Pesquisa Datafolha divulgada hoje coloca o presidente Lula (PT) com 39% e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 35% das intenções de voto para a eleição presidencial de 2026. A diferença de 4 pontos percentuais está no limite da margem de erro e sustenta um cenário de disputa aberta pelo Planalto.
O levantamento ocorre em meio a crise no Supremo Tribunal Federal e novas investigações contra o próprio Flávio Bolsonaro, num ambiente político já tensionado pela proximidade do Mundial de Seleções e pela indefinição sobre a candidatura de Pablo Marçal (PRTB) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Liderança apertada e eleitorado já consolidado
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 8 e 10 de setembro, em 125 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o código BR-01833/2026 e custou R$ 307,6 mil.
Sem Pablo Marçal no páreo, Lula marca 39% no primeiro turno. Flávio Bolsonaro aparece com 35%, o escritor Augusto Cury (Avante) soma 6%, o governador Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, Renan Santos (Missão) fica com 3% e Romeu Zema (Novo) registra 2%. Os demais nomes, como Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Wilson Grassi (Democrata) e Hertz Dias (PSTU), oscilam entre 1% e 0%.
O próprio instituto destaca que “a distância de 4 pontos entre eles os coloca nos limites dessa margem, com maior probabilidade de vantagem do petista”. No cenário com Marçal, Lula mantém 39%, Flávio cai para 33% e o influenciador surge com 2%, praticamente repetindo pesquisas anteriores.
A taxa de decisão do eleitorado impressiona os analistas. Segundo o Datafolha, 75% dos entrevistados dizem estar com o voto totalmente definido, o que encolhe o espaço para viradas de última hora. Entre os demais, 6% declaram voto branco, nulo ou em nenhum candidato, e 4% ainda estão indecisos.
Empate técnico no 2º turno e rejeição alta dos líderes
No segundo turno, o retrato é ainda mais apertado. Na simulação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o Datafolha registra 46% para o presidente e 44% para o senador. O próprio instituto resume: “Na simulação de segundo turno, o petista teria 46% e o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, 44%”. É um empate técnico, dado o mesmo limite de erro de 2 pontos.
Lula também enfrenta cenário ajustado contra Augusto Cury. O presidente aparece com 45%, e o escritor soma 43%. Contra outros adversários, a vantagem do petista é um pouco mais folgada: ele lidera com 46% a 41% sobre Ronaldo Caiado, 48% a 39% diante de Romeu Zema e 48% a 37% contra Renan Santos.
O levantamento traz ainda o mapa da rejeição, sempre decisivo em campanhas polarizadas. Lula e Flávio Bolsonaro empatam com 46% de eleitores que dizem não votar neles “de jeito nenhum”. Renan Santos tem 17% de rejeição, Romeu Zema 16%, Caiado 14% e Augusto Cury 10%. Os demais se mantêm abaixo de dois dígitos.
Na pesquisa espontânea, em que o entrevistador não mostra a lista de candidatos, Lula é citado por 33% dos eleitores e Flávio por 25%. Augusto Cury aparece com 3%, Jair Bolsonaro surge com 2%, Renan Santos tem 2% e Caiado registra 1%. Brancos, nulos e indecisos somam 34% nesse cenário mais aberto.
Crise no STF, caso ‘Dark Horse’ e o fator Pablo Marçal
O novo Datafolha chega em um momento em que o STF vive desgaste público, com atritos entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, e forte pressão de grupos políticos alinhados a Flávio Bolsonaro. A crise institucional permeia os discursos de campanha e alimenta a mobilização das bases mais radicalizadas.
As investigações sobre o senador no inquérito do caso “Dark Horse” adicionam risco político à candidatura bolsonarista. O inquérito apura supostas irregularidades financeiras ligadas a um filme sobre a carreira do ex-presidente Jair Bolsonaro. O instituto ressalta que “a pesquisa foi encerrada antes da revelação de que Flávio é investigado no inquérito do caso ‘Dark Horse’”, o que abre espaço para novos movimentos de opinião nas próximas semanas.
Em um dos trechos sob exame, “Flávio Bolsonaro foi gravado pedindo dinheiro ao então banqueiro já em apuros, o chamando de ‘meu irmão’ e prometendo lealdade”. A defesa do senador nega irregularidades e acusa perseguição política, enquanto aliados se preparam para intensificar a narrativa de vítima de abuso de poder.
O TSE, por sua vez, assume papel central ao avaliar a candidatura de Pablo Marçal. A corte já forma maioria para barrar o nome do coach político, considerado inelegível pela Justiça Eleitoral. Caso a candidatura seja definitivamente vetada, os 2% de Marçal no cenário com seu nome devem se redistribuir prioritariamente entre Lula, Flávio Bolsonaro e os demais aspirantes da direita liberal e da chamada “terceira via”.
Geografia do voto e impacto nas estratégias de campanha
O Datafolha detalha um quadro conhecido, mas ainda determinante para a reta final. Lula lidera com folga entre os eleitores mais pobres, com menor escolaridade, no Nordeste e entre católicos. Flávio Bolsonaro se ancora na classe média, entre quem tem ensino médio e superior, nas regiões Sul e Norte/Centro-Oeste e no eleitorado evangélico.
A fotografia acende alertas nos dois principais campos. No PT, a ordem deve ser reforçar a presença nas periferias urbanas, consolidar o voto popular e conter eventuais desgastes da economia e da segurança pública. No PL, estrategistas miram justamente os bolsões de rejeição do senador e buscam reduzir o medo de retorno ao clima de confronto constante dos anos Bolsonaro.
A presença de nomes como Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema, ainda em patamares modestos, mostra um eleitorado fragmentado no campo de centro-direita e liberal. Esses percentuais, entre 2% e 6%, têm peso real em negociações de alianças, palanques regionais e composição de um eventual segundo turno.
Ao mesmo tempo, a alta taxa de voto definido limita o espaço para guinadas de última hora, mas não elimina o potencial de sobressaltos. Crises institucionais, novas revelações no caso “Dark Horse”, decisões do TSE sobre Pablo Marçal e a própria evolução da economia podem reordenar preferências num intervalo curto.
As campanhas já tratam o cenário como de empate prático. No entorno de Lula, o discurso tende a combinar defesa do governo com apelos à estabilidade, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro devem apostar na insatisfação com a gestão federal e na mobilização digital de alta intensidade. O Datafolha se torna, assim, referência para calibrar discursos, investimentos em mídia e deslocamentos pelo país.
Com a disputa nacionalizada e um segundo turno em empate técnico, o calendário até o Mundial de Seleções de 2026 ganha contornos de plebiscito entre dois projetos irreconciliáveis. Os próximos levantamentos, já sob o impacto pleno do caso “Dark Horse” e das decisões do TSE, vão indicar se a estreita vantagem de hoje se consolida, encolhe ou muda de lado.
Qual é o cenário atual da pesquisa Datafolha para presidente em 2026?
A pesquisa Datafolha para presidente em 2026, divulgada hoje, mostra Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 35% no primeiro turno, seguido por Augusto Cury com 6%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%, em levantamento com 2.002 eleitores e margem de erro de 2 pontos.
A pesquisa Datafolha indica quem venceria um 2º turno hoje?
A pesquisa Datafolha indica hoje um segundo turno em empate técnico entre Lula, com 46%, e Flávio Bolsonaro, com 44%, cenário em que a diferença de 2 pontos está dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, mantendo a disputa em aberto e forçando os dois principais campos a intensificar suas estratégias de mobilização.
Como a investigação do caso ‘Dark Horse’ pode afetar Flávio Bolsonaro na disputa?
A investigação do caso “Dark Horse” pode afetar Flávio Bolsonaro ao reforçar dúvidas sobre ética e transparência, especialmente entre eleitores de centro ainda pouco engajados, já que o inquérito apura supostas irregularidades financeiras e inclui gravações em que o senador pede dinheiro, quadro que pode ampliar sua rejeição e fragilizar alianças.
O que acontece com os votos de Pablo Marçal se o TSE barrar sua candidatura?
Se o TSE barrar a candidatura de Pablo Marçal, os 2% que ele registra no cenário com seu nome tendem a se redistribuir entre Lula, Flávio Bolsonaro e candidatos de centro-direita, com maior probabilidade de migração para o campo conservador, o que pode alterar alguns décimos de ponto, mas não muda sozinho o quadro de polarização.