O ator Juliano Cazarré voltou a se manifestar publicamente nesta sexta-feira (11) após ser criticado pelo colega Eduardo Moscovis por declarações sobre violência contra homens e mulheres. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Cazarré rebateu as críticas, defendeu o evento “O Farol e a Forja”, realizado em julho, e afirmou que sua fala sobre os números de mortes violentas foi interpretada de maneira diferente da intenção original.
A manifestação ocorreu após Moscovis comentar o assunto em entrevista ao canal Papo Amado, apresentado pelo jornalista Guilherme Amado. O ator criticou a comparação entre os índices de violência contra homens e mulheres e questionou a declaração feita anteriormente por Cazarré.
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Entenda o que aconteceu
A nova manifestação de Cazarré está relacionada às críticas que recebeu após declarações feitas anteriormente sobre violência e masculinidade. Em maio, o ator havia comparado números de assassinatos de homens com registros de feminicídio e citado estimativas sobre as mortes. A comparação foi questionada porque reúne categorias diferentes de violência letal.
Segundo dados e análises citados na repercussão do caso, homens são maioria entre os autores de mortes violentas no país. Especialistas também apontam que o número total de homicídios de mulheres não pode ser colocado diretamente em equivalência com os registros de feminicídio, que possuem uma definição específica relacionada à violência de gênero.
O que Eduardo Moscovis disse
Moscovis criticou publicamente a comparação feita por Cazarré durante participação no canal Papo Amado. O ator afirmou considerar inadequado que uma figura pública apresente uma relação entre os números de violência contra homens e mulheres sem considerar as diferentes situações de vulnerabilidade envolvidas.
Na declaração, Moscovis classificou a fala como “um absurdo” e questionou a afirmação de que o número de assassinatos e ataques praticados por homens contra mulheres seria inferior.
A manifestação ganhou repercussão porque os dois atores trabalharam juntos na novela “Três Graças”, da TV Globo. Cazarré interpretou Jorginho Ninja, enquanto Moscovis viveu Rogério.
Cazarré responde às críticas
Na sexta-feira (11), Cazarré publicou um longo vídeo nas redes sociais para responder às críticas. Embora não tenha citado Moscovis nominalmente, fez referência a um colega de profissão e afirmou que o debate acabou desviando do ponto que pretendia abordar.
“Vem um cidadão, um colega de profissão meu, falar que o problema é que eu disse um número que os homens matam. O problema não é esse”, afirmou o ator. Em seguida, questionou por que a cobrança não seria direcionada também ao poder público.
Cazarré ainda reclamou da repercussão sobre seus projetos e mencionou o ministro da Justiça ao defender que a discussão sobre violência deveria envolver também as autoridades responsáveis pelas políticas públicas de segurança.
Ator defende evento voltado ao público masculino
Parte do novo pronunciamento de Cazarré foi dedicada ao “O Farol e a Forja”, evento idealizado por ele e realizado entre 24 e 26 de julho, em São Paulo. A programação reuniu cerca de 600 participantes e abordou temas como família, paternidade, espiritualidade, trabalho e masculinidade.
O ator negou que o encontro tenha promovido ideias de supremacia masculina ou ataques às mulheres. Segundo Cazarré, nenhuma das palestras teria defendido esse tipo de posicionamento.
“Não teve nenhuma palestra no palco que foi masculinista, que falou sobre alguma supremacia dos homens. Nenhuma palestra no palco falou mal das mulheres”, declarou.
Cazarré também afirmou que sua intenção, ao abordar os dados de violência, não era dizer que mulheres seriam mais violentas do que homens.
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Debate envolve diferenças entre homicídio e feminicídio
A discussão levantada pelos atores também envolve a diferença entre homicídio e feminicídio. O feminicídio é uma modalidade específica de homicídio praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, enquanto as estatísticas gerais de homicídios reúnem mortes violentas de diferentes circunstâncias.
Por isso, especialistas e entidades que acompanham a violência de gênero alertam que os números precisam ser analisados considerando o contexto, a motivação do crime e a classificação utilizada em cada levantamento.
A comparação feita por Cazarré passou a ser questionada justamente por colocar lado a lado categorias que não representam necessariamente o mesmo fenômeno.
Cazarré afirma que não é radical
Ao final do vídeo, Cazarré afirmou que pretende manter uma relação cordial com colegas que discordam de suas posições. O ator disse que continuará cumprimentando e tratando normalmente as pessoas que o criticam.
“Eu vou continuar tratando vocês bem, eu vou continuar cumprimentando vocês normalmente, porque eu não sou radical, vocês é que são”, afirmou.
Entenda o contexto
A discussão entre Cazarré e Moscovis ocorre após uma sequência de críticas ao evento “O Farol e a Forja” e às declarações do primeiro sobre masculinidade e violência. O novo episódio levou o debate para as redes sociais e reacendeu a discussão sobre a responsabilidade de figuras públicas ao apresentar estatísticas relacionadas à violência contra homens e mulheres.
Apesar das críticas, Cazarré mantém a defesa de suas declarações e do evento que organizou. Moscovis, por sua vez, questionou publicamente a comparação feita pelo colega.
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