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Clariana Barão (DC) e Edmilson Costa (PCB) registram 1% cada. Wilson Grassi (Democrata) e Hertz Dias (PSTU) não pontuam. Brancos, nulos ou nenhum chegam a 6%, e os indecisos somam 4%.

O instituto testou ainda um cenário com Pablo Marçal (PRTB), que aparece com 2%. Lula mantém 39%, enquanto Flávio cai para 33%. A inclusão do influenciador redistribui votos entre os candidatos médios, mas não altera a liderança do petista. O Tribunal Superior Eleitoral informa que “formou maioria para barrar a candidatura de Pablo Marçal”, o que tende a retirar essa alternativa do jogo e a reacomodar seus 2% no campo antipetista.

Pela primeira vez nesta eleição, o Datafolha divulga os votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos. No cenário sem Marçal, Lula chega a 43% dos válidos, contra 38% de Flávio. Com Marçal na lista, os percentuais ficam em 42% e 37%, respectivamente. O instituto avalia que “a distância de 4 pontos entre eles os coloca nos limites dessa margem, com maior probabilidade de vantagem do petista”.

Empate técnico no 2º turno e eleitorado duro

As simulações de segundo turno reforçam a ideia de uma eleição em aberto. De acordo com o Datafolha, “no 2º turno, há empate técnico entre os candidatos”. Lula marca 46%, Flávio Bolsonaro aparece com 44%, brancos e nulos somam 8%, e 1% não sabe em quem votaria. Dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, o quadro não permite cravar um favorito.

Em outros cenários, Lula vence todos os adversários testados, mas em alguns casos por margem reduzida. Contra Augusto Cury, o petista tem 45%, e o escritor, 43%. Diante de Caiado, o placar é 46% a 41%. Nas simulações com Renan Santos e Romeu Zema, Lula alcança 48%, enquanto os rivais ficam entre 37% e 39%.

A pesquisa revela um eleitorado polarizado e já bastante decidido. O Datafolha aponta que 75% dos entrevistados declaram voto definitivo para presidente, enquanto apenas um quarto ainda admite mudar de candidato. O índice reduz o espaço para grandes viradas e tende a intensificar a disputa por fatias pequenas, porém decisivas, do eleitorado flutuante.

O grau de rejeição ajuda a explicar o clima de confronto. Lula e Flávio Bolsonaro empatam no topo, com 46% de eleitores dizendo que não votariam neles “de jeito nenhum”. Os demais candidatos registram rejeição bem menor, variando de 7% a 17%, mas seguem distantes na intenção de voto.

Mapa do voto e influência da crise no STF

Os números confirmam uma divisão nítida do país. Lula segue mais forte entre eleitores de baixa renda, menos escolarizados, católicos e moradores do Nordeste. Flávio consolida vantagem entre os mais escolarizados, classes médias e altas, evangélicos e eleitores do Sul e do eixo Norte/Centro-Oeste. A clivagem social, religiosa e regional reforça a necessidade de campanhas segmentadas.

O levantamento é realizado em meio a uma crise aberta no Supremo Tribunal Federal. O próprio Datafolha registra que “a pesquisa foi realizada sob o impacto da crise do STF”. Os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Edson Fachin se veem no centro de debates sobre o alcance de investigações e a condução de inquéritos sensíveis.

Flávio Bolsonaro é diretamente afetado por esse ambiente. Ele é alvo de investigações, entre elas o caso conhecido como “Dark Horse” e as apurações sobre a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude financeira. O ex-ministro da Justiça e hoje ministro do Supremo, Flávio Dino, afirma que o senador “foi gravado pedindo dinheiro ao então banqueiro já em apuros, chamando de ‘meu irmão’ e prometendo lealdade”.

O entorno do senador tenta virar o jogo ao associar Lula a Alexandre de Moraes, alvo preferencial do bolsonarismo na disputa com o STF. A campanha petista, por sua vez, explora as denúncias que cercam Flávio para questionar sua integridade e a capacidade de liderar um governo estável. O embate institucional se projeta como um dos eixos centrais da campanha.

Metodologia, custo e desafios até a urna

O Datafolha ouviu presencialmente 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 125 municípios, entre os dias 8 e 10 deste mês. A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento custa R$ 307,6 mil e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01833/2026.

Os resultados chegam num momento em que metade do país desaprova o governo Lula, enquanto 47% o aprovam. A avaliação de desempenho mostra 42% classificando a gestão como ruim ou péssima, 32% como ótima ou boa e 25% como regular. O presidente disputa a reeleição com saldo crítico, mas ainda competitivo, especialmente entre os mais pobres.

As próximas semanas tendem a ser marcadas por maior exposição das investigações que cercam Flávio Bolsonaro e por tentativas de reabrir flancos contra Lula. Com três em cada quatro eleitores já decididos, a batalha se desloca para nichos específicos, como evangélicos de baixa renda, jovens indecisos e eleitores urbanos de renda média.

O barramento de Pablo Marçal pelo TSE reduz a dispersão de votos à direita e deve acirrar a disputa por eleitores hoje simpáticos ao bolsonarismo, mas desconfortáveis com o sobrenome Bolsonaro. A depender de como esses órfãos forem disputados, a eleição pode caminhar para uma consolidação precoce ou para um cenário ainda mais incerto, em que qualquer oscilação de 2 ou 3 pontos muda o favoritismo na reta final.

O que a pesquisa Datafolha revela sobre a eleição de 2026?

A pesquisa Datafolha divulgada hoje revela que Lula tem 39% e Flávio Bolsonaro 35% no 1º turno, empate técnico no 2º turno (46% a 44%) e 75% do eleitorado com voto definido, apontando uma disputa nacional extremamente polarizada, com pouco espaço para viradas amplas e forte peso de nichos específicos de eleitores.

Como a decisão do TSE sobre Pablo Marçal interfere no cenário eleitoral?

A decisão do TSE que forma maioria para barrar a candidatura de Pablo Marçal retira um nome com 2% das intenções de voto, concentrado no campo antipetista, e tende a redistribuir esse apoio entre Flávio Bolsonaro e outros candidatos de direita, reduzindo a dispersão e tornando a corrida ainda mais acirrada no primeiro turno.

De que forma a crise no STF e as investigações contra Flávio Bolsonaro impactam a disputa?

A crise no STF e as investigações que atingem Flávio Bolsonaro, incluindo o caso “Dark Horse” e a relação com Daniel Vorcaro, alimentam um clima de instabilidade institucional e permitem que Lula e o senador usem o Judiciário como arma política, influenciando sobretudo eleitores sensíveis a temas de corrupção, autoridade judicial e segurança jurídica.


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